<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Mundorama]]></title><description><![CDATA[Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais ]]></description><link>https://www.mundorama.net</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png</url><title>Mundorama</title><link>https://www.mundorama.net</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Sun, 31 May 2026 01:41:22 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.mundorama.net/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Centro de Estudos Globais - Universidade de Brasilia]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[mundorama@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[mundorama@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[mundorama@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[mundorama@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Mudanças na linha editorial e na publicação de Mundorama]]></title><description><![CDATA[O projeto Mundorama passou por importantes modifica&#231;&#245;es ao longo das &#250;ltimas semanas.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/mudancas-na-linha-editorial-e-na-publicacao-de-mundorama</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/mudancas-na-linha-editorial-e-na-publicacao-de-mundorama</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Nov 2020 14:57:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O projeto Mundorama passou por importantes modifica&#231;&#245;es ao longo das &#250;ltimas semanas. Gostar&#237;amos de levar aos nossos leitores as informa&#231;&#245;es relativas &#224; nova fase que se abre para a nossa Revista.</p><p>A primeira e mais importante mudan&#231;a &#233; na Editoria. A Revista passou a ser editada por Paulo Menechelli Filho, doutorando em Rela&#231;&#245;es Internacionais na Universidade de Bras&#237;lia e secret&#225;rio do <a href="http://www.estudosglobais.net">Centro de Estudos Globais,</a>&nbsp;laborat&#243;rio do Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Universidade. Paulo assume a Revista para implantar novos projetos e revitalizar a sua linha editorial, para o que conta com o apoio entusiasmado de toda a equipe do Centro.</p><p>A segunda mudan&#231;a &#233; a transfer&#234;ncia da Revista para a plataforma <a href="http://www.medium.com/mundorama">Medium</a>, que publica centenas de revistas online em v&#225;rios pa&#237;ses, versando sobre os mais diferentes temas. A plataforma &#233; aberta e conferir&#225; mais visibilidade e agilidade &#224; Revista. Portanto, o novo acesso para Mundorama se faz em <a href="http://www.medium.com/mundorama">http://www.medium.com/mundorama</a> . O endere&#231;o <a href="http://www.mundorama.net">http://www.mundorama.net</a> dirigir&#225; os nossos leitores para o novo endere&#231;o.</p><p>O site antigo da Revista, em que &#233; publicada essa &#250;ltima nota, permanecer&#225; dispon&#237;vel para acesso a artigos e outros materiais publicados ao longo dos treze primeiros anos de Mundorama. O acesso a esse site se faz no endere&#231;o <a href="http://www.mundoramanet.wordpress.com">http://www.mundoramanet.wordpress.com</a>.</p><p>A Revista Mundorama foi concebida inicialmente como atividade do projeto integrado de pesquisa <em>Parcerias Estrat&#233;gicas do Brasil: as experi&#234;ncias em curso e a constru&#231;&#227;o do conceito&nbsp;</em>(desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Bras&#237;lia e de diversas outras institui&#231;&#245;es brasileiras e estrangeiras entre 2007 e 2012), e apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#237;fico e Tecnol&#243;gico &#8211; CNPq. Em 2019 a Revista foi incorporada &#224;s atividades permanentes do <a href="http://www.estudosglobais.net">Centro de Estudos Globais</a> da Universidade de Bras&#237;lia.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O outro lado da glória: Os fracassos da primeira diplomacia republicana, por Paulo Roberto de Almeida]]></title><description><![CDATA[A diplomacia imperial, cujo &#250;ltimo ato foi a primeira confer&#234;ncia internacional americana &#8211; realizada a convite do Secret&#225;rio de Estado James Blaine para propor uma uni&#227;o aduaneira hemisf&#233;rica &#8211;, tomou nova dire&#231;&#227;o na proclama&#231;&#227;o da Rep&#250;blica, pouco depois de seu in&#237;cio em Washington.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/o-outro-lado-da-gloria-o-reverso-da-medalha-da-diplomacia-brasileira-2a-parte-por-paulo-roberto-de-almeida</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/o-outro-lado-da-gloria-o-reverso-da-medalha-da-diplomacia-brasileira-2a-parte-por-paulo-roberto-de-almeida</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 21 Oct 2020 15:18:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A diplomacia imperial, cujo &#250;ltimo ato foi a primeira confer&#234;ncia internacional americana &#8211; realizada a convite do Secret&#225;rio de Estado James Blaine para propor uma uni&#227;o aduaneira hemisf&#233;rica &#8211;, tomou nova dire&#231;&#227;o na proclama&#231;&#227;o da Rep&#250;blica, pouco depois de seu in&#237;cio em Washington. Uma das consequ&#234;ncias foi o estabelecimento frustrado de uma primeira &#8220;rela&#231;&#227;o especial&#8221;, materializada pouco depois num acordo comercial que privilegiava os americanos, em detrimento dos argentinos, mas que seria anulada em pouco tempo pelas novas orienta&#231;&#245;es da pol&#237;tica comercial americana. A rela&#231;&#227;o comercial pendular do Brasil com seus dois grandes vizinhos hemisf&#233;ricos teria seus altos e baixos durante o longo s&#233;culo que vai do in&#237;cio da Rep&#250;blica at&#233; a contemporaneidade, um pouco por defici&#234;ncias de vis&#227;o dos diplomatas, mas bem mais pelos instintos protecionistas dos capitalistas nacionais em cada um dos tr&#234;s pa&#237;ses.</p><p>A diplomacia republicana come&#231;a estrondosamente com um grande fracasso: o tratado de Montevid&#233;u, pelo qual o inepto Quintino Bocaiuva entregou praticamente a metade de Santa Catarina aos argentinos; felizmente, ele foi prontamente recusado pelo Congresso. Como a &#233;poca era a dos tratados de arbitragem, um novo processo teve in&#237;cio, com a participa&#231;&#227;o como &#225;rbitro do mesmo presidente americano que denunciou o tratado comercial. Por artes do destino, devido &#224; morte do primeiro &#225;rbitro do Brasil, o Bar&#227;o do Rio Branco foi chamado a defender a causa brasileira, come&#231;ando a&#237; uma s&#233;rie de sucessos diplom&#225;ticos que o levaria &#224; dire&#231;&#227;o da chancelaria dez anos depois. Foi um per&#237;odo primoroso da diplomacia brasileira, com alguns pequenos desajustes.</p><p>Mas at&#233; l&#225;, a &#8220;diplomacia de ferro&#8221; do Marechal Floriano Peixoto, a revolta da Armada, a guerra civil ga&#250;cha, revoltas no interior, entre elas a humilha&#231;&#227;o do Ex&#233;rcito pela &#8220;Troia de Barro&#8221; de Canudos, assim como a fal&#234;ncia financeira do pa&#237;s, levariam o Brasil ao seu primeiro isolamento diplom&#225;tico e a uma diminui&#231;&#227;o sens&#237;vel de seu prest&#237;gio externo, a ponto de recusar participa&#231;&#227;o na primeira Confer&#234;ncia da Paz da Haia, convidada pelo czar russo em 1899. Diplomatas e historiadores reconhecem que se tratou de um tremendo erro, o fracasso do primeiro exerc&#237;cio de diplomacia multilateral do Brasil, o que, felizmente, n&#227;o se repetiria durante mais de um s&#233;culo, at&#233; o infeliz advento do governo deliberadamente antimultilateralista, ridiculamente antiglobalista.</p><p>O Bar&#227;o correspondeu, inequivocamente, a um ponto alto da pol&#237;tica externa do Brasil, mais at&#233; que da diplomacia, por raz&#245;es muito simples: ele colocou a servi&#231;o de quatro presidentes sua longa experi&#234;ncia adquirida em mais de duas d&#233;cadas de viv&#234;ncia na Europa, no ponto tamb&#233;m mais alto do colonialismo europeu, e soube bem manejar entre a Cila do velho imperialismo europeu e a Car&#237;bdis da nova hegemonia americana, equilibrando as posturas algo antag&#244;nicas de um Nabuco claramente pr&#243;-americano e de um Oliveira Lima decididamente cr&#237;tico do novo imperialismo sax&#227;o. Sua decis&#227;o de encerrar a era das arbitragens na resolu&#231;&#227;o dos problemas de fronteiras, e de aderir a negocia&#231;&#245;es diretas com os vizinhos, foi a mais adequada ao encerramento das quest&#245;es lindeiras ainda abertas, depois dos tratados inconclusos p&#243;s-Madri, Ildefonso e El Pardo.</p><p>No plano da diplomacia, por&#233;m, Rio Branco demonstrou um car&#225;ter arbitr&#225;rio, recusando-se a fazer concursos abertos para admitir candidatos &#224; carreira, confiando unicamente na sua opini&#227;o, que era mis&#243;gina, racista e impressionista. Ele rompeu com uma tradi&#231;&#227;o que se mantinha invari&#225;vel desde 1831: o fato de se ordenar a confec&#231;&#227;o de relat&#243;rios anuais das atividades, acordos e iniciativas do minist&#233;rio, que passou a ser identificado com o Pal&#225;cio Itamaraty desde a sua &#233;poca. Seu carisma foi constru&#237;do &#224; base de alguma propaganda em causa pr&#243;pria, uma h&#225;bil manipula&#231;&#227;o da imprensa, mas tamb&#233;m justificada pela sua habilidade em resolver grandes problemas sem jamais retornar &#224;s pr&#225;ticas imperialistas da monarquia, quando guerras foram provocadas por interven&#231;&#245;es deliberadas nos assuntos do Uruguai.</p><p>O minist&#233;rio passou a ser conhecido como a &#8220;Casa de Rio Branco&#8221;, numa esp&#233;cie de culto &#224; personalidade poucas vezes repetido no Brasil. Em todo caso, o Bar&#227;o figurou em todos os oito padr&#245;es monet&#225;rios do Brasil desde o mil-r&#233;is at&#233; o real, o que, se &#233; uma distin&#231;&#227;o absolutamente in&#233;dita nos anais da hist&#243;ria monet&#225;ria mundial, tamb&#233;m &#233; uma confiss&#227;o de fracasso total na longa trajet&#243;ria inflacion&#225;ria do Brasil, atravessando tr&#234;s gera&#231;&#245;es; o Bar&#227;o, ali&#225;s, continua a ser representado na moedinha de 50 centavos.</p><p>As rela&#231;&#245;es com os vizinhos do Rio da Prata sempre foram complicadas, desde Sacramento, passando pela guerra da Cisplatina, a derrocada de Rosas e as interven&#231;&#245;es no Uruguai, at&#233; as tens&#245;es com a Argentina, finalmente constitu&#237;da em Estado nacional, j&#225; no p&#243;s-guerra do Paraguai. Rio Branco soube administrar bastante bem a competi&#231;&#227;o naval com os vizinhos economicamente e militarmente mais poderosos, renunciando a entreveros in&#250;teis na esfera geopol&#237;tica.</p><p>Mas ele avaliou mal uma &nbsp;poss&#237;vel complementaridade econ&#244;mica, que poderia ter resultado num processo de integra&#231;&#227;o bem mais precoce do que o Mercosul dos anos 1990. O Bar&#227;o se mostrou favor&#225;vel a um acordo comercial com os Estados Unidos, que era discriminat&#243;rio em rela&#231;&#227;o &#224; Argentina &#8211; numa &#233;poca em que a cl&#225;usula de NMF raramente era incondicional e ilimitada como veio a ser sob o Gatt &#8211;, e se recusava a considerar condi&#231;&#245;es vantajosas para a importa&#231;&#227;o da oferta agr&#237;cola e industrial do pa&#237;s vizinho, a pretexto que a Argentina n&#227;o adquiria o caf&#233; brasileiro como o faziam os EUA desde meados do s&#233;culo XIX. Assim, a despeito de ter come&#231;ado a montar um pacto ABC, para evitar uma corrida armamentista entre os tr&#234;s maiores pa&#237;ses do Cone Sul, o Bar&#227;o n&#227;o conseguiu construir uma rela&#231;&#227;o construtiva com nosso mais importante vizinho, o que teria evitado toda a paranoia militar que se estendeu por mais 80 anos.</p><p>Oswaldo Aranha &#8211; o maior chanceler brasileiro no s&#233;culo XX, depois do pr&#243;prio Bar&#227;o &#8211; tentou, &#233; verdade, construir essa rela&#231;&#227;o &#237;ntima com os imprevis&#237;veis vizinhos; ele assinou, em novembro de 1941, um tratado de uni&#227;o aduaneira com a Argentina &#8211;aberto a outros vizinhos regionais, isto &#233;, um pr&#233;-Mercosul &#8211;, mas sua entrada em vigor foi inviabilizada pelo ataque japon&#234;s a Pearl Harbor, em dezembro seguinte, e pelo fato de que a Argentina adotou uma postura &#8220;neutralista&#8221; (de fato simp&#225;tica &#224;s pot&#234;ncias do Eixo), ao passo que o Brasil aliou-se resolutamente aos americanos. Oswaldo Aranha, um pol&#237;tico dotado de refinada vis&#227;o diplom&#225;tica, exibia uma concep&#231;&#227;o geopol&#237;tica bem superior &#224;quela mantida pelos diplomatas profissionais.</p><p>A trajet&#243;ria do Brasil, provavelmente teria sido bem diferente se ele, em algum momento dos anos 1930-50, tivesse sido al&#231;ado, pela via democr&#225;tica, &#224; suprema condu&#231;&#227;o do pa&#237;s. Nenhum chanceler, antes ou depois dele &#8211; com a exce&#231;&#227;o de FHC, reconhecidamente um &#8220;presidente acidental&#8221; &#8211; esteve t&#227;o pr&#243;ximo do poder quanto Aranha, infelizmente submisso a Vargas. Vale ler seu memorando a Vargas, do final de 1942, para o encontro que mantiveram Roosevelt e Vargas em Natal, quando da r&#225;pida passagem do presidente americano pelo Brasil, de volta da confer&#234;ncia em Casablanca, em janeiro de 1943: tratava-se n&#227;o s&#243; de um programa de alian&#231;a entre os dois pa&#237;ses, durante a guerra, mas de um cuidadoso e bem pensado planejamento econ&#244;mico para o Brasil do p&#243;s-guerra, um programa de capacita&#231;&#227;o industrial e militar infelizmente desprezado por Vargas. Um ano depois ele foi novamente sabotado pelo presidente, que o impediu de se encontrar com Roosevelt para discutir o p&#243;s-guerra; saiu logo depois.</p><p>A despeito de todas essas qualidades, Aranha, um ga&#250;cho machista, op&#244;s-se ao ingresso de mulheres na carreira diplom&#225;tica, a despeito de algumas (poucas) terem sido admitidas na Velha Rep&#250;blica. Depois, o decreto de cria&#231;&#227;o do Instituto Rio Branco, em 1945, reservou o ingresso na carreira exclusivamente para candidatos masculinos, o que s&#243; foi derrubado pelo STF em meados dos anos 1950. Ainda assim, muitos diplomatas continuaram se opondo, enquanto puderam, a essa abertura, e discriminando abertamente contra as mulheres, um comportamento execr&#225;vel no caso de burocratas supostamente esclarecidos e avan&#231;ados.</p><p><strong>Continua na terceira parte:</strong></p><ol start="3"><li><p>A dif&#237;cil constru&#231;&#227;o de uma diplomacia aut&#244;noma, e consciente de s&#234;-lo</p></li></ol><h3>Sobre o autor</h3><p>Paulo Roberto de Almeida &#233; diplomata e professor universit&#225;rio.</p><h3>Como citar este artigo</h3><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O outro lado da glória: Tropeços na independência e durante o império, por Paulo Roberto de Almeida]]></title><description><![CDATA[Com poucas exce&#231;&#245;es afer&#237;veis &#8211; como a mis&#233;ria da atual diplomacia bolsolavista e dois ou tr&#234;s epis&#243;dios localiz&#225;veis de &#8220;desalinhamentos&#8221; pol&#237;ticos &#8211;, a diplomacia brasileira &#233; geralmente tida por excelente, de alt&#237;ssima qualidade, o que se explica por uma esp&#233;cie de &#8220;pecado original&#8221; ao contr&#225;rio; ou seja, sempre fomos bons desde a origem, e geralmente estivemos acima de qualquer cr&#237;tica, em grande medida, ao que se alega, gra&#231;as ao rico legado da inteligente e esperta diplomacia lusitana, que entrou, por assim dizer, em nosso &#8220;c&#243;digo gen&#233;tico&#8221;.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/o-outro-lado-da-gloria-o-reverso-da-medalha-da-diplomacia-brasileira-por-paulo-roberto-de-almeida</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/o-outro-lado-da-gloria-o-reverso-da-medalha-da-diplomacia-brasileira-por-paulo-roberto-de-almeida</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 19 Oct 2020 20:12:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Com poucas exce&#231;&#245;es afer&#237;veis &#8211; como a mis&#233;ria da atual diplomacia bolsolavista e dois ou tr&#234;s epis&#243;dios localiz&#225;veis de &#8220;desalinhamentos&#8221; pol&#237;ticos &#8211;, a diplomacia brasileira &#233; geralmente tida por excelente, de alt&#237;ssima qualidade, o que se explica por uma esp&#233;cie de &#8220;pecado original&#8221; ao contr&#225;rio; ou seja, sempre fomos bons desde a origem, e geralmente estivemos acima de qualquer cr&#237;tica, em grande medida, ao que se alega, gra&#231;as ao rico legado da inteligente e esperta diplomacia lusitana, que entrou, por assim dizer, em nosso &#8220;c&#243;digo gen&#233;tico&#8221;. Essa filia&#231;&#227;o precederia inclusive a forma&#231;&#227;o do Estado nacional, pois viria de Alexandre de Gusm&#227;o, considerado o &#8220;av&#244;&#8221; da nossa diplomacia; de fato, ele foi o construtor principal do nosso mapa atual, sendo que o &#8220;pai&#8221;, o Bar&#227;o do Rio Branco, completou a cartografia em diversos pontos remanescentes.</p><p>Sem pretender contrariar essa hist&#243;ria exemplar, pretendo selecionar alguns exemplos menos primorosos de nossa hist&#243;ria diplom&#225;tica, que ali&#225;s come&#231;am, justamente, antes da independ&#234;ncia, pois que determinadas decis&#245;es continuaram pesando do lado dos compromissos externos, sem que a diplomacia profissional, ou os dirigentes pol&#237;ticos tenham conseguido reverter o peso de uns poucos legados negativos da heran&#231;a lusitana. Nada a ver com nosso estatuto colonial obscurantista, sem ind&#250;strias, sem universidade, sem sequer escolas dignas desse nome, e isto por causa de um dos l&#237;deres considerado o prot&#243;tipo do absolutismo esclarecido, o marqu&#234;s de Pombal. Ao expulsar os jesu&#237;tas, ele tamb&#233;m condenou &#237;ndios, pobres e pretos a ficar sem qualquer instru&#231;&#227;o, mesmo a mais elementar. Mas n&#227;o vamos considerar nada antes de 1808, que &#233; quando se come&#231;a a fazer pol&#237;tica externa a partir do Brasil, com o olho no que era, pelo menos provisoriamente, a sede do gigantesco imp&#233;rio ultramarino portugu&#234;s, cantado em prosa e verso desde Cam&#245;es e, mais cientificamente, pelo historiador Charles Boxer.</p><p>A vinda da corte para o Brasil d&#225; in&#237;cio a uma s&#233;rie de decis&#245;es e iniciativas no plano da pol&#237;tica externa que continuariam exercendo efeitos j&#225; no Estado independente, e nem sempre de maneira positiva, o que sustenta a nossa tese do &#8220;pecado original&#8221; ao contr&#225;rio. J&#225; instalado no Rio de Janeiro, e tendo como seu auxiliar nos neg&#243;cios estrangeiros D. Rodrigo de Souza Coutinho, o futuro conde de Linhares, o pr&#237;ncipe regente D. Jo&#227;o declara guerra a Fran&#231;a, a que se segue, j&#225; em janeiro de 1809, a invas&#227;o de Caiena, que ficar&#225; sob administra&#231;&#227;o portuguesa at&#233; 1817, quando se reconciliam as duas na&#231;&#245;es, libertas, enfim, das turbul&#234;ncias napole&#244;nicas.</p><p>A primeira medida negativa da quase sempre l&#250;cida diplomacia portuguesa foi a assinatura, em 1810, dos dois tratados entre Portugal e Gr&#227;-Bretanha, relativos &#224; alian&#231;a defensiva (ou seja, a confirma&#231;&#227;o da depend&#234;ncia lusitana do poderio brit&#226;nico) e ao com&#233;rcio e navega&#231;&#227;o, o que n&#227;o apenas conforma um perfeito prot&#243;tipo dos &#8220;tratados desiguais&#8221; &#8211; estatuto de extraterritorialidade dos s&#250;ditos brit&#226;nicos em rela&#231;&#227;o a Justi&#231;a local &#8211; como confirma o antigo tratado de Methuen (1703), outro prot&#243;tipo da assimetria estrutural no com&#233;rcio &#8211; vinhos portugueses contra tecidos ingleses &#8211;, e que figuraria, como exemplo perfeito, para a teoria das vantagens comparativas na obra de David Ricardo. O tratado comercial, que atribu&#237;a privil&#233;gios tarif&#225;rios &#224; Gr&#227;-Bretanha, permaneceria vigente, por incapacidade da diplomacia brasileira de derrog&#225;-lo na independ&#234;ncia, ou depois dela, at&#233; o Segundo Reinado, quando, em 1844, finalmente se proclama nossa independ&#234;ncia comercial.</p><p>Mais negativo ainda, do ponto de vista das rela&#231;&#245;es regionais, foi a ambi&#231;&#227;o portuguesa de dominar a margem superior do Rio da Prata, materializada originalmente com a funda&#231;&#227;o da col&#244;nia de Sacramento (1680), continuou com as incessantes pugnas contra os castelhanos pelo dom&#237;nio daquele enclave, enfim trocado no tratado de Madri pelas redu&#231;&#245;es dos jesu&#237;tas nos Sete Povos das Miss&#245;es (no Rio Grande do Sul), mas que nunca deixou de ati&#231;ar os desejos lusitanos de obter livre acesso &#224;s regi&#245;es do vasto hinterland brasileiro por meio das bacias do Paran&#225;-Paraguai. Depois de uma primeira tentativa em 1811, D. Jo&#227;o finalmente resolve incorporar a ent&#227;o Banda Oriental aos dom&#237;nios portugueses, enviando a expedi&#231;&#227;o de Lecor em 1816, que consegue tomar Montevid&#233;u em 1817.</p><p>As guerrilhas de Artigas n&#227;o conseguem resistir aos invasores portugueses, e o territ&#243;rio se v&#234; dominado pelo governo instalado no Rio de Janeiro, no mesmo momento em que as cortes portuguesas obrigavam ao retorno de D. Jo&#227;o VI a Lisboa e finalizavam a primeira Constitui&#231;&#227;o do Reino, com o efeito involunt&#225;rio de precipitar a independ&#234;ncia brasileira. Na Carta que D. Pedro outorga ao Imp&#233;rio do Brasil, a Banda Oriental &#233; incorporada ao territ&#243;rio brasileiro como &#8220;Prov&#237;ncia Cisplatina&#8221;, com o outro efeito de precipitar a sa&#237;da dos portugueses de Montevid&#233;u, deixando uma heran&#231;a b&#233;lica para o novo imperador, que relutaria por v&#225;rios anos em se desfazer daquele territ&#243;rio ambicionado por Buenos Aires.</p><p>O confronto, o primeiro do novo Estado independente, vai contaminar as rela&#231;&#245;es do Brasil n&#227;o apenas com as Prov&#237;ncias Unidas do Rio da Prata, mas tamb&#233;m com os franceses e ingleses, que exigem repara&#231;&#245;es pelo bloqueio exercido pelo Brasil contra a livre navega&#231;&#227;o naquelas margens. As press&#245;es brit&#226;nicas sobre o Rio de Janeiro e Buenos Aires lograram, finalmente, alcan&#231;ar um armist&#237;cio entre as duas pot&#234;ncias do Prata, em 1828, mas o Uruguai e o Paraguai (independente desde 1811, mas visado pelo expansionismo argentino, em sua tentativa de reconstituir o vice-reino do Rio da Prata) permanecer&#227;o, n&#227;o exatamente como &#8220;algod&#227;o entre cristais&#8221;, mas como pontos de fric&#231;&#227;o entre elas durante, praticamente, mais de um s&#233;culo e meio, independentemente da alian&#231;a tempor&#225;ria durante a Guerra do Paraguai.</p><p>A diplomacia brasileira come&#231;ara realmente americana, sob a condu&#231;&#227;o do primeiro chanceler, o &#8220;patriarca da independ&#234;ncia&#8221;, Jos&#233; Bonif&#225;cio, mas seu expurgo do governo, desde o fechamento da Assembleia Constituinte por D. Pedro, no final de 1823, levou-a novamente a se envolver nos assuntos europeus, mais exatamente na sucess&#227;o de D. Jo&#227;o VI em Portugal e nas rela&#231;&#245;es sempre dif&#237;ceis com os vizinhos espanh&#243;is, franceses e os austr&#237;acos, tamb&#233;m presentes nos assuntos do Brasil pelo casamento de D. Pedro com Leopoldina. Ela s&#243; volta a converter-se novamente em uma diplomacia mais americana com as Reg&#234;ncias, que infelizmente coincidem com conflitos internos no plano pol&#237;tico, revoltas regionais que amea&#231;am a unidade do Imp&#233;rio, o que inviabiliza a supera&#231;&#227;o do legado negativo deixado pelas aventuras platinas da corte portuguesa e pela proverbial subordina&#231;&#227;o &#224; hegemonia brit&#226;nica.</p><p>O fato &#233; que a diplomacia do Imp&#233;rio n&#227;o teve condi&#231;&#245;es, provavelmente nem inten&#231;&#227;o, de cumprir os objetivos maiores que j&#225; tinham sido apontados pelos seus dois primeiros estadistas, Hip&#243;lito da Costa e Jos&#233; Bonif&#225;cio, que preconizavam a cessa&#231;&#227;o imediata do tr&#225;fico africano, a aboli&#231;&#227;o progressiva do regime escravocrata e um programa de imigra&#231;&#227;o europeia para explorar as riquezas potenciais do Brasil no dom&#237;nio agr&#237;cola. Tampouco se conseguiu formular uma pol&#237;tica comercial independente das amarras da &#8220;tarifa inglesa&#8221; e de promo&#231;&#227;o do desenvolvimento industrial, como os dois tamb&#233;m apontavam, com os olhos no mesmo exemplo ingl&#234;s. Quando isso se fez, na primeira d&#233;cada do Segundo Reinado, as al&#237;quotas protecionistas tinham objetivos mais fiscalistas do que propriamente industrializantes; assim continuou durante a maior parte do Imp&#233;rio, a despeito da emerg&#234;ncia parcial de concep&#231;&#245;es ligadas &#224; industrializa&#231;&#227;o.</p><p>Dois dos maiores fracassos brasileiros, n&#227;o simplesmente diplom&#225;ticos, mas representativos do &#8220;esp&#237;rito&#8221; (se o conceito se aplica) de suas classes dirigentes s&#227;o vergonhosamente evidenciados pela sua extrema relut&#226;ncia em cessar o tr&#225;fico e abolir a escravid&#227;o, a despeito das press&#245;es estrangeiras e do clamor de mentes mais avan&#231;adas. A vergonha propriamente diplom&#225;tica consistiu em responder ao arrogante Bill Aberdeen por meio de uma nota oficial que defendia o tr&#225;fico africano como um &#8220;com&#233;rcio leg&#237;timo&#8221;, assim como, mais adiante, o instituto da escravid&#227;o como &#8220;direito de propriedade&#8221;. A hipocrisia chegava ao c&#250;mulo de muitos dos escravos libertos pelas incurs&#245;es inglesas nas &#225;guas brasileiras serem postos a servi&#231;o do Estado imperial, e caberia investigar se alguns foram atribu&#237;dos &#224; pequena Secretaria de Estado dos Neg&#243;cios Estrangeiros. As delongas, tanto na interrup&#231;&#227;o do tr&#225;fico quanto na aboli&#231;&#227;o da escravid&#227;o, e na aus&#234;ncia de pol&#237;ticas de reforma agr&#225;ria e de educa&#231;&#227;o popular na sequ&#234;ncia &#8211; como pretendia um esp&#237;rito avan&#231;ado como Nabuco &#8211;, marcariam para sempre, negativamente, a forma&#231;&#227;o da na&#231;&#227;o, a que n&#227;o se subtraiu o elitismo tamb&#233;m renitente de sua diplomacia.</p><p>Da luta contra Rosas &#224; guerra do Paraguai, a diplomacia se guiou pela a&#231;&#227;o de grandes estadistas, n&#227;o, por&#233;m, sem deixar alguns resqu&#237;cios de &#8220;expans&#227;o imperial&#8221; no registro dos vizinhos, o que dificultou a conclus&#227;o de negocia&#231;&#245;es fronteiri&#231;as que ainda careciam de um quadro negociador adequado para o fechamento de diversos pontos lim&#237;trofes. Por certo, essa tarefa n&#227;o era facilitada pelo esfor&#231;o da diplomacia brasileira no sentido de incluir nesses tratados cl&#225;usulas tendentes a comprometer os vizinhos com a devolu&#231;&#227;o a seus propriet&#225;rios os escravos fugidos do Brasil; caberia igualmente efetuar uma lista completa dessas pouco gloriosas tentativas de uma diplomacia submissa aos escravocratas de associar os vizinhos ao nefando regime que persistia no Brasil.</p><p>Pelo resto da monarquia, as elites governantes souberam moldar uma diplomacia relativamente eficiente, mesmo se exclusivamente a servi&#231;o das classes propriet&#225;rias e de seus interesses comerciais e pol&#237;ticos. Ainda que limitada &#224; defesa do caf&#233; e de alguns outros poucos produtos prim&#225;rios de exporta&#231;&#227;o, a pol&#237;tica externa do Segundo Reinado soube apaziguar os &#226;nimos dos vizinhos quanto &#224;s supostas pretens&#245;es hegem&#244;nicas da &#250;nica monarquia no hemisf&#233;rio (com exce&#231;&#227;o do curto e infeliz experimento colonial franc&#234;s no M&#233;xico) e desarmar quaisquer animosidades contra o pa&#237;s. N&#227;o que todos os diplomatas fossem exemplos de sapi&#234;ncia e bom senso diplom&#225;tico: Varnhagen, por exemplo, apreciado pelo imperador pelos seus trabalhos de historiografia cortes&#227;, entrou por diversas vezes em choque com a Secretaria de Estado em virtude de suas arrevesadas recomenda&#231;&#245;es de pol&#237;tica externa: n&#227;o apenas no relacionamento com os vizinhos do Prata, e mesmo do Pac&#237;fico (nas novas investidas espanholas contra as antigas col&#244;nias), mas sobretudo ao pretender que o Imp&#233;rio reconhecesse a Confedera&#231;&#227;o por ocasi&#227;o da guerra de secess&#227;o, ou o reino do imperador austr&#237;aco Maximilien, no M&#233;xico.</p><p>Quanto ao &#8220;resto&#8221; dos assuntos diplom&#225;ticos, cabe destaque &#224; emiss&#227;o de t&#237;tulos da d&#237;vida externa, pelos quais os diplomatas &#8211; em especial o Bar&#227;o de Penedo, o mais longevo em Londres, mesmo com a interrup&#231;&#227;o tempor&#225;ria da ruptura de rela&#231;&#245;es &#8211; recebiam gordas comiss&#245;es dos banqueiros ingleses; da mesma forma, a participa&#231;&#227;o de diplomatas nos <em>boards</em> constitu&#237;dos em conex&#227;o com as PPPs do Imp&#233;rio, as parcerias p&#250;blico-privadas organizadas com os investidores nos empreendimentos de infraestrutura (notadamente nas ferrovias), podia defender bem mais os interesses desses banqueiros do que os do governo brasileiro, muitas vezes enganado pela contabilidade suspeita das companhias, comprometendo os diplomatas com a &#8220;garantia de juros&#8221;, pagos em excesso aos espertos capitalistas.</p><p><strong>Continua na segunda parte:</strong></p><ol start="2"><li><p>Os fracassos da primeira diplomacia republicana</p></li></ol><h3>Sobre o autor</h3><p>Paulo Roberto de Almeida &#233; diplomata e professor universit&#225;rio.</p><h3>Como citar este artigo</h3><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Javier Vadell apresenta o artigo “The Chinese South-South development cooperation: an assessment of its structural transformation”]]></title><description><![CDATA[Javier Vadell, professor da Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica de Minas Gerais &#8211; PUC-Minas, apresenta o artigo &#8220;The Chinese South-South development cooperation: an assessment of its structural transformation&#8221;, escrito em co-autoria com Giuseppe Lo Brutto e Alexandre Cesar Cunha Leite, publicado na edi&#231;&#227;o especial &#8220;International Development Cooperation and Multipolarity&#8221;, n&#250;mero 2/2020 (Volume 63 &#8211; No.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/javier-vadell-apresenta-o-artigo-the-chinese-south-south-development-cooperation-an-assessment-of-its-structural-transformation</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/javier-vadell-apresenta-o-artigo-the-chinese-south-south-development-cooperation-an-assessment-of-its-structural-transformation</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 19 Oct 2020 11:00:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/zrNVx7UcEQk" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Javier Vadell, professor da Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica de Minas Gerais &#8211; PUC-Minas, apresenta o artigo &#8220;The Chinese South-South development cooperation: an assessment of its structural transformation&#8221;, escrito em co-autoria com Giuseppe Lo Brutto e Alexandre Cesar Cunha Leite, publicado na edi&#231;&#227;o especial &#8220;International Development Cooperation and Multipolarity&#8221;, n&#250;mero 2/2020 (Volume 63 &#8211; No. 1 &#8211; 2020) da Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI.</p><div class="captioned-image-container"><figure><div id="youtube2-zrNVx7UcEQk" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;zrNVx7UcEQk&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/zrNVx7UcEQk?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div></figure></div><p>Leia o artigo &#8211; <a href="https://bit.ly/31KfttN">https://bit.ly/31KfttN</a></p><p>No artigo &#233; analisada a coopera&#231;&#227;o chinesa com os pa&#237;ses em desenvolvimento, os seus prop&#243;sitos, formas e inten&#231;&#245;es, a fim de explorar as caracter&#237;sticas peculiares da pol&#237;tica de coopera&#231;&#227;o Sul-Sul implementada pela Chinas. No artigo se inquere se a coopera&#231;&#227;o realizada pela China com os pa&#237;ses do Sul Global se encaixa nos princ&#237;pios da coopera&#231;&#227;o Sul-Sul e se e como a China est&#225; modificando o regime de ajuda internacional.</p><p>A <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Frbpi&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHNaio7HcVF21jkkefnGwE_wJvO6Q">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a>&nbsp;&#233; um ve&#237;culo de periodicidade semestral, dedicado ao debate sobre rela&#231;&#245;es internacionais contempor&#226;neas, em m&#250;ltiplas perspectivas. A revista &#233; considerada uma das principais publica&#231;&#245;es especializadas em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Am&#233;rica Latina e uma das mais influentes do Sul Global. A revista &#233; veiculada exclusivamente on line na Cole&#231;&#227;o Scielo Brasil, adotando o modelo de publica&#231;&#227;o continuada.</p><h3>Como citar este v&#237;deo</h3><p>[cite}</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Monica Lessa apresenta o artigo “Limits and paradox of TeleSUR: the media as a political agent of regional (dis)integration”]]></title><description><![CDATA[M&#244;nica Lessa, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro &#8211; UERJ, apresenta o artigo &#8220;Limits and paradox of TeleSUR: the media as a political agent of regional (dis)integration&#8221;, escrito em co-autoria com Pablo Victor Fontes, publicado na edi&#231;&#227;o 1/2020 (Volume 63 &#8211; No.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/monica-lessa-apresenta-o-artigo-limits-and-paradox-of-telesur-the-media-as-a-political-agent-of-regional-disintegration</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/monica-lessa-apresenta-o-artigo-limits-and-paradox-of-telesur-the-media-as-a-political-agent-of-regional-disintegration</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Fri, 16 Oct 2020 11:00:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/jihwXmQWQII" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><div id="youtube2-jihwXmQWQII" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;jihwXmQWQII&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/jihwXmQWQII?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div></figure></div><p>M&#244;nica Lessa, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro &#8211; UERJ, apresenta o artigo &#8220;Limits and paradox of TeleSUR: the media as a political agent of regional (dis)integration&#8221;, escrito em co-autoria com Pablo Victor Fontes, publicado na edi&#231;&#227;o 1/2020 (Volume 63 &#8211; No. 1 &#8211; 2020) da Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI.</p><p>Leia o artigo &#8212; <a href="https://www.youtube.com/redirect?q=https%3A%2F%2Fbit.ly%2F3jup1jV&amp;redir_token=QUFFLUhqbUFyam80RElPWGdXSHRYM3MyS3VHbmc2NjFId3xBQ3Jtc0ttMkZPRzY0cENTejEzWGJLQjVpeTRtTFRjNEMtRXA0XzNFR1hxTkt4WXp6SDAzREs3dmxtUTM4Qi03Q1FGblkzaG9jbUVDRnNZanVWTjRxeTJ6ckVEeVZoejVNejlqMko1Z3FlVEkzejE2WmhfcEhjWQ%3D%3D&amp;v=jihwXmQWQII&amp;event=video_description">https://bit.ly/3jup1jV</a></p><p>No artigo s&#227;o analisados os limites e paradoxos do papel da TeleSUR no processo de integra&#231;&#227;o regional (des)integra&#231;&#227;o e constru&#231;&#227;o de identidade durante a era Ch&#225;vez. Os autores procuram responder como a TeleSUR promoveu a integra&#231;&#227;o regional, cultural e midi&#225;tica. Para demonstrar a influ&#234;ncia da diplomacia p&#250;blica e midi&#225;tica, o trabalho foi constru&#237;do a partir de estudos sobre regionalismo, m&#237;dia e cultura, bem como a an&#225;lise de conte&#250;do dos discursos.</p><p>A <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Frbpi&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHNaio7HcVF21jkkefnGwE_wJvO6Q">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a>&nbsp;&#233; um ve&#237;culo de periodicidade semestral, dedicado ao debate sobre rela&#231;&#245;es internacionais contempor&#226;neas, em m&#250;ltiplas perspectivas. A revista &#233; considerada uma das principais publica&#231;&#245;es especializadas em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Am&#233;rica Latina e uma das mais influentes do Sul Global. A revista &#233; veiculada exclusivamente on line na Cole&#231;&#227;o Scielo Brasil, adotando o modelo de publica&#231;&#227;o continuada.</p><h3>Como citar este v&#237;deo</h3><p>[cite}</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Gestão Integrada de Recursos Hídricos nos Países Amazônicos e os ODS, por Luciana Sarmento]]></title><description><![CDATA[Os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&#225;vel &#8211; ODS &#8211; foram adotados pelos Estados-Membros das Na&#231;&#245;es Unidas em 2015 como uma agenda universal de a&#231;&#245;es a serem realizadas at&#233; o ano de 2030 com o objetivo de erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas desfrutem de paz e de prosperidade.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/a-gestao-integrada-de-recursos-hidricos-nos-paises-amazonicos-e-os-ods-por-luciana-sarmento</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/a-gestao-integrada-de-recursos-hidricos-nos-paises-amazonicos-e-os-ods-por-luciana-sarmento</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 14 Oct 2020 11:00:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2e842f07-026b-4417-b0fd-bd2b722cb43e_300x250.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&#225;vel &#8211; ODS &#8211; foram adotados pelos Estados-Membros das Na&#231;&#245;es Unidas em 2015 como uma agenda universal de a&#231;&#245;es a serem realizadas at&#233; o ano de 2030 com o objetivo de erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas desfrutem de paz e de prosperidade. Os ODS se fundamentam na premissa de que o desenvolvimento requer o equil&#237;brio entre sustentabilidade social, econ&#244;mica e ambiental e para lograr isso foram tra&#231;adas 17 metas que s&#227;o integradas e, portanto, seus resultados s&#227;o em grande medida interdependentes.</p><p>O ODS 6 &#233; a meta relacionada &#224; &#225;gua que visa a garantia da disponibilidade e gest&#227;o sustent&#225;vel de recursos h&#237;dricos e tamb&#233;m saneamento para todos por meio de 8 metas cuja consecu&#231;&#227;o ser&#225; avaliada por meio de 11 indicadores. A meta 6.5 que objetiva ampliar mundialmente a Gest&#227;o Integrada de Recursos H&#237;dricos &#8211; GIRH &#8211; &#233; de particular interesse para a hidrodiplomacia uma vez que &#233; fundamental para o manejo de &#225;guas transfronteiri&#231;as.</p><p>Cada um dos 17 ODS depende, em maior ou menor grau, da disponibilidade de recursos h&#237;dricos em qualidade e quantidade, em particular, a coopera&#231;&#227;o transfronteiri&#231;a da &#225;gua pode ter um efeito positivo em quase todos os 17 ODS (Figura 1). H&#225; uma rela&#231;&#227;o clara entre o alvo dos ODS 6.5 que &#233; a amplia&#231;&#227;o da implementa&#231;&#227;o da Gest&#227;o Integrada de Recursos H&#237;dricos e do &#205;ndice de Desenvolvimento Humano. Em rela&#231;&#227;o aos recursos h&#237;dricos transfronteiri&#231;as os pa&#237;ses n&#227;o ser&#227;o capazes de alcan&#231;ar seus objetivos de desenvolvimento sustent&#225;vel isoladamente e por isso devem concordar com acordos formais que lhes permitam faz&#234;-lo. &#201; evidente que os pa&#237;ses podem colher os benef&#237;cios da coopera&#231;&#227;o transfronteiri&#231;a da &#225;gua para seus amplos esfor&#231;os de desenvolvimento sustent&#225;vel. E isso pode beneficiar uma s&#233;rie de metas de ODS de uma forma muito mais econ&#244;mica do que qualquer um dos pa&#237;ses pode alcan&#231;ar unilateralmente.</p><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png" width="543" height="452" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:452,&quot;width&quot;:543,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!46kb!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34830abb-3f11-4509-9802-bbe1e1e1bd25_300x250.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><p>Figura 1: Integra&#231;&#227;o da Meta 6.5 (implementa&#231;&#227;o da GIRH em bacias transfronteiri&#231;as) com as demais Metas ODS</p><p>A mensura&#231;&#227;o do atingimento dessa meta de ODS 6.5 se d&#225; por meio do indicador 6.5.1 dos ODS que mede o grau de implementa&#231;&#227;o da GIRH e do indicador 6.5.2 dos ODS que mede a propor&#231;&#227;o de &#225;rea de bacia transfronteiri&#231;a, incluindo rios, lagos e aqu&#237;feros dentro do pa&#237;s com um arranjo operacional em vigor para coopera&#231;&#227;o h&#237;drica. Ambos os indicadores tem valores numa escala entre 0 e 100.</p><p>O indicador 6.5.1 &#233; uma autoavalia&#231;&#227;o qualitativa do status da implementa&#231;&#227;o da GIRH nos pa&#237;ses que compartilham recursos h&#237;dricos e, no que tange especificamente &#224; medi&#231;&#227;o do progresso da gest&#227;o integrada das &#225;guas transfronteiri&#231;as, o indicador citado considera a exist&#234;ncia de arranjos e de estrutura organizacional, o grau de compartilhamento de dados e informa&#231;&#245;es e o financiamento para a coopera&#231;&#227;o na bacia.</p><p>Segundo a pesquisa publicada pela ONU em 2018 que avaliou pela primeira vez o progresso dos ODS no contexto mundial pela primeira vez, um ter&#231;o dos pa&#237;ses com bacias transfronteiri&#231;as (132 no total afirmaram possuir &#225;guas compartilhadas com outros pa&#237;ses) disseram ter implementado a maioria dos arranjos para coopera&#231;&#227;o tais como tratados, conven&#231;&#245;es ou acordos; 37% dos pa&#237;ses afirmaram que possuem a maior parte ou plenamente a estrutura organizacional para gest&#227;o; apenas 20% relatam dados e compartilhamento de informa&#231;&#245;es eficazes e um somente ter&#231;o dos pa&#237;ses relatam fornecer mais de 50% dos fundos de financiamento acordados (UN WATER, 2018-a).</p><p>Em rela&#231;&#227;o ao pa&#237;ses que fazem parte da bacia hidrogr&#225;fica amaz&#244;nica que se estende &#224; Bol&#237;via, Brasil, Col&#244;mbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, exceto o &#250;ltimo que n&#227;o proveu informa&#231;&#245;es, todos os outros pa&#237;ses disseram ter, em alguma medida, arranjos e estruturas organizacionais em vigor para a implementa&#231;&#227;o da GIRH. Na avalia&#231;&#227;o final do grau de implementa&#231;&#227;o da GIRH em bacias transfronteiri&#231;as nos pa&#237;ses amaz&#244;nicos somente a Bol&#237;via atingiu o n&#237;vel m&#233;dio alto (pontua&#231;&#227;o de 51-70), enquanto os demais se situam numa escala inferior a 50 pontos (Quadro 1).</p><p>Quadro 1: situa&#231;&#227;o do indicador 6.5.1 do ODS 6.5 nos pa&#237;ses Amaz&#244;nicos</p><p>Pa&#237;s Amaz&#244;nico Grau de implementa&#231;&#227;o da GIRH nas bacias transfronteiri&#231;as (m&#233;trica 0-100) Bol&#237;via M&#233;dio Alto (51-70) Brasil M&#233;dio Baixo (31-50) Equador Baixo (11-30) Col&#244;mbia M&#233;dio Baixo (31-50) Guiana Baixo (11-30) Peru Baixo (11-30) Suriname Muito Baixo (0-10) Venezuela Sem dados</p><p>Fonte: UN WATER (2018 -a)</p><p>O indicador 6.5.2 que mensura a exist&#234;ncia de arranjo operacional vigente para a coopera&#231;&#227;o h&#237;drica verifica o atendimento de quatro crit&#233;rios:</p><p>&#8211; Que exista un &#243;rg&#227;o conjunto, um mecanismo conjunto ou uma comiss&#227;o&nbsp;para a coopera&#231;&#227;o transfronteiri&#231;a.</p><p>&#8211; Que os pa&#237;ses ribeirinhos mantenham comunica&#231;&#245;es formais regulares (pelo menos uma vez por ano) na forma de reuni&#245;es (pol&#237;tica ou t&#233;cnica).</p><p>&#8211; Que existam planos de gest&#227;o conjunta ou coordenada de recursos h&#237;dricos ou que tenham sido estabelecidos objetivos conjuntos.</p><p>&#8211; Que realizem interc&#226;mbio peri&#243;dico de dados e informa&#231;&#227;o&nbsp;(ao menos uma vez ao ano)</p><p>O resultado do primeiro relat&#243;rio de ODS para o indicador 6.5.2 indica o percentual m&#233;dio nacional de bacia transfronteiri&#231;a coberta por arranjo operacional de 59% para um conjunto de 62 pa&#237;ses do universo de 153 pa&#237;ses que compartilham &#225;guas transfronteiri&#231;as (UN WATER, 2018 &#8211; b).</p><p>No que se refere ao pa&#237;ses da bacia amaz&#244;nica, ainda que a aferi&#231;&#227;o do indicador tenha sido prejudicada pois tr&#234;s dos oito pa&#237;ses (Bol&#237;via, Guiana e Venezuela) n&#227;o forneceram informa&#231;&#245;es, &#233; poss&#237;vel verificar uma grande assimetria nos resultados tendo o Brasil e o Equador atingido patamares bastante altos, respectivamente 98,2% e 100% , enquanto que a Col&#244;mbia e a Venezuela est&#227;o no extremo inferior da escala de alcance do objetivo com valores inferiores a 10%.</p><p>Quadro 2: situa&#231;&#227;o do indicador 6.5.2 do ODS 6.5 nos pa&#237;ses Amaz&#244;nicos</p><p>Pa&#237;s Amaz&#244;nico Grau de coopera&#231;&#227;o em mat&#233;ria de bacias fluviais e lagos transfronteiri&#231;os (%) Bol&#237;via &#8211; Brasil 98,2 Equador 100 Col&#244;mbia 1,1 Guiana &#8211; Peru 14,1 Suriname &#8211; Venezuela 7,0</p><p>Fonte: UN WATER (2018 -b)</p><p>No que se refere a arranjos, estrutura organizacional e exist&#234;ncia de um &#243;rg&#227;o conjunto tratados nos indicadores de atingimento da meta ODS 6.5, a bacia tranfronteiri&#231;a amaz&#244;nica tem condi&#231;&#245;es favor&#225;veis por conta do Tratado de Coopera&#231;&#227;o Amaz&#244;nica &#8211; TCA&#8211; e da Organiza&#231;&#227;o do Tratado de Coopera&#231;&#227;o Amaz&#244;nica &#8211; OTCA &#8211; que figuram como elementos definidores e facilitadores ao atendimento desse indicador.</p><p>O desafio maior reside no alcance de mecanismos de troca de dados e informa&#231;&#245;es e na amplia&#231;&#227;o das fontes de financiamento itens tamb&#233;m quantificados para a avalia&#231;&#227;o do grau de implementa&#231;&#227;o da GIRH em bacias transfronteiri&#231;as.</p><p>Tanto o indicador 6.5.1 que avalia o <em>status</em> da implementa&#231;&#227;o da GIRH, quanto os crit&#233;rios de operacionalidade do indicador ODS 6.5.2, incluem saber se os pa&#237;ses da bacia trocam dados e informa&#231;&#245;es pelo menos uma vez por ano. A troca de dados e informa&#231;&#245;es sobre &#225;guas transfronteiri&#231;as &#233; fundamental para a coopera&#231;&#227;o, decis&#245;es e gest&#227;o conjuntas. Isso &#233; tamb&#233;m considerado em marcos internacionais. Os artigos 6&#186; e 13&#186; da Conven&#231;&#227;o das &#193;guas e o artigo 9&#186; da Conven&#231;&#227;o dos Cursos D&#8217;&#193;gua incluem uma obriga&#231;&#227;o firme dos pa&#237;ses de trocar tais dados e informa&#231;&#245;es sobre as condi&#231;&#245;es de um determinado sistema transfronteiri&#231;o de rios ou lagos. Al&#233;m disso, sob os dois instrumentos, os pa&#237;ses s&#227;o obrigados a aplicar seus melhores esfor&#231;os para responder a pedidos de dados e informa&#231;&#245;es que n&#227;o est&#227;o prontamente dispon&#237;veis.</p><p>Dentre os benef&#237;cios da troca de dados e informa&#231;&#245;es para a gest&#227;o de bacias transfronteiri&#231;as est&#227;o a compreens&#227;o das principais press&#245;es relativas a um determinado sistema de &#225;gua transfronteiri&#231;a; uma melhor aprecia&#231;&#227;o das quest&#245;es e problemas enfrentados por outros pa&#237;ses da bacia; o aprimoramento de sistemas de alerta e alarme precoce; uma melhor compreens&#227;o das lacunas de dados; a harmoniza&#231;&#227;o de metodologias e padr&#245;es para coleta de dados e, sobretudo, o planejamento mais eficaz de gest&#227;o de bacias hidrogr&#225;ficas tranfronteiri&#231;as.</p><p>A despeito da exist&#234;ncia de condi&#231;&#245;es institucionais favor&#225;veis na bacia amaz&#244;nica, ainda h&#225; uma assimetria consider&#225;vel entre os pa&#237;ses envolvidos que prejudica o alcance satisfat&#243;rio da GIRH em &#225;guas transfronteiri&#231;as. A supera&#231;&#227;o desses limitantes, principalmente em rela&#231;&#227;o a produ&#231;&#227;o e troca de dados confi&#225;veis que possam subsidiar as diversas atividades de planejamento, &#233; um dos desafios que temos para lograr at&#233; 2030 avan&#231;os na implementa&#231;&#227;o da GIRH na bacia amaz&#244;nica.</p><h3><strong>Bibliografia Consultada</strong></h3><p>UN WATER. 2018 (a). <em>Progress on Integrated Water Resources Management: Global Baseline for SDG 6 Indicator 6.5.1</em>: Degree of IRWM Implementation; UN WATER: Geneva, Switzerland. p. 69. Dispon&#237;vel em <a href="https://www.unwater.org/publications/%20progress-on-integrated-water-resources-management-651/">https://www.unwater.org/publications/ progress-on-integrated-water-resources-management-651/</a>. Acesso em outubro de 2020.</p><p>UN WATER. 2018 (b).&nbsp;<em>Progress on Transboundary Water Cooperation: Global Baseline for SDG indicator 6.5.2</em>.&nbsp;UN WATER: Geneva, Switzerland; p. 80. Dispon&#237;vel em <a href="https://www.unwater.org/publications/progress-on-transboundary-water-cooperation-652/">https://www.unwater.org/publications/progress-on-transboundary-water-cooperation-652/</a>. Acesso em outubro de 2020.</p><h3>Sobre a autora</h3><p>Luciana Sarmento &#233; Doutora em Tecnologia Ambiental e Recursos H&#237;dricos pela Universidade de Bras&#237;lia</p><h3>Como citar este artigo</h3><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Luísa Mateo apresenta o artigo “The changing nature and architecture of U.S. democracy assistance”]]></title><description><![CDATA[Lu&#237;sa Mateo, pesquisadora da Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica de S&#227;o Paulo &#8211; PUC-SP, apresenta o artigo &#8220;The changing nature and architecture of U.S.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/luisa-mateo-apresenta-o-artigo-the-changing-nature-and-architecture-of-u-s-democracy-assistance</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/luisa-mateo-apresenta-o-artigo-the-changing-nature-and-architecture-of-u-s-democracy-assistance</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Tue, 13 Oct 2020 11:00:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/rzVNlYlNvRw" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Lu&#237;sa Mateo, pesquisadora da Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica de S&#227;o Paulo &#8211; PUC-SP, apresenta o artigo &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-73292020000100209&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en">The changing nature and architecture of U.S. democracy assistance</a>&#8220;, publicado no n&#250;mero 1/2020 (Volume 63 &#8211; No. 1 &#8211; 2020) da Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI.</p><div class="captioned-image-container"><figure><div id="youtube2-rzVNlYlNvRw" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;rzVNlYlNvRw&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/rzVNlYlNvRw?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div></figure></div><p>Leia o artigo &#8212; <a href="https://bit.ly/2R5f8xd">https://bit.ly/2R5f8xd</a></p><p>A assist&#234;ncia &#224; democracia &#233; uma importante ferramenta da pol&#237;tica externa dos Estados Unidos, servindo interesses estrat&#233;gicos em associa&#231;&#227;o com v&#225;rias agendas, desde os direitos humanos at&#233; a seguran&#231;a nacional. O objetivo do artigo &#233; fazer uma reconstru&#231;&#227;o hist&#243;rica das defini&#231;&#245;es e pr&#225;ticas da assist&#234;ncia &#224; democracia americana, descrevendo sua arquitetura institucional, n&#237;veis or&#231;ament&#225;rios e prioridades pol&#237;ticas. Aten&#231;&#227;o especial &#233; dada &#224; l&#243;gica da ajuda externa dos EUA e &#224;s tend&#234;ncias contempor&#226;neas, retomando os &#250;ltimos trinta anos de crescimento da assist&#234;ncia &#224; democracia desde o fim da Guerra Fria.</p><p>A <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Frbpi&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHNaio7HcVF21jkkefnGwE_wJvO6Q">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a>&nbsp;&#233; um ve&#237;culo de periodicidade semestral, dedicado ao debate sobre rela&#231;&#245;es internacionais contempor&#226;neas, em m&#250;ltiplas perspectivas. A revista &#233; considerada uma das principais publica&#231;&#245;es especializadas em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Am&#233;rica Latina e uma das mais influentes do Sul Global. A revista &#233; veiculada exclusivamente on line na Cole&#231;&#227;o Scielo Brasil, adotando o modelo de publica&#231;&#227;o continuada.</p><h2>Como citar este v&#237;deo</h2><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Alvaro Costa Silva apresenta o artigo “Diverse images, reverse strategies: Brazilian foreign ministers’ perceptions and the Brazil-Argentina rapprochement (1974–1985)”]]></title><description><![CDATA[Alvaro Costa Silva, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apresenta o artigo &#8220;Diverse images, reverse strategies: Brazilian foreign ministers&#8217; perceptions and the Brazil-Argentina rapprochement (1974&#8211;1985)&#8220;, publicado no n&#250;mero 1/2020 (]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/alvaro-costa-silva-apresenta-o-artigo-diverse-images-reverse-strategies-brazilian-foreign-ministers-perceptions-and-the-brazil-argentina-rapprochement-1974-1985</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/alvaro-costa-silva-apresenta-o-artigo-diverse-images-reverse-strategies-brazilian-foreign-ministers-perceptions-and-the-brazil-argentina-rapprochement-1974-1985</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Fri, 09 Oct 2020 17:56:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/-k8pwJpODGI" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Alvaro Costa Silva, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apresenta o artigo &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-73292020000100205&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en">Diverse images, reverse strategies: Brazilian foreign ministers&#8217; perceptions and the Brazil-Argentina rapprochement (1974&#8211;1985)</a>&#8220;, publicado no n&#250;mero 1/2020 (<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0034-732920200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso">Volume 63 &#8211; No. 1 &#8211; 2020</a>) da Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI.</p><div class="captioned-image-container"><figure><div id="youtube2--k8pwJpODGI" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;-k8pwJpODGI&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/-k8pwJpODGI?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div></figure></div><p>Leia o artigo &#8211; <a href="https://bit.ly/3m2ti07">https://bit.ly/3m2ti07</a></p><p>Ap&#243;s um per&#237;odo de rivalidade e coopera&#231;&#227;o, a rela&#231;&#227;o Brasil-Argentina experimentou uma not&#225;vel melhora entre os governos de Ernesto Geisel (1974-1979) e Jo&#227;o Figueiredo (1979-1985). No artigo &#233; analisado um dos aspectos que causou essa melhora: o impacto das imagens e percep&#231;&#245;es da Argentina realizadas pelos ministros brasileiros das Rela&#231;&#245;es Exteriores Ant&#244;nio Azeredo da Silveira e Ramiro Saraiva Guerreiro.</p><p>A <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Frbpi&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHNaio7HcVF21jkkefnGwE_wJvO6Q">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a>&nbsp;&#233; um ve&#237;culo de periodicidade semestral, dedicado ao debate sobre rela&#231;&#245;es internacionais contempor&#226;neas, em m&#250;ltiplas perspectivas. A revista &#233; considerada uma das principais publica&#231;&#245;es especializadas em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Am&#233;rica Latina e uma das mais influentes do Sul Global. A revista &#233; veiculada exclusivamente on line na Cole&#231;&#227;o Scielo Brasil, adotando o modelo de publica&#231;&#227;o continuada.</p><p>Como citar este v&#237;deo</p><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Azerbaijão – Armênia : da pacífica esquina do mundo a cruzamento de trânsito perigoso, por Paulo Antônio Pereira Pinto]]></title><description><![CDATA[Em artigo anterior &#8211; https://mundoramanet.wordpress.com/?p=27590 &#8211; referi-me &#224; antiga disputa entre o Azerbaij&#227;o e a Arm&#234;nia, como &#8220;conflito congelado&#8221;.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/azerbaijao-armenia-da-pacifica-esquina-do-mundo-a-cruzamento-de-transito-perigoso-por-paulo-antonio-pereira-pinto</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/azerbaijao-armenia-da-pacifica-esquina-do-mundo-a-cruzamento-de-transito-perigoso-por-paulo-antonio-pereira-pinto</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Tue, 06 Oct 2020 17:53:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Em artigo anterior &#8211; <strong><a href="https://mundoramanet.wordpress.com/?p=27590">https://mundoramanet.wordpress.com/?p=27590</a></strong> <strong>&nbsp;</strong>&nbsp;&#8211; referi-me &#224; antiga disputa &nbsp;entre o Azerbaij&#227;o e a Arm&#234;nia, como &#8220;conflito congelado&#8221;. Identifiquei a exist&#234;ncia de um quadro de &#8220;mentes congeladas&#8221;, ao redor do C&#225;ucaso, em virtude da press&#227;o exercida pelo culto persistente de um passado hist&#243;rico, real ou imagin&#225;rio, que busca refor&#231;ar disc&#243;rdias entre os habitantes daquela parte do mundo, sem que haja vis&#227;o prospectiva favor&#225;vel sobre como ser&#227;o resolvidas.</p><p>Em disputa, entre os dois pa&#237;ses, encontra-se o territ&#243;rio de Nagorno-Karabakh (NK), que, com o fim do Imp&#233;rio Sovi&#233;tico, em 1991, passou a ser noticiada como um &#8220;conflito entre povos ex&#243;ticos e intrat&#225;veis&#8221;. As popula&#231;&#245;es locais, no entanto, querem livrar-se da opress&#227;o da persistente invoca&#231;&#227;o, pelas classes dirigentes, de passado cheio de massacres &#8211; ocorridos ou n&#227;o &#8211; sem refer&#234;ncia a projetos de paz futura. Conforme se procurou expor no artigo anterior, este contexto favorece, apenas, aos que desejam perpetuar estruturas herdadas do per&#237;odo sovi&#233;tico, em benef&#237;cio de interesses pr&#243;prios.</p><p>Recordo, a prop&#243;sito, passado rico de tradi&#231;&#245;es, que descrevem aquela regi&#227;o como uma pac&#237;fica &#8220;esquina do mundo&#8221;, ao inv&#233;s de um atual &#8220;cruzamento de tr&#226;nsito perigoso&#8221;. Entre as narrativas melhor conhecidas lembram-se:&nbsp; as epopeias narradas por Dede Korkut na Rota das Sedas; o romance entre Ali e Nina; e o filme<em> Repentance</em>, sobre &#8220;assombra&#231;&#245;es sovi&#233;ticas no sul do C&#225;ucaso&#8221;.</p><p>O Sul da Cordilheira do C&#225;ucaso, onde se situam o Azerbaij&#227;o e a Arm&#234;nia, era mais bem conhecido, na Antiguidade Greco-Romana e no auge da Rota das Sedas, do que no mundo atual. Segundo a mitologia grega, foi no alto daquelas montanhas que Zeus mandou acorrentar Prometeu, para que seu f&#237;gado fosse comido por abutres, como puni&#231;&#227;o por ter entregue o fogo prometido aos humanos.</p><p>At&#233; hoje , perto de Baku &#8211; onde fui o primeiro Embaixador residente &#8211; h&#225; uma chama eterna que brota do ch&#227;o que seria aquela fogueira inicial. Ao escurecer, adquire um tom azulado. &#201; um prazer observar o fen&#244;meno, entendido pela &#243;bvia presen&#231;a de g&#225;s subterr&#226;neo, sorvendo ch&#225; com iguarias locais. Imagine-se, no entanto, a perplexidade de povos antigos, diante daquele fogar&#233;u todo, sem explica&#231;&#227;o atrav&#233;s dos s&#233;culos, favorecendo o surgimento de cren&#231;as e credos como os seguidores de Zaratustra, que adoram o fogo.</p><p><strong>A esquina de Dede Korkut na Rota das Sedas</strong></p><p><strong>&nbsp;</strong>Consta que, no in&#237;cio do S&#233;culo XIV, o anci&#227;o Dede Korkut ficava, em &#225;rea hoje ocupada pelo Azerbaij&#227;o, na esquina da Rota das Sedas, e &#8220;narrando, espalhava por toda a parte&#8221; a epopeia deste povo t&#227;o antigo.&nbsp; A quest&#227;o n&#227;o tem apenas o interesse liter&#225;rio sobre a principal narrativa oral dos &#8220;povos turcos&#8221; &#8211; entre eles os azeris, que reverenciam sua imagem. Isto porque, o Azerbaij&#227;o, como outros &nbsp;estados que se emanciparam da Uni&#227;o Sovi&#233;tica, a partir da d&#233;cada de 1990, enfrentam, entre outros, os problemas do estabelecimento de identidades nacionais vi&#225;veis e da reconstru&#231;&#227;o de suas institui&#231;&#245;es culturais e educacionais.</p><p>O Azerbaij&#227;o &#233; palco de hist&#243;ria rica e antiga e, da mesma forma que seus vizinhos no C&#225;ucaso, tem sido cen&#225;rio de batalhas h&#225; mais de um mil&#234;nio. H&#225; evid&#234;ncia de ocupa&#231;&#227;o humana em seu territ&#243;rio, desde a Idade da Pedra. Localizada na converg&#234;ncia de diferentes civiliza&#231;&#245;es, a regi&#227;o foi invadida e disputada por grandes imp&#233;rios e personagens famosos, como Alexandre o Grande, o General Romano Pompeu, o conquistador mongol Genghis Khan, e o Tzar Pedro o Grande.</p><p>Cartograficamente, o Azerbaij&#227;o estende-se do Noroeste do Ir&#227;, ao Mar C&#225;spio, a Leste. Faz fronteira, a Oeste, com a Arm&#234;nia e Turquia. Ao Norte, situam-se a Ge&#243;rgia e a R&#250;ssia. A na&#231;&#227;o azeri encontra-se, hoje, dividida em duas partes. A que ocupa o territ&#243;rio do pa&#237;s hoje independente, a partir de 1991. E ao Sul, a que habita na parte meridional iraniana. Esta divis&#227;o ocorreu em 1828, a partir de tratado entre a P&#233;rsia e a R&#250;ssia.</p><p>Apenas cerca de oito milh&#245;es dos nacionais azeris vivem no Azerbaij&#227;o. Entre 20 e 30 milh&#245;es habitam, ao Sul, no Ir&#227;. Estima-se, ainda, que quase dois milh&#245;es se encontrem na Turquia e n&#250;mero id&#234;ntico na R&#250;ssia. Grupos significativos residem na Ge&#243;rgia, Iraque e Ucr&#226;nia. H&#225; vers&#245;es distintas sobre a origem &#233;tnica desta popula&#231;&#227;o, cuja l&#237;ngua &#233; conhecida como azeri e, hoje, segue, majoritariamente o Isl&#227; Xiita. Da&#237;, ser importante encontrar algo que defina a identidade cultural azeri. Este esfor&#231;o leva, inevitavelmente, ao estudo do personagem Dede Korkut.</p><p>Trata-se da figura maior da hist&#243;ria &#233;pica dos oguzes, que formaram um dos principais ramos dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_turcos">povos t&#250;rquicos</a>, entre os s&#233;culos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_VIII">VIII</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XI">XI</a>, e s&#227;o considerados ancestrais dos turcos modernos. Estes incluem, entre outros: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Azeris">azeris</a>, turcos da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Turquia">Turquia</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Turquemenist%C3%A3o">turcomenos</a>, turcos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Qashqai">qashqais</a> do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ir%C3%A3">Ir&#227;</a>, turcos do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Khorassan">Khorassan</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gaga%C3%BAzes">gaga&#250;zes</a>, que, em conjunto, representam mais de 100 milh&#245;es de pessoas.</p><p>As narrativas m&#237;sticas fazem parte da heran&#231;a cultural dos &#8220;Estados turcos&#8221;, que incluem, hoje, a Turquia, o Azerbaij&#227;o e o Turcomenist&#227;o, e, em menor grau, o Cazaquist&#227;o e o Kyrgyst&#227;o. Para os povos que se consideram turcos, especialmente os que se identificam como oguzes, o livro Dede Korkut &#233; o principal registro de sua identidade &#233;tnica, hist&#243;ria, costumes e de seus sistemas de valores, atrav&#233;s da Hist&#243;ria.</p><p>Nos contos, lugares, batalhas, armas, intrigas, cavalos, pal&#225;cios, fontes e jardins saltam &#224; imagina&#231;&#227;o. O leitor, ent&#227;o, passa a sonhar como se estivesse assistindo a um filme. Trata-se, como j&#225; foi dito, de uma pel&#237;cula &#233;pica, a definir a consci&#234;ncia coletiva de um povo. Segundo especialistas no assunto, Dede Korkut teria, para o mundo turco e, nesse contexto, para a nacionalidade azeri, o mesmo papel de defini&#231;&#227;o de uma identidade unificadora, que, no Ocidente teriam tido epopeias como a Il&#237;ada e a Odisseia.</p><p>V&#225;rias datas s&#227;o sugeridas para o desenrolar das narrativas de Dede Korkut. A maioria dos estudiosos concordaria que o per&#237;odo mais prov&#225;vel seria o do s&#233;culo XV, na medida em que as tradi&#231;&#245;es mencionadas registrariam conflitos entre os oguzes e seus rivais turcos na &#193;sia Central. Outros autores, no entanto, situam os acontecimentos como ocorridos ainda nos s&#233;culo VIII. A grande dificuldade para o estabelecimento mais preciso das datas deve-se ao fato de que os povos em quest&#227;o eram n&#244;mades, sem deixarem registros por escrito, prevalecendo as narrativas orais.</p><p>Os contos &#233;picos de Dede Korkut encontram-se entre os melhores, registrados oralmente, na l&#237;ngua turca. Para especialistas, n&#227;o h&#225; d&#250;vida de que os fatos ocorridos teriam acontecido no territ&#243;rio, hoje ocupado pelo Azerbaij&#227;o. Na esquina da Rota das Sedas, conforme j&#225; foi dito, por ser Baku, ent&#227;o, centro comercial da maior import&#226;ncia, no interc&#226;mbio de bens e converg&#234;ncia de culturas, entre a Europa e a &#193;sia Central.</p><p>Tratam de lutas pela liberdade em &#233;poca durante a qual os oguzes eram um povo pastoril, em fase de transi&#231;&#227;o para o conceito de uma etnia turca mais ampla. Ocorria, mais uma vez, de um ponto de inflex&#227;o &#8211; de outra fronteira, no tempo &#8211; enquanto o Isl&#227; come&#231;ava a predominar na regi&#227;o, coincidindo com a ado&#231;&#227;o de um estilo de vida mais sedent&#225;rio, possivelmente no s&#233;culo XIV.</p><p>Hoje publicado em diferentes idiomas, o Dede Korkut registra, como j&#225; mencionado, narrativas orais, ora com escritos em prosa, ora em versos. Conclui-se, hoje, que a epopeia &#233; composta por dezesseis hist&#243;rias. As doze principais compreendem per&#237;odo posterior &#224; ado&#231;&#227;o do Isl&#227;, pelos turcos. Os her&#243;is, portanto, s&#227;o retratados como &#8220;bons mu&#231;ulmanos&#8221;, enquanto h&#225; refer&#234;ncias aos infi&#233;is, como vil&#245;es. Mas h&#225; refer&#234;ncias, tamb&#233;m a mitologia prevalecente no per&#237;odo anterior &#224; introdu&#231;&#227;o do Isl&#227;.</p><p>O personagem Dede Korkut &#233; entendido como o &#8220;Vov&#244; Korkut&#8221;, uma mistura de curandeiro, profeta e narrador de est&#243;rias. &#201; desenhado como um respeit&#225;vel idoso, de cabelos e barbas brancos. O d&#233;cimo segundo cap&#237;tulo faz a compila&#231;&#227;o de dizeres atribu&#237;dos a ele. Representa, portanto, um l&#237;der mais velho &#8211; conselheiro ou s&#225;bio &#8211; resolvendo as dificuldades com as quais se confrontam os membros da tribo.</p><p><strong>O Romance de Ali e Nina</strong></p><p><strong>&nbsp;</strong>Ao deixar de lado an&#225;lises apenas pol&#237;ticas e econ&#244;micas da regi&#227;o, &#233; curioso registrar &nbsp;converg&#234;ncias regionais, como as dispon&#237;veis no romance Ali e Nino. Editado pela primeira vez, em 1937, em Viena, sua autoria est&#225; envolta em mist&#233;rio, especula&#231;&#227;o e controv&#233;rsia, subsistindo d&#250;vidas quanto a ser obra de um s&#243; autor, Essad Bey sob o pseud&#244;nimo Kuban Said (Ali e Nino, por Kuban Said, editado no Brasil em 2000, pela Nova Fronteira).</p><p>Enquanto hist&#243;ria de amor pode ser comparada &#224;s maiores de todos os tempos &#8211; Romeu e Julieta. Mas o livro n&#227;o se reduz a uma hist&#243;ria de amor e merece ser lido como um poema &#233;pico, escrito em prosa. &#192; primeira impress&#227;o, a narrativa evocaria rela&#231;&#227;o de conflito/acomoda&#231;&#227;o entre Oriente e Ocidente, crist&#227;os e mu&#231;ulmanos, modernidade e tradi&#231;&#227;o, o masculino e o feminino. O cen&#225;rio &#233; a capital do Azerbaij&#227;o, Baku, cidade multi&#233;tnica em v&#233;spera da Primeira Guerra Mundial.</p><p>Ali Khan Shivanshir &#233; um jovem mu&#231;ulmano xiita, de uma fam&#237;lia azeri aristocrata, que se apaixona por Nino Kipiani, uma adolescente natural da Ge&#243;rgia, pa&#237;s vizinho, de forma&#231;&#227;o crist&#227;, que pratica valores europeus. O amor que dedicam um ao outro ser&#225; dramaticamente amea&#231;ado pelo espectro da guerra e pelo inevit&#225;vel abismo cultural e religioso que os separa.</p><p>O grande amor entre Ali e Nino &#233; o enredo principal do livro, cujo texto, no entanto, transcende o escopo de um romance. Lida em perspectiva mais ampla e sem recorrer a estere&#243;tipos, a hist&#243;ria conduz o leitor a uma visita fascinante ao C&#225;ucaso, com suas paix&#245;es, guerras e revolu&#231;&#245;es, honra e desgra&#231;a, montanhas, desertos e cidades como Baku. &#201; importante, contudo, ler a obra fora do contexto das oposi&#231;&#245;es entre Ocidente e Oriente. O amor entre os dois personagens &#233; um tema universal, na medida em que cada um busca definir sua identidade em momento hist&#243;rico de turbul&#234;ncia no cen&#225;rio t&#237;pico do C&#225;ucaso. Apenas superficialmente, o livro &#233; sobre a Europa e a &#193;sia, tampouco &#233; sobre as diferen&#231;as entre o Isl&#227; e o Cristianismo.</p><p>N&#227;o &#233; f&#225;cil definir um lugar, como Baku, onde diferentes culturas t&#234;m procurado interagir h&#225; s&#233;culos. A uni&#227;o entre Ali e Nino n&#227;o replica processo semelhante, entre a Europa e a &#193;sia, mas representa a fus&#227;o entre duas culturas distintas, que, ao mesmo tempo, se relacionam, no C&#225;ucaso. O livro, ademais, descreve o nascimento de um novo Azerbaij&#227;o, durante mais um per&#237;odo turbulento de sua hist&#243;ria, com a narra&#231;&#227;o da luta entre v&#225;rios imp&#233;rios &#8211; russo, persa, turco e brit&#226;nico &#8211; pelo Sul do C&#225;ucaso.</p><p>Cabe ressaltar, a prop&#243;sito, a tens&#227;o descrita no livro, entre os amigos do personagem Ali que, inicialmente, se dispuseram a lutar, na Primeira Guerra Mundial, em favor do Tzar russo, conforme haviam feito seus pais e av&#244;s. Quando a Turquia entra no conflito, contra a R&#250;ssia, cria-se enorme perplexidade entre tais indiv&#237;duos, que se consideram parte dos &#8220;povos turcos&#8221;. A crise de lealdades se agrava, quando a escolha tem que ser feita, entre combater ao lado de russos, contra os irm&#227;os turcos ou lutar em defesa do califa da Turquia, que era mu&#231;ulmano sunita, enquanto os azeris s&#227;o seguidores do Isl&#227; xiita. O contexto pol&#237;tico agravou-se quando o ex&#233;rcito turco, visto pelos azeris como &#8220;libertadores&#8221;, retira-se de Baku e l&#225; &#233; substitu&#237;do por tropas brit&#226;nicas, como resultado de acordo assinado entre as capitais daqueles dois pa&#237;ses.</p><p>Verifica-se, assim, que o romance Ali e Nino &#233; fonte rica em jogadas geopol&#237;ticas, durante o s&#233;culo passado. O livro &#233; tamb&#233;m um atestado de afirma&#231;&#227;o da nacionalidade azeri. Isto fica evidente no di&#225;logo final, entre Ali e seu pai, quando este decide partir do Azerbaij&#227;o, para o Ir&#227;, diante da amea&#231;a de invas&#227;o russa, em defesa de cujo Imp&#233;rio ele &#8211; o pai &#8211; havia lutado. Na ocasi&#227;o, o personagem mais velho aconselha seu filho &#8220;jovem e corajoso, a ficar e lutar em defesa do novo Azerbaij&#227;o, que necessita de seu patriotismo&#8221;.</p><p>Ali permanece em Baku e morre lutando em defesa de seu novo pa&#237;s, diante de mais uma investida do poderoso vizinho russo ao Norte. O livro poderia, ent&#227;o, transmitir a conclus&#227;o geopol&#237;tica de que a hist&#243;ria da regi&#227;o ensina que a conviv&#234;ncia local entre diferentes culturas &#8211; da mesma forma que o amor entre o Ali mu&#231;ulmano e a Nino crist&#227; &#8211; n&#227;o foi poss&#237;vel por incompatibilidades locais insol&#250;veis. A amea&#231;a &#224; estabilidade ao Sul do C&#225;ucaso tem chegado, principalmente, do exterior.</p><p>Profeticamente &#8211; talvez tivesse previsto Zaratustra &#8211; o perigo para o Azerbaij&#227;o veio, no romance em quest&#227;o, e continua vindo, da fronteira ao Norte.</p><p><strong>Assombra&#231;&#245;es sovi&#233;ticas no sul do C&#225;ucaso</strong></p><p><strong>&nbsp;</strong>Uma das obras mais significativas do final do per&#237;odo sovi&#233;tico &#233;&nbsp; o filme &#8220;Repentance&#8221;, dirigido por Tengiz Abuladze, nacional da Ge&#243;rgia, em 1986. Aborda a pol&#237;tica de viol&#234;ncia e disputas territoriais, resultantes de ambi&#231;&#245;es pessoais que levaram popula&#231;&#245;es da URSS &#224; ru&#237;na.</p><p>O enredo trata da morte de um Sr. Varlam, prefeito autorit&#225;rio de munic&#237;pio n&#227;o identificado, naquele pa&#237;s, ao Sul do C&#225;ucaso. Ap&#243;s o enterro, a popula&#231;&#227;o local descobre que o corpo continua ressurgindo, em diferentes lugares, como se tivesse &#8220;vida pr&#243;pria&#8221;. Identifica-se, finalmente, que uma mulher, cuja fam&#237;lia havia sido v&#237;tima de crueldades do falecido dirigente, era a respons&#225;vel, ap&#243;s cada renovado enterro, pelo reaparecimento do cad&#225;ver. Levada a julgamento, a cidad&#227; &#233; considerada insana. Mas, perante o tribunal, a acusada consegue fazer den&#250;ncias que desmoralizam o ex- Prefeito Varlam.</p><p>O filme transmitia a mensagem inconfund&#237;vel de que, ent&#227;o, a Uni&#227;o Sovi&#233;tica tinha que assumir o seu passado autorit&#225;rio, para que &#8220;os fantasmas de seus tiranos&#8221; deixassem de assombrar o processo de reformas pol&#237;tico-econ&#244;micas exigidas no pa&#237;s. Segundo avaliado nesta parte do mundo, a obra cinematogr&#225;fica teria sido associada com os esfor&#231;os liberalizantes de Mikhail Gorbachev. O cineasta Abuladze foi protegido por Eduard Shevardnadze, tamb&#233;m natural da Ge&#243;rgia, ent&#227;o Ministro dos Neg&#243;cios Estrangeiros da URSS e futuro Presidente de seu pr&#243;prio pa&#237;s.</p><p>A partir de 1985, iniciaram-se os sete anos de governo de Gorbachev, que culminaram com a desintegra&#231;&#227;o da Uni&#227;o Sovi&#233;tica. A Litu&#226;nia declarou-se independente, em mar&#231;o de 1990, e a Ge&#243;rgia a seguiu, em abril de 1991. Arm&#234;nia e Azerbaij&#227;o e outras Rep&#250;blicas continuaram, no mesmo ano, o processo de emancipa&#231;&#227;o. Logo, a URSS deixou de existir.</p><p>No C&#225;ucaso ocorreram &nbsp;conflitos armados associados com o t&#233;rmino do poderio sovi&#233;tico. Estes inclu&#237;ram as disputas por Nagorno-Karabakh, no Azerbaij&#227;o, pela Ossetia do Sul e Abkhazia, na Ge&#243;rgia, e pela Chechenya, na R&#250;ssia. Caberia, ent&#227;o, exerc&#237;cio de reflex&#227;o, sobre as raz&#245;es que levaram a tais disputas, sempre em torno de reivindica&#231;&#245;es territoriais que ficaram &#8220;congeladas&#8221;, durante os 70 anos de domina&#231;&#227;o sovi&#233;tica.</p><p>Registra-se, a prop&#243;sito, que, com o t&#233;rmino da Segunda Guerra Mundial, o C&#225;ucaso tornara-se tema de numerosos autores estrangeiros, inclusive o novelista norte-americano John Steinbeck, que, no final da d&#233;cada de 1940, descreveu a Ge&#243;rgia como &#8220;um lugar m&#225;gico&#8221; (John Steinbeck, &#8220;A Russian Journal&#8221; , New York, Viking, 1948). Da mesma forma que durante o Imp&#233;rio Russo, a regi&#227;o permanecia, ent&#227;o, como um cen&#225;rio de fantasias, um lugar de liberdade e libera&#231;&#227;o, que, para o trabalhador sovi&#233;tico, podia ser visitado, durante f&#233;rias e feriados.</p><p>Para os residentes fora da URSS, os &#8220;spas&#8221; de &#225;gua mineral, no Azerbaij&#227;o e Ge&#243;rgia, eram locais de turismo. Casas de banho, jardins e sanat&#243;rios foram criados. Os visitantes recebiam promessas de curas imediatas para problemas digestivos e cardiovasculares, entre outros. Intensos esfor&#231;os e investimentos governamentais reformulavam a imagem do C&#225;ucaso, at&#233; o in&#237;cio do s&#233;culo passado associada a viol&#234;ncias, da parte tanto de &#8220;tribos primitivas&#8221;, quando do Imp&#233;rio Russo, que tentava &#8220;civiliz&#225;-las&#8221;.</p><p>Tratava-se, ent&#227;o, de criar condi&#231;&#245;es regionais que refletissem a forma como russos e outros cidad&#227;os sovi&#233;ticos concebiam seu pr&#243;prio pa&#237;s. Grupos de dan&#231;as da parte Norte da regi&#227;o, com suas vestimentas t&#237;picas, o vinho da Ge&#243;rgia, o brandi da Arm&#234;nia e os tapetes do Azerbaij&#227;o, tornaram-se s&#237;mbolos daquela parte do pa&#237;s, bem como da &#8220;maneira sovi&#233;tica de ser e sentir&#8221;.Da&#237;, este exotismo todo ser, naquele per&#237;odo, celebrado e satirizado, ao inv&#233;s de temido. Filmes populares consolidavam a boa &#237;ndole e naturalidade das pessoas do Sul da URSS, bem como as boas maneiras e &#226;nsia de vida de suas popula&#231;&#245;es.Tais manifesta&#231;&#245;es art&#237;sticas, no entanto, gradativamente passaram a ter conte&#250;do de protesto quanto &#224; aus&#234;ncia de liberdades do per&#237;odo sovi&#233;tico, como aconteceu com o filme &#8220;Repentance&#8221;, citado acima.</p><p>No decorrer da d&#233;cada de 1980, as tr&#234;s Rep&#250;blicas Sovi&#233;ticas do C&#225;ucaso do Sul &#8211; Arm&#234;nia, Ge&#243;rgia e Azerbaij&#227;o &#8211; evolu&#237;am em dire&#231;&#227;o a reivindica&#231;&#245;es de livre manifesta&#231;&#227;o de suas identidades nacionais. O conceito de na&#231;&#227;o, nesta parte do mundo, contudo, estava &#8211; e est&#225; &#8211; permeado pelo pensamento estalinista. Este leva em conta a l&#237;ngua, a cultura e os interesses em comum, mas repousa, principalmente, sobre o territ&#243;rio de resid&#234;ncia, que servia de base ao sistema vigente no per&#237;odo sovi&#233;tico.</p><p>O Partido Comunista, durante a exist&#234;ncia da Uni&#227;o Sovi&#233;tica, &#233; sabido, dirigia todos os detalhes de sua organiza&#231;&#227;o pol&#237;tico-s&#243;cio-econ&#244;mica, tendo sempre como base o territ&#243;rio. Tal convic&#231;&#227;o, n&#227;o favorecia, contudo, o florescimento de ideologias em competi&#231;&#227;o entre si, no &#226;mbito de fronteiras definidas no per&#237;odo p&#243;s-independ&#234;ncia, em 1991. Havia que prevalecer, segundo esta maneira de pensar, apenas o conjunto de ideias for&#231;as definidas pelas autoridades centrais. Este processo facilitaria o congelamento de lideran&#231;as que, &#8220;&#224; maneira antiga de pensar&#8221;, n&#227;o admitia contesta&#231;&#227;o. Assim agia o Prefeito Varlam, do filme georgiano &#8220;Repentance&#8221;.</p><p>Conforme j&#225; mencionado em texto que publiquei anteriormente, cabe reiterar que tais pend&#234;ncias n&#227;o seriam inevit&#225;veis, por ser esta regi&#227;o do mundo &#8220;condenada a instabilidade permanente&#8221;. Resultariam, sim, de estruturas b&#225;sicas do Estado Sovi&#233;tico, que tinha o territ&#243;rio como sustenta&#231;&#227;o de tudo, o que veio a facilitar, em certa medida, que projetos de poder pessoais viessem a mobilizar popula&#231;&#245;es que foram levadas a genoc&#237;dios e enorme sofrimento.</p><p>Isto &#233;, no final da d&#233;cada de 1990, e in&#237;cio dos anos 2000 &#8211; da mesma forma que o enredo do filme &#8220;Repentance&#8221; &#8211; reivindica&#231;&#245;es herdadas do per&#237;odo de hegemonia da URSS, sobre o C&#225;ucaso, continuavam a ressurgir, sem que mitos daquelas sete d&#233;cadas de escurid&#227;o tivessem sido enterrados &#8211; como o corpo daquele falecido Prefeito Verlam.</p><p>Enquanto isso, velhos h&#225;bitos ligados &#224; doutrina estalinista de governan&#231;a perduravam, mesmo diante do colapso da estrutura do Estado Sovi&#233;tico. Ao mesmo tempo, partes do C&#225;ucaso, vinculadas a estas pr&#225;ticas antigas, que nada t&#234;m a ver com estruturas de confronta&#231;&#227;o herdadas da Guerra Fria, mantinham mitos consagrados nos lugares de sempre, enquanto apenas os corpos dos d&#233;spotas eram enterrados.</p><p>No C&#225;ucaso, a hist&#243;ria real do final do s&#233;culo XX e do in&#237;cio do atual n&#227;o &#233; a respeito de animosidades &#233;tnicas irreconcili&#225;veis ou antigas disputas, mas sobre como ambi&#231;&#245;es pessoais t&#234;m prevalecido sobre o interesse de coletividades. Isto tem sido poss&#237;vel, em virtude do legado do pensamento estalinista de vincular na&#231;&#245;es a territ&#243;rios, bem como &#224; disponibilidade de armamento sovi&#233;tico, deixado para tr&#225;s, quando do recuo de seus ex&#233;rcitos, alimentando, assim, a capacidade de destrui&#231;&#227;o m&#250;tua das partes que retomaram seus conflitos hist&#243;ricos.</p><p>Como no enredo da pel&#237;cula &#8220;Repentance&#8221;, parece que, apenas quando houver o compromisso de desenterrar o passado e os respons&#225;veis pelos erros cometidos tenham seus erros devidamente avaliados, poderia haver mudan&#231;as significativas nas formas de governan&#231;a &#8211; ou desgovernan&#231;a do C&#225;ucaso, Sul e Norte.</p><p>J&#225; ia me esquecendo: ap&#243;s o Dil&#250;vio, foi no alto da Cordilheira do C&#225;ucaso que No&#233; aportou com sua arca. Este foi, mesmo, antigamente um destino de viagens bem mais popular, do que no mundo atual.</p><h3>Sobre o autor</h3><p>Paulo Antonio Pereira Pinto &#233; embaixador aposentado.</p><h3>Como citar este artigo</h3><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Henrique Altemani de Oliveira apresenta o artigo “Japan: A Nuclear State?”]]></title><description><![CDATA[Henrique Altemani de Oliveira, professor e pesquisador do Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Universidade de Bras&#237;lia, apresenta o artigo &#8220;Japan: A Nuclear State?&#8221;, publicado no n&#250;mero 1/2019 (Voluime 62 &#8211; No.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/henrique-altemani-de-oliveira-apresenta-o-artigo-japan-a-nuclear-state</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/henrique-altemani-de-oliveira-apresenta-o-artigo-japan-a-nuclear-state</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Tue, 06 Oct 2020 17:34:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/j1UhRNl2NDg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Henrique Altemani de Oliveira, professor e pesquisador do Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Universidade de Bras&#237;lia, apresenta o artigo &#8220;Japan: A Nuclear State?&#8221;, publicado no n&#250;mero 1/2019 (Voluime 62 &#8211; No. 1 &#8211; 2019) da Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional.</p><div class="captioned-image-container"><figure><div id="youtube2-j1UhRNl2NDg" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;j1UhRNl2NDg&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/j1UhRNl2NDg?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div></figure></div><p>Leia o artigo &#8212; <a href="https://www.youtube.com/redirect?v=j1UhRNl2NDg&amp;redir_token=QUFFLUhqbmlWcTl5a0ZrZVMxRXM3NnJEWmxKUHpxMnhJZ3xBQ3Jtc0tsaEE2OTRUOF9RdmgwR3NreTFfZXJrOUxhZ2h3S2lURVAxUHRnN2dfWWhMZlFlZldDdDFjNnpKN19ZdTg0TUt1bjdPSjZmbXIzeEl2RExFNzlMZ3V1dUt4bmN4V0lESUJ1ZE9RWEZ1eGtpV1paMGdLSQ%3D%3D&amp;event=video_description&amp;q=https%3A%2F%2Fbit.ly%2F3jYonvw">https://bit.ly/3jYonvw</a></p><p>O Jap&#227;o &#233; frequentemente visto como pacifista e como defensor do desarmamento nuclear. No artigo se argumenta que o Jap&#227;o est&#225; baseando a sua seguran&#231;a na dissuas&#227;o nuclear prolongada e na possibilidade de adquirir armas nucleares. Na primeira parte do artigo, se analisa o papel da dissuas&#227;o prolongada na rela&#231;&#227;o com os EUA, e na segunda, se cuida de reavaliar a hist&#243;ria da op&#231;&#227;o nuclear japonesa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.</p><p>A <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Frbpi&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHNaio7HcVF21jkkefnGwE_wJvO6Q">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a>&nbsp;&#233; um ve&#237;culo de periodicidade semestral, dedicado ao debate sobre rela&#231;&#245;es internacionais contempor&#226;neas, em m&#250;ltiplas perspectivas. A revista &#233; considerada uma das principais publica&#231;&#245;es especializadas em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Am&#233;rica Latina e uma das mais influentes do Sul Global. A revista &#233; veiculada exclusivamente on line na Cole&#231;&#227;o Scielo Brasil, adotando o modelo de publica&#231;&#227;o continuada.</p><h2>Como citar este v&#237;deo</h2><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Lorena Lamas presents the article “International Organizations diffusion in South-South Cooperation dynamics. Notes on the Uruguayan case in the 21st Century”]]></title><description><![CDATA[Lorena Lamas, researcher at the National University of Rosario (Argentina) presents the article &#8220;International Organizations diffusion in South-South Cooperation dynamics.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/lorena-lamas-presents-the-article-international-organizations-diffusion-in-south-south-cooperation-dynamics-notes-on-the-uruguayan-case-in-the-21st-century</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/lorena-lamas-presents-the-article-international-organizations-diffusion-in-south-south-cooperation-dynamics-notes-on-the-uruguayan-case-in-the-21st-century</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Fri, 02 Oct 2020 15:47:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/yON9YsUlj4U" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Lorena Lamas, researcher at the National University of Rosario (Argentina) presents the article &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-73292020000200205&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en">International Organizations diffusion in South-South Cooperation dynamics. Notes on the Uruguayan case in the 21st Century</a>&#8221; co-authred with Carla Morasso (also a researcher at the researcher at the National University of Rosario). The article was published in the special issue of Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI entitled &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0034-732920200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso">International Development Cooperation and Multipolarity: Scrambling North and South?</a>&#8221; (Volume 63 &#8211; N. 2 &#8211; 2020 &#8211; <a href="https://bit.ly/32bRiGh">https://bit.ly/32bRiGh</a>) .</p><div class="captioned-image-container"><figure><div id="youtube2-yON9YsUlj4U" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;yON9YsUlj4U&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/yON9YsUlj4U?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div></figure></div><p>The scenario of International Development Cooperation has been transformed in the new century by the increase of South-South Cooperation (SSC). In response, the North has deployed its influence through International Organizations (IO) to moderate and model the agendas and institutions of the South. Uruguay is a good example of how IOs&#8217; interests and methodologies have influenced cooperation strategies and institutionalization processes in developing countries through diffusion mechanisms.</p><p>Read the article &#8212; <a href="https://bit.ly/3ibkrXz">https://bit.ly/3ibkrXz</a></p><p>The <a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=0034-7329&amp;lng=en&amp;nrm=iso">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a> is a semi-annual publication dedicated to the debate on contemporary international relations, in multiple perspectives. The Journal is considered one of the main publications specialized in International Relations in Latin America and one of the most influential in the Global South. The Journal is published exclusively online in the Scielo Brasil Collection, adopting the model of continuous publication.</p><h2>How to cite this video</h2><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Yue Xu presents the article “Development finance with Chinese characteristics: financing the Belt and Road Initiative”]]></title><description><![CDATA[Yue Xu, researcher at the University of Shanghai for Science and Technology (College of Foreign Languages, Shanghai, China) presents the article &#8220;Development finance with Chinese characteristics: financing the Belt and Road Initiative&#8220;, published at the special issue of the Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI entitled &#8220;]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/yue-xu-presents-the-article-development-finance-with-chinese-characteristics-financing-the-belt-and-road-initiative</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/yue-xu-presents-the-article-development-finance-with-chinese-characteristics-financing-the-belt-and-road-initiative</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 30 Sep 2020 11:00:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/ZMvt2NrD3XU" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Yue Xu, researcher at the University of Shanghai for Science and Technology (College of Foreign Languages, Shanghai, China) presents the article &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-73292020000200208&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en">Development finance with Chinese characteristics: financing the Belt and Road Initiative</a>&#8220;, published at the special issue of the Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI entitled &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0034-732920200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso">International Development Cooperation and Multipolarity: Scrambling North and South?</a>&#8221; (Volume 63 &#8211; N. 2 &#8211; 2020 &#8211; <a href="https://bit.ly/32bRiGh">https://bit.ly/32bRiGh</a>) .</p><div id="youtube2-ZMvt2NrD3XU" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;ZMvt2NrD3XU&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/ZMvt2NrD3XU?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>The Belt and Road Initiative (BRI) is clearly aimed at international development, and designed to jointly build a regional economic cooperation framework that is open, inclusive and balanced. Financial integration is the cornerstone of the BRI, and development finance is the most widely used mode of cooperation in financing. Development finance with Chinese characteristics is concessional and development-oriented, differing from Official Development Finance (ODF) defined by the OECD. Based on its development experiences, China applies development finance with Chinese characteristics to the BRI projects. This benefits countries along the Belt and Road by facilitating their sustainable development.</p><p>Read the article &#8212; <a href="https://www.youtube.com/redirect?redir_token=QUFFLUhqbjUzdFdOSmtQcFdCb3lIY2VoTE52X2Q1cDVCQXxBQ3Jtc0tscVpNUUEwSHJLRGxrVFhpMXdFZmVyb05wMWUtRTJEbnAxYms4b2thUW11SkgwUUNiclJtSmRkMUJFRFFxSUJvQXZyUHBRQU1wS0F4VUpFTnM1V20zWGJXdi11MU1LM2hEZzRlOE1IbW1meHJBbU5TZw%3D%3D&amp;q=https%3A%2F%2Fbit.ly%2F3ic154K&amp;event=video_description&amp;v=ZMvt2NrD3XU">https://bit.ly/3ic154K</a></p><p>How to cite this video</p><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Revista Tempo e Argumento recebe contribuições para o Dossiê “Guerras e conflitos em escala global no Tempo Presente”]]></title><description><![CDATA[Em 1915 um te&#243;rico alem&#227;o chamado Max Scheler afirmou que &#8220;a guerra &#233; o princ&#237;pio din&#226;mico da hist&#243;ria&#8221; a partir dessa afirma&#231;&#227;o &#233; poss&#237;vel compreender que v&#225;rias etapas sucessivas de organiza&#231;&#227;o da sociedade humana realizaram-se atrav&#233;s da guerra.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/revista-tempo-e-argumento-recebe-contribuicoes-para-o-dossie-guerras-e-conflitos-em-escala-global-no-tempo-presente</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/revista-tempo-e-argumento-recebe-contribuicoes-para-o-dossie-guerras-e-conflitos-em-escala-global-no-tempo-presente</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Tue, 29 Sep 2020 11:00:09 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Em 1915 um te&#243;rico alem&#227;o chamado Max Scheler afirmou que &#8220;a guerra &#233; o princ&#237;pio din&#226;mico da hist&#243;ria&#8221; a partir dessa afirma&#231;&#227;o &#233; poss&#237;vel compreender que v&#225;rias etapas sucessivas de organiza&#231;&#227;o da sociedade humana realizaram-se atrav&#233;s da guerra. De alguma forma isso permitiu unir tribos ou hordas e transform&#225;-las em sociedades politicamente est&#225;veis, que por sua vez se converteram em na&#231;&#245;es e estas em imp&#233;rios. Esse pensamento n&#227;o difere muito de outros te&#243;ricos do s&#233;culo XIX, como Hegel. Ao avaliarmos a dimens&#227;o dessa afirma&#231;&#227;o, nos damos conta da import&#226;ncia de se compreender os impactos causados pelos conflitos ao longo da hist&#243;ria das civiliza&#231;&#245;es, mais especificamente no mundo contempor&#226;neo.</p><p>Essa abordagem tamb&#233;m pressup&#245;e que as sociedades humanas sejam em grande parte produto da viol&#234;ncia de guerra, mesmo que as representa&#231;&#245;es tradicionais da hist&#243;ria levem a imagin&#225;-las como resultado de m&#250;ltiplas iniciativas realizadas em tempos de paz.&nbsp;Embora a realidade seja provavelmente mais complexa e que as nossas sociedades foram forjadas a partir da agita&#231;&#227;o e dos rompimentos que ocorreram durante as guerras e em tempo de paz, &#233; ineg&#225;vel que os confrontos armados, desde o s&#233;culo XIX at&#233; os dias atuais, tiveram repercuss&#245;es consider&#225;veis &#8203;&#8203;e continuaram a permear e moldar as estruturas pol&#237;ticas e socioecon&#244;micas de um n&#250;mero crescente de pa&#237;ses.</p><p>Esse impacto &#233; devido a v&#225;rios fatores, incluindo o car&#225;ter industrial do engajamento militar, a mobiliza&#231;&#227;o geral das sociedades, a extens&#227;o definitiva do espa&#231;o onde a viol&#234;ncia de guerra &#233; exercida. As participa&#231;&#245;es geoestrat&#233;gicas cada vez mais globais contidas nos confrontos e a prodigiosa multiplica&#231;&#227;o de meios de comunica&#231;&#227;o nos aproximam dos maiores e menores conflitos em qualquer parte do mundo.&nbsp;Uma infinidade de exemplos confirma a influ&#234;ncia das guerras nas sociedades contempor&#226;neas.</p><p>Entendemos que h&#225; uma pluralidade de possibilidades de estudos o que levou a uma salutar interdisciplinaridade tornada poss&#237;vel gra&#231;as a revis&#227;o dos tradicionais paradigmas te&#243;rico-metodol&#243;gico no campo da Hist&#243;ria Militar, fruto de uma ruptura ocorrida na segunda metade do s&#233;culo XX, o que possibilitou a amplia&#231;&#227;o das categorias conceituais aplicadas as an&#225;lises desenvolvidas, levando ao surgimento de uma Nova Hist&#243;ria Militar.</p><p>Este dossi&#234; de pesquisa tomar&#225; como base as quest&#245;es levantadas principalmente ao que concerne os Estudos sobre as Guerras contempor&#226;neas.&nbsp;O objetivo ser&#225; promover o entendimento das principais caracter&#237;sticas das guerras e dos conflitos globais e sua rela&#231;&#227;o com as mudan&#231;as nas condi&#231;&#245;es pol&#237;ticas, socioecon&#244;micas e tecnol&#243;gicas ocorridas desde o final da Segunda Guerra Mundial at&#233; o tempo presente.</p><p>O neocolonialismo e as lutas de liberta&#231;&#227;o na &#193;frica, Oriente M&#233;dio e &#193;sia deixaram v&#225;rios legados, que resultaram na divis&#227;o da regi&#227;o, na militariza&#231;&#227;o da pol&#237;tica e numa luta feroz por poder e terra, que j&#225; havia sido acelerado pelas lutas da descoloniza&#231;&#227;o, pelo nacionalismo e pela guerra fria esta &#250;ltima acabou sendo a fonte de dezenas de conflitos particularmente destrutivos e ditaduras extremamente sangrentas nos continentes americano, asi&#225;tico e africano e mesmo na Europa.</p><p>Ser&#225;, portanto, objeto desse dossi&#234; estudos que apresentem an&#225;lises originais em torno das tem&#225;ticas sobre as guerras em escala global e aspectos que tratem sobre a natureza dos conflitos contempor&#226;neos, o dossi&#234; abre a possibilidade de mostrar as principais ideias e quest&#245;es que os influenciaram no contexto de v&#225;rios estudos.</p><p>A partir dessas premissas, convidamos, os pesquisadores da &#225;rea a tomar parte na divulga&#231;&#227;o de suas pesquisas. Trabalhos que apresentem os processos conflituosos p&#243;s-segunda guerra, tomando em considera&#231;&#227;o, a descoloniza&#231;&#227;o, a guerra fria na Europa, na Am&#233;rica Latina, no sudeste e sul da &#193;sia, na &#193;frica e no Oriente M&#233;dio, o p&#243;s-colonialismo, os conflitos p&#243;s Uni&#227;o Sovi&#233;tica, as duas &#250;ltimas guerras do Golfo (1991 e 2003). As lutas sociais em diversos &#226;mbitos que envolvam for&#231;as armadas e suas organiza&#231;&#245;es, nacionalismos, conflitos &#233;tnicos, conflitos pol&#237;ticos, terrorismo e contraterrorismo, estrat&#233;gias e opera&#231;&#245;es militares em escala global e regional, e as organiza&#231;&#245;es militares dentro do contexto da hist&#243;ria do tempo presente.</p><p>Entendemos que, as guerras comp&#245;em parte da configura&#231;&#227;o de nossas sociedades, mesmo que os conflitos ocorram em territ&#243;rios distantes, contem implica&#231;&#245;es que v&#227;o al&#233;m das fronteiras e, n&#227;o s&#227;o apenas militares, s&#227;o tamb&#233;m pol&#237;ticas, econ&#244;micas, sociais e culturais.</p><p>As submiss&#245;es se fazem at&#233; 31 de outubro &#8211; mais informa&#231;&#245;es e submiss&#245;es aqui.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Produtos não saudáveis, doenças crônicas não transmissíveis e a Agenda 2030, por Tiago Tasca e Roberta Freitas]]></title><description><![CDATA[As doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o transmiss&#237;veis (DCNT) como doen&#231;as cardiovasculares, neoplasias e diabetes t&#234;m sido reconhecidas como quest&#245;es globais e a Agenda 2030 catalisa o esfor&#231;o global para reduzir a carga dessas doen&#231;as.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/produtos-nao-saudaveis-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-e-a-agenda-2030-por-tiago-tasca-e-roberta-freitas</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/produtos-nao-saudaveis-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-e-a-agenda-2030-por-tiago-tasca-e-roberta-freitas</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 28 Sep 2020 17:34:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>As doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o transmiss&#237;veis (DCNT) como doen&#231;as cardiovasculares, neoplasias e diabetes t&#234;m sido reconhecidas como quest&#245;es globais e a Agenda 2030 catalisa o esfor&#231;o global para reduzir a carga dessas doen&#231;as. Os fatores de risco de DCNT, por sua vez, s&#227;o modific&#225;veis e exigem uma abordagem estrutural, n&#227;o exclusivamente biom&#233;dica, que circunscrevem a distribui&#231;&#227;o desses agravos e seus fatores de risco em toda a sociedade. Est&#227;o relacionados, sobretudo, ao consumo de tabaco, &#225;lcool, alimentos ultra processados e pesticidas.</p><p>A inclus&#227;o de doen&#231;as cr&#244;nicas na Agenda 2030 mostra que elas constituem t&#243;picos de sa&#250;de e desenvolvimento devido ao seu v&#237;nculo com a desigualdade intra e internacionais. No entanto, antes dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent&#225;vel (ODS), v&#225;rios outros mecanismos globais, recomenda&#231;&#245;es internacionais e regulamentos para combater as doen&#231;as cr&#244;nicas foram estabelecidos como roteiros para reduzir a carga desses agravos. Para avan&#231;ar, &#233; essencial entender at&#233; que ponto a Agenda 2030 considerou esses mecanismos globais e como eles s&#227;o integrados nessa agenda.</p><p>Portanto, o esfor&#231;o de an&#225;lise empreendido no artigo &#8220;<strong><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/MED/article/view/32257">Reinventing the wheel? The convergence between the SDGs and the UN documents for non-communicable diseases risk factors</a></strong>&#8220;, publicado no Volume 21 (2020) de Meridiano 47, Journal of Global Studies, &#233; o de mostrar como os ODS convergem com os atuais mecanismos internacionais para lidar com produtos associados aos fatores de risco das DCNT. Ent&#227;o, quais s&#227;o os principais desafios que impedem uma converg&#234;ncia total entre essas agendas? Metodologicamente, adotou-se infer&#234;ncia descritiva a partir de 44 documentos emitidos pelo sistema das Na&#231;&#245;es Unidas de 2005 a 2019, com base no conjunto de dados do Observat&#243;rio Internacional de Regula&#231;&#227;o de Fatores de Risco de DCNT do N&#250;cleo de Estudos sobre Bio&#233;tica e Diplomacia em Sa&#250;de da Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz (Fiocruz).</p><p>No texto, argumenta-se que, apesar da sobreposi&#231;&#227;o da preven&#231;&#227;o e controle dessas doen&#231;as nos ODS, os desafios restantes est&#227;o enraizados na estrutura das pol&#237;ticas internacional e dom&#233;stica. Consideram-se, como vari&#225;veis explicativas, o alinhamento financeiro, a informa&#231;&#227;o adequada e a educa&#231;&#227;o em sa&#250;de para explicar essa parcialidade e superar a in&#233;rcia institucional. Da mesma forma, &#233; necess&#225;rio estimular a coopera&#231;&#227;o internacional em rela&#231;&#227;o aos mecanismos nacionais que aprimoram a participa&#231;&#227;o e o apoio das institui&#231;&#245;es democr&#225;ticas para salvaguardar uma implementa&#231;&#227;o eficaz das agendas dos ODS e das doen&#231;as cr&#244;nicas.</p><p>Como resultado apresentado, h&#225; uma aparente converg&#234;ncia no caso do tabaco, mas uma converg&#234;ncia parcial em alimentos ultra processados e &#225;lcool. Os pesticidas foram deixados para tr&#225;s, com pouca aten&#231;&#227;o na Agenda 2030. Al&#233;m disso, essa an&#225;lise tamb&#233;m esclarece as consequ&#234;ncias da ina&#231;&#227;o e os desafios impostos pela vigil&#226;ncia e colabora&#231;&#227;o de alto n&#237;vel para alcan&#231;ar, de maneira ampla e equitativa, os ODS.</p><h2>Leia o artigo</h2><p>Tasca, Tiago Gabriel, and Roberta de Freitas Campos. 2020. &#8220;Reinventing the Wheel? The Harmonization Between the SDGs and the UN Documents for Non-Communicable Diseases Risk Factors &#8221;.&nbsp;<em>Meridiano 47 &#8211; Journal of Global Studies</em>&nbsp;21 (September). <a href="https://doi.org/10.20889/M47e21013">https://doi.org/10.20889/M47e21013</a>.</p><h2>Sobre os autores</h2><p><strong>Tiago Gabriel Tasca</strong> &#8211; Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz &#8211; <a href="https://orcid.org/0000-0001-9817-6837">https://orcid.org/0000-0001-9817-6837</a></p><p><strong>Roberta de Freitas Campos</strong> &#8211; Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz &#8211; <a href="https://orcid.org/0000-0002-1495-4804">https://orcid.org/0000-0002-1495-4804</a></p><h2>Como citar esta nota</h2><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Daniel Buarque apresenta o artigo “Country on the fence: United Kingdom’s perceptions of the status and international agenda of Brazil”]]></title><description><![CDATA[Daniel Buarque, pesquisador do King&#8217;s College London (Brazil Institute, London, United Kingdom), apresenta o artigo de sua autoria &#8220;A country on the fence: United Kingdom&#8217;s perceptions of the status and international agenda of Brazil&#8221; publicado no n&#250;mero 1/2020 (Volume 63 &#8211; No.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/daniel-buarque-apresenta-o-artigo-country-on-the-fence-united-kingdoms-perceptions-of-the-status-and-international-agenda-of-brazil</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/daniel-buarque-apresenta-o-artigo-country-on-the-fence-united-kingdoms-perceptions-of-the-status-and-international-agenda-of-brazil</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Thu, 24 Sep 2020 11:00:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/rI-iQl7Yq2c" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Daniel Buarque, pesquisador do King&#8217;s College London (Brazil Institute, London, United Kingdom), apresenta o artigo de sua autoria &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-73292020000100211&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en">A country on the fence: United Kingdom&#8217;s perceptions of the status and international agenda of Brazil</a>&#8221; publicado no n&#250;mero 1/2020 (Volume 63 &#8211; No. 1 &#8211; 2020 ) da Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI.</p><div id="youtube2-rI-iQl7Yq2c" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;rI-iQl7Yq2c&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/rI-iQl7Yq2c?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>Leia o artigo &#8212; <a href="https://www.youtube.com/redirect?v=rI-iQl7Yq2c&amp;event=video_description&amp;redir_token=QUFFLUhqbm5GcXhrbVlLamJja2sxU0taSFh0NWNVLUN6QXxBQ3Jtc0ttMkF2M05NR0xKNEVFRXoyNHBCZmZ5U19xUV82TVpqX0t4dkhGbU1TWjJSdzRxVTk5a1dSWXVDbHktUXp0elNHN1E2UC1YM0Y2MXRBMG44Y2FLMjFEMlRhZmpkZ3pwWDNYUFp0bk9PenhibVlsZHNrVQ%3D%3D&amp;q=https%3A%2F%2Fbit.ly%2F32cuKFv">https://bit.ly/32cuKFv</a></p><p>O Brasil h&#225; muito luta por maior status e um papel mais forte na pol&#237;tica internacional, mas sua posi&#231;&#227;o real depende do reconhecimento que recebe de fora. Este artigo analisa as percep&#231;&#245;es do status do Brasil na perspectiva do Reino Unido. Contribui tanto para o estudo do status em IR (utilizando um m&#233;todo qualitativo com foco em percep&#231;&#245;es e inter-subjetividade) quanto para o estudo do status do Brasil (analisando percep&#231;&#245;es externas sobre sua posi&#231;&#227;o na hierarquia global). Com base em entrevistas com diplomatas brit&#226;nicos que serviram no Brasil, o artigo demonstra que o Reino Unido acredita que o pa&#237;s se equivoca acerca do seu pr&#243;prio lugar no mundo e parece permanecer &#8220;em cima do muro&#8221; nos assuntos globais.</p><p>A <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Frbpi&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHNaio7HcVF21jkkefnGwE_wJvO6Q">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a>&nbsp;&#233; um ve&#237;culo de periodicidade semestral, dedicado ao debate sobre rela&#231;&#245;es internacionais contempor&#226;neas, em m&#250;ltiplas perspectivas. A revista &#233; considerada uma das principais publica&#231;&#245;es especializadas em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Am&#233;rica Latina e uma das mais influentes do Sul Global. A revista &#233; veiculada exclusivamente on line na Cole&#231;&#227;o Scielo Brasil, adotando o modelo de publica&#231;&#227;o continuada.</p><h3>Como citar este v&#237;deo</h3><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Negotiating accountability in South-South Cooperation: the case of Brazil, an interview with Laura Waisbich by Laís Kuss]]></title><description><![CDATA[The (re)emergence of South-South Cooperation (SSC) at the beginning of XXI century changed the International Development Cooperation (IDC) landscape.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/negotiating-accountability-in-south-south-cooperation-the-case-of-brazil-an-interview-with-laura-waisbich-by-lais-kuss</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/negotiating-accountability-in-south-south-cooperation-the-case-of-brazil-an-interview-with-laura-waisbich-by-lais-kuss</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 23 Sep 2020 21:42:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>The (re)emergence of South-South Cooperation (SSC) at the beginning of XXI century changed the International Development Cooperation (IDC) landscape. This phenomenon has prompted the generation of different narratives and models of conflicts between SSC providers and traditional donors, as well as inside SSC providers countries.</p><p>Considering that context, the paper of Laura Waisbich &#8220;<a href="https://doi.org/10.1590/0034-7329202000210">Negotiating accountability in South-South Cooperation: the case of Brazil</a>&#8221;, published in <a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0034-732920200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso">vol.63 no.2</a>, discusses the conflict arenas between North and South providers, among bureaucracies and between state and society, focusing on the Brazilian case. These arenas can show us different conflict arenas around: accountability norms, methods of measuring IDC, Brazilian role in development cooperation and even around different development models, transferring domestic disputes to SSC.</p><p>The importance of the theme is even bigger when we consider the recent changes in Brazilian Foreign Policy, which can reflect on the country&#8217;s role in IDC, its narratives and its adherence of aid international norms, negotiated inside DAC/OECD. Speaking about her research, Laura was interviewed by La&#237;s Kuss, professor at Universidade Potiguar (UnP).</p><p><strong>Throughout the paper, you expose traditional donors&#8217; concerns about SSC accountability. This is aligned with the Paris Agenda, that states accountability as an important pillar for Foreign Aid in the DAC/OECD context. Although, there is a narrative conflict over the hegemony in IDC between North and South. Considering this conflict, do you think the SSC accountability concern coming from the North donors is a legitimate one or just a part of the dispute?</strong></p><p>In my research I show that concerns with accountability in SSC are embedded in geopolitical disputes over role, status, and responsibilities in global affairs and development cooperation in particular. The question of legitimacy can be understood in different ways. One can think of concerns as being legitimate from the perspective of DAC countries, which have created, since the late 1960s, a system with a set of agreed-upon norms and codes of conduct on how to be a &#8216;proper&#8217; donor. The fact that DAC members want the &#8216;new comers&#8217; like Brazil, China, India (but also Turkey and Mexico and many others) to respect these norms (un-tying aid, spending reporting practices, socio-environmental safeguards in the context of infra-structure projects, etc.) is thus legitimate from the point of view of the consistency of the normative regime in place. What is important, nonetheless, is to understand the ways in which the arrival of these new providers, like Brazil, and their politico-symbolic challenges to the DAC have exposed the socio-historical particularities of many of these norms and standards (including those related to accountability). It is also important to understand how DAC donors have used accountability calls to &#8216;Other&#8217; or stigmatise rising powers for not respecting some of these norms, while several DAC members also fail to comply with them. Pointing to these inconsistencies does not means that concerns are not legitimate. Rather it provides us with a critical gaze that de-naturalises the calls for accountability and situates them in broader political disputes over power in international affairs.</p><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg" width="294" height="294" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:294,&quot;width&quot;:294,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NWOd!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ee8e565-d66e-4706-9554-a0904cff12fc_353x353.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><p><strong>Among SSC providers there are different views and narratives around accountability and DAC/OECD norms. In your opinion, in a mid or long term, is there a possibility of a common development cooperation regime/architecture between traditional and SSC providers? Or even among the majority of these countries?</strong></p><p>Yes. There are different views among Southern providers on accountability and OECD/DAC norms and different strategies on how to engage them. There are also divergent within a single country, like Brazil, with sub-foreign policy communities that are more or less favourable of Brazil projecting an &#8216;autonomous Southern&#8217; identity, or aligning with the OECD, or even finding a third, middle-ground, way. In the long-run, I believe Northern and Southern countries are heading towards issue-based convergence rather than a universal regime. This can happen in the future in issues like climate change or even in global health, in the case of a pandemic like Covid19. I am not convinced countries will be able to craft a common development cooperation regime in the near future for two reasons. First, the colonial legacies and economic asymmetries are still very important, both materially and politically. And this makes the &#8216;burden-sharing game&#8217; very difficult to be negotiated. Second, given the fragility of contemporary multilateralism and the surge of a new forms of nationalism, there is no political will to redesign global universal norms, and new differentiated responsibilities, at this point.</p><p><strong>Considering the global and domestic arenas of conflict over SSC accountability, how these disputes can be beneficial or do any harm for recipient countries and for the improvement of international cooperation as a tool for development?</strong></p><p>Although my research does not focus on specific initiatives and/or particular recipient countries, the disputes over SSC accountability I have studied at the global levels and domestically in large providers, like Brazil, can be beneficial to improving SSC practices <em>in loco</em> because they question the simplistic myths and assumptions over SSC workings and its effects on the ground. Accountability disputes reveal fractures, coming from different actors (including governments and civil society groups in other Southern countries with whom Brazil cooperates), in the initial (or official) discourse that SSC works best or that is mutual-beneficial. Accountability-related disputes can also lead to policy and institutional reforms in the Brazilian SSC system, as sometimes they did in the past decade, improving how Brazil manages its SSC and operates as a development provider.</p><p><strong>The politicisation of Brazilian Foreign Policy and SSC has contributed for domestic disputes around the theme. At your conclusion, you argue that recent political changes have brought de-mobilisation of bureaucracies and society about IDC. In your perspective, is there a tendency of continuous de-mobilisation in all spheres of Brazilian SSC? Are there some modalities or sectors which tends to be more or less disengaged, due to their nature or low profile as political subject?</strong></p><p>This is definitely an uncharted research territory we still need more data: both on the sectors, as well as on the reasons why some areas have disengaged more than others. Yet my perception is that despite the extreme anti-SSC rhetoric of Bolsonaro administration, several initiatives are still going on. This include some flagship initiatives like the WFP Centre of Excellence Against Hunger or the Cotton-portfolio, but also smaller technical cooperation initiatives in the sector of agriculture, health, water. It is not surprising that, considering the current levels of polarisation, issues like social protection or family-farming (strongly expanded during the PT era because they were politically important to the federal government and to policy communities close to it) are now much less important, if not invisible. It is also true that without political prioritisation, including in the national budget, it is difficult to sustain IDC activities in the long run. Yet recent research is equally pointing to forms of &#8216;bureaucratic resilience&#8217; or even &#8216;bureaucratic resistance&#8217; taking place. Some initiatives are now running under a lower profile or with new partners, including subnational governments, and non-state actors (ONGs and foundations). Trilateral cooperation with UN agencies, such as the ABC-UNICEF programme, was already expanding to the so-called subnational actors in the last few years and this trend tends to expand in a context where the federal government is less (or very little) open to the agenda.</p><p><strong>Brazil assumed an important role in SSC during the Lula&#180;s government (2003-2010), but the flows once delivered have now decreased. In your opinion, how important is the government activism in Brazil for SSC volume and allocation? How do you perceive the civil society role in the international Brazilian activism?</strong></p><p>The induction by the federal government is key in the SSC agenda. As we learned while analysing the Lula era, this activism was taking place at the Presidency-level, in articulation with the Itamaraty, but also in other bureaucracies (line-Ministries and others) in more or less coordinated ways with the Brazilian Cooperation Agency (ABC), depending on the issue/sector. We also learned that during the Dilma era (and later under Temer) funds decreased because political priority was given to development at home but have not disappeared. Certain bureaucracies were also able to carry on their work by partnering with other actors, including UN agencies, what we commonly call &#8216;trilateralisation&#8217;. So, yes, state activism is indeed crucial, but we also need to be aware of the agency of the state and state actors at multiple dimensions and levels, including of individuals inside bureaucracies engaged in IDC/SSC. Unpacking the state is also important to make sure we understand its connections with non-state actors, like those in civil society (knowledge organisations, NGOs, social movements) that have partnered in different ways with state institutions in the past to advance the SSC agenda and might do it again if there is political space to do so. Civil society has played different roles in Brazilian SSC: as project implementers, as evaluators of SSC initiatives, as critical collaborators wishing to influence policy priorities, and also as resistance forces to certain initiatives. I believe these different patterns of state-society relations in this agenda are very important to be better understood as to help us unpacking how certain issues were expanded in the past and why.</p><h3>Read the article</h3><p>Waisbich, Laura Trajber. (2020). Negotiating accountability in South-South Cooperation: the case of Brazil. Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional, 63(2), e010. Epub September 07, 2020.<a href="https://doi.org/10.1590/0034-7329202000210">https://doi.org/10.1590/0034-7329202000210</a></p><h3>About the authors</h3><p>Laura Waisbich, Cambridge University, Cambridge, United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland</p><p>La&#237;s Kuss, Universidade Potiguar, Natal, Rio Grande do Norte, Brazil</p><h3>How to cite this interview</h3><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Geovana Zoccal presents the article “Sharing responsibility: jeopardised multilateralism and the growing centrality of Triangular Cooperation”]]></title><description><![CDATA[Geovana Zoccal (researcher at the BRICS Policy Center &#8211; LACID, Rio de Janeiro, RJ, Brazil) presents the article &#8220;Sharing responsibility: jeopardised multilateralism and the growing centrality of Triangular Cooperation&#8220;, published in the special issue of Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI entitled &#8220;]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/geovana-zoccal-presents-the-article-sharing-responsibility-jeopardised-multilateralism-and-the-growing-centrality-of-triangular-cooperation</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/geovana-zoccal-presents-the-article-sharing-responsibility-jeopardised-multilateralism-and-the-growing-centrality-of-triangular-cooperation</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 21 Sep 2020 14:33:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/LsJACA4khJU" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Geovana Zoccal (researcher at the BRICS Policy Center &#8211; LACID, Rio de Janeiro, RJ, Brazil) presents the article &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-73292020000200207&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en">Sharing responsibility: jeopardised multilateralism and the growing centrality of Triangular Cooperation</a>&#8220;, published in the special issue of Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional &#8211; RBPI entitled &#8220;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0034-732920200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso">International Development Cooperation and Multipolarity: Scrambling North and South?</a>&#8221; (Volume 63 &#8211; N. 2 &#8211; 2020 &#8211; <a href="https://www.youtube.com/redirect?v=LsJACA4khJU&amp;event=video_description&amp;redir_token=QUFFLUhqbTZFUnYtOUZnX2htbFVOM3Y1aWYxcUItcHVtQXxBQ3Jtc0ttQkFKTkNBNTB1WTBKMGNMX3NjMFRmdW9zLWQ2TVRjaGFmZWFCcDl3bjJpd3IzRGtzQ0Z3bDVrVDZrLU1pMXhoUXRUM2dNa3R1RFFaY2JRb3lQdFlrWDZ4UmdrdHBxc0txQUFQbGhQemRKNndFU25fOA%3D%3D&amp;q=https%3A%2F%2Fbit.ly%2F32bRiGh">https://bit.ly/32bRiGh</a>) .</p><div class="captioned-image-container"><figure><div id="youtube2-LsJACA4khJU" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;LsJACA4khJU&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/LsJACA4khJU?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div></figure></div><p>Read the article &#8212; <a href="https://www.youtube.com/redirect?v=LsJACA4khJU&amp;event=video_description&amp;redir_token=QUFFLUhqbmtLX2hvOFdZc1RfZG9TMnFZWDhzSDk2X2NpZ3xBQ3Jtc0tuNXVraGlma0loZzZSc3hfM0w2MnVHMlExNnhfVFd5YjVRUGlhekNKWTY2VWhMQjV1TDd3aHdOQVRLNF85akktbHppSGRtNUNEbDdSLVlDMmRrN1JtQ3Zld0NhS0k4M3BtX0trLS10Sy1QU0pTUW5KZw%3D%3D&amp;q=https%3A%2F%2Fbit.ly%2F2HlCrRJ">https://bit.ly/2HlCrRJ</a></p><p>Multipolarity is casting doubt on the notion of responsibility, and diffused reciprocity of the multilateral system of international development cooperation is falling short. In midst of this crisis, what are possible mechanisms to foster the implementation of the 2030 Agenda? I argue that Triangular Cooperation, through specific reciprocity, presents opportunity for nurturing partnerships and enhancing models to share responsibilities toward international development cooperation. Looking into recent trends of TrC, I argue that through this modality, DAC countries push for greater involvement of the South, and Southern providers share responsibility towards international development.</p><p>The <a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=0034-7329&amp;lng=en&amp;nrm=iso">Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional</a> is a semi-annual publication dedicated to the debate on contemporary international relations, in multiple perspectives. The Journal is considered one of the main publications specialized in International Relations in Latin America and one of the most influential in the Global South. The Journal is published exclusively online in the Scielo Brasil Collection, adopting the model of continuous publication.</p><h2>How to cite this video</h2><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[NUPRI-USP recebe propostas para Working Papers]]></title><description><![CDATA[O N&#250;cleo de Pesquisa em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Universidade de S&#227;o Paulo (NUPRI-USP) est&#225; aberto para submiss&#227;o de propostas para a publica&#231;&#227;o NUPRI Working Papers at&#233; o dia 15 de outubro de 2020.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/nupri-usp-recebe-propostas-para-working-papers</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/nupri-usp-recebe-propostas-para-working-papers</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Thu, 17 Sep 2020 16:09:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O N&#250;cleo de Pesquisa em Rela&#231;&#245;es Internacionais da Universidade de S&#227;o Paulo (NUPRI-USP) est&#225; aberto para submiss&#227;o de propostas para a publica&#231;&#227;o NUPRI Working Papers at&#233; o dia 15 de outubro de 2020.</p><p>O objetivo da publica&#231;&#227;o NUPRI Working Papers &#233; a an&#225;lise de tem&#225;ticas hist&#243;ricas e contempor&#226;neas nas Rela&#231;&#245;es Internacionais e suas &#225;reas relacionadas. Estamos abertos para an&#225;lises e debates te&#243;ricos, emp&#237;ricos e metodol&#243;gicos. Propostas tem&#225;ticas devem ter entre 400 e 500 palavras. O texto final de cada working paper deve ter entre 3000 e 6000 palavras mais uma bibliografia.</p><p>Mais informa&#231;&#245;es podem ser obtidas em&nbsp;<a href="https://nupri.prp.usp.br/noticias/chamada-de-propostas/">https://nupri.prp.usp.br/noticias/chamada-de-propostas/</a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Belarus – “a terra de gente livre”, por Paulo Antonio Pereira Pinto]]></title><description><![CDATA[A Belarus teve um passado sofrido.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/belarus-a-terra-de-gente-livre-por-paulo-antonio-pereira-pinto</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/belarus-a-terra-de-gente-livre-por-paulo-antonio-pereira-pinto</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 14 Sep 2020 16:49:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A Belarus teve um passado sofrido. Por ocasi&#227;o de invas&#245;es da R&#250;ssia, de Napole&#227;o a Hitler, se encontrou, por determinismo fronteiri&#231;o, no caminho de algozes que, tanto na ida e &#8211; pior ainda &#8211; na volta, provocaram devasta&#231;&#245;es inimagin&#225;veis. Como agravante, em 1986, a explos&#227;o na usina nuclear ucraniana de Chernobyl afetou mais a Belarus do que a Ucr&#226;nia.</p><p>Em s&#237;ntese, cabe lembrar que, enquanto Bela significa Branco, o nome do pa&#237;s n&#227;o pode ser traduzido por R&#250;ssia Branca. O Rus n&#227;o se refere &#224; R&#250;ssia, mas descreve &#225;rea da Europa Central, coberta por neve e povoada por eslavos, em oposi&#231;&#227;o &#224; Rut&#234;nia Negra, controlada por povos lituanos. Outra poss&#237;vel origem do nome seria o fato de aquele territ&#243;rio n&#227;o ter sido invadido pelos mong&#243;is, que, no s&#233;culo XIII, conquistaram grande parte da Europa. A &#225;rea em quest&#227;o, portanto, era considerada parte do Rus Branco. Bel ou Biel tamb&#233;m significaria livre, num per&#237;odo em que a maior parte da R&#250;ssia se encontrava sob o jugo dos t&#225;rtaros. Cabe, portanto, notar que a Belarus &#233; um pa&#237;s cujo <strong>nome sugere o passado de um povo que habitou uma regi&#227;o europeia livre</strong>. Verifica-se, contudo, que, desde sua independ&#234;ncia da extinta Uni&#227;o Sovi&#233;tica, tem sido chamada de a <strong>&#250;ltima ditadura na Europa</strong>, em virtude de manter sistema de governo com fortes tra&#231;os do antigo regime sovi&#233;tico.</p><p>O nome Belarus referia-se, ent&#227;o, a <strong>uma regi&#227;o espec&#237;fica do centro da Europa, e n&#227;o a uma na&#231;&#227;o, at&#233; o final do s&#233;culo XIX</strong>. A estrutura&#231;&#227;o do territ&#243;rio bielorrusso, nos moldes de um Estado moderno, ocorreu a partir de 1920, com sua inclus&#227;o na Uni&#227;o Sovi&#233;tica. Durante o per&#237;odo da Rep&#250;blica Socialista Sovi&#233;tica Bielorrussa, o pa&#237;s adquiriu estrutura de Estado nacional, pela primeira vez em sua hist&#243;ria. Suas institui&#231;&#245;es nacionais eram e continuam a ser fortemente moldadas pelas criadas na R&#250;ssia Sovi&#233;tica.</p><p>Da&#237; n&#227;o causar surpresa que a moldura institucional hoje existente em Minsk sirva para manter a Belarus em &#225;rea de influ&#234;ncia russa. Isto &#233;, a forma de governan&#231;a, com fortes tra&#231;os autorit&#225;rios herdados do per&#237;odo sovi&#233;tico, serve &#224; formula&#231;&#227;o de pol&#237;ticas nacionais que, ainda hoje, com grande facilidade, se alinham com orienta&#231;&#245;es ditadas por Moscou. Esse quadro, no entanto, n&#227;o significa que haja total submiss&#227;o da Belarus a pol&#237;ticas ditadas pela R&#250;ssia. De forma simplificada, costuma-se afirmar que haveria uma altern&#226;ncia, atrav&#233;s do qual Minsk procuraria balancear seus interesses, ora favorecendo Moscou, ora Bruxelas (onde, como se sabe, est&#225; a sede da Uni&#227;o Europeia).</p><h2><strong>O projeto eurasiano de Putin</strong></h2><p>A crise atual na Belarus envolve mais do que interesses geopol&#237;ticos e econ&#244;micos, que oponham pot&#234;ncias regionais. H&#225; ambi&#231;&#245;es do Presidente Vladimir Putin quanto a projeto de neo euro-asianismo, ideologia nacionalista nascida na d&#233;cada de 1920 e reescrita ap&#243;s o desmoronamento da Uni&#227;o Sovi&#233;tica. Fiel &#224; tradi&#231;&#227;o e aos valores crist&#227;os ortodoxos, a doutrina re&#250;ne princ&#237;pios e ideais distintos dos vigentes no chamado mundo ocidental.</p><p>&nbsp;No artigo &#8220;Um novo projeto de integra&#231;&#227;o para a Eur&#225;sia; o futuro que nasce hoje&#8221;, publicado em 04.10.2011, Putin defende a cria&#231;&#227;o de uma Uni&#227;o Euroasi&#225;tica &#8211; a partir da fus&#227;o de mecanismos de integra&#231;&#227;o existentes e herdados da Uni&#227;o Sovi&#233;tica &#8211; idealizada como um dos pilares de sua pol&#237;tica externa que visaria a recolocar a R&#250;ssia como fonte de poder no mundo contempor&#226;neo e ponte entre a Europa e a regi&#227;o da &#193;sia-Pac&#237;fico.</p><p>A teoria reafirma o que qualifica de identidade russa, nascida da fus&#227;o de povos eslavos e de origem turca. A R&#250;ssia seria um terceiro continente, situado entre a Europa e a &#193;sia. Antes de quase desaparecer no s&#233;culo XX, essa linha de pensamento se opunha tanto ao Ocidente liberal, considerado decadente, quanto aos sovi&#233;ticos, que baniram o cristianismo ortodoxo da R&#250;ssia, assim como seus valores tradicionais. O presidente russo, ent&#227;o, adotou discurso que ressalta a ideia de tradi&#231;&#227;o, cara &#224; Igreja Ortodoxa russa, e recusando o multiculturalismo, o feminismo, a homossexualidade e o que chama de valores n&#227;o tradicionais de origem ocidental. A R&#250;ssia se define, agora, como um modelo civilizacional, contrastando-se com os EUA, que qualifica de poder revisionista, empenhado em desestabilizar o mundo, promovendo mudan&#231;as de regime, especialmente no mundo &#225;rabe. O Kremlin tamb&#233;m v&#234; os EUA como uma fonte de instabilidade no antigo espa&#231;o sovi&#233;tico e culpa o Ocidente pela turbul&#234;ncia tanto na Ucr&#226;nia, em 2014, quanto agora na Belarus.</p><p>Na pr&#225;tica, a Uni&#227;o Euroasi&#225;tica reconstituiria a maior parte do territ&#243;rio da URSS, cujo esfacelamento &#233; considerado por Putin como uma das maiores trag&#233;dias do s&#233;culo XX. O objetivo era manter a Ucr&#226;nia sob sua influ&#234;ncia, fazendo-a participar de seu projeto, n&#227;o admitindo sua deriva em dire&#231;&#227;o ao Ocidente.</p><p>As rela&#231;&#245;es da Belarus com a R&#250;ssia caracterizam-se por movimentos alternados em dire&#231;&#227;o a Moscou e a Bruxelas, de modo a extrair vantagens de um e outro parceiro. Minsk vem-se inserindo de modo muito mais profundo na &#243;rbita russa nos &#250;ltimos anos. Em dezembro de 2011, vendeu &#224; russa Gazprom os &#250;ltimos 50% de a&#231;&#245;es da transportadora bielorrussa de g&#225;s Beltransgaz. Ademais, a Belarus integra, desde janeiro de 2010, a uni&#227;o aduaneira com a R&#250;ssia e o Cazaquist&#227;o e declara seu apoio ao projeto mais ambicioso da Uni&#227;o Econ&#244;mica Euroasi&#225;tica. A aproxima&#231;&#227;o de Moscou tem sido conveniente para o Presidente Lukashenko, na medida em que o ajuda a contrabalan&#231;ar as press&#245;es da Uni&#227;o Europeia e dos EUA por maior abertura pol&#237;tica no pa&#237;s. A R&#250;ssia tamb&#233;m &#233; crucial para a Belarus, em raz&#227;o das defici&#234;ncias energ&#233;ticas que a obrigam a importar petr&#243;leo e g&#225;s natural do vizinho, a pre&#231;os subsidiados.</p><h2><strong>A atra&#231;&#227;o externa exercida pela Uni&#227;o Europeia</strong></h2><p>Na regi&#227;o onde se situa a Belarus, o Ocidente tem aumentado sua influ&#234;ncia, tanto pela for&#231;a de seu modelo de governan&#231;a, quanto pelo enfraquecimento da governabilidade do modelo que prevalecera na Europa Oriental. A OTAN, como se sabe, venceu a Guerra Fria, em parte porque conseguiu gastar mais do que o Kremlin em armamentos, mas tamb&#233;m o sistema de economia de mercado provou ser superior ao centralmente planificado. Outro ingrediente dessa vit&#243;ria teria sido a maior aceita&#231;&#227;o da &#8220;soft power&#8221; ocidental, que contrastava a prosperidade e a liberdade do lado capitalista com o atraso e a repress&#227;o do socialismo. Como resultado, &#233; sabido, dissolveu-se o cimento totalit&#225;rio que mantinha unida a Uni&#227;o Sovi&#233;tica. Ap&#243;s a queda do muro de Berlim, em 1989, tendo derrubado os regimes autorit&#225;rios que as dominavam, na&#231;&#245;es da Europa Oriental passaram a ter a op&#231;&#227;o do euroatlanticismo (em oposi&#231;&#227;o ao euroasi&#225;tico, proposto por Moscou, conforme lembrado acima). Esse conceito incluiria vantagens como a prote&#231;&#227;o da OTAN, enquanto exigiria a ado&#231;&#227;o, por seus novos associados, de formas de governan&#231;a e de gest&#227;o da economia segundo par&#226;metros em vigor na Europa Ocidental. Foi, ent&#227;o, criado o Eastern Partnership, uma esp&#233;cie de sala de espera para a entrada dos pa&#237;ses emancipados da ex-URSS na Uni&#227;o Europeia. Putin, como tem sido divulgado, vem avaliando desfavoravelmente as iniciativas dessa parceria, que entenderia ser perigosa intromiss&#227;o militar e econ&#244;mica ocidental pr&#243;xima a fronteiras russas. Esse Eastern Partnership, portanto, teria obtido dois resultados adversos: a R&#250;ssia sentiu-se provocada; e os par&#226;metros exigidos para o ingresso de novos membros t&#234;m sido elevados demais. No que diz respeito &#224; Belarus, por exemplo, houve dificuldades em avan&#231;ar no processo de aproxima&#231;&#227;o da UE, em virtude da falta de compromisso de Minsk com reformas nos sistemas pol&#237;tico e judici&#225;rio. Dessa forma, a Uni&#227;o Europeia tem mantido regime de san&#231;&#245;es &#224; Belarus, alegando a continuidade das viola&#231;&#245;es de direitos humanos e da repress&#227;o &#224; atua&#231;&#227;o da sociedade civil. As san&#231;&#245;es incluem proibi&#231;&#245;es de viagens e de movimenta&#231;&#227;o de ativos de mais de 230 pessoas ligadas, direta ou indiretamente, ao governo bielorrusso.</p><h2><strong>A situa&#231;&#227;o interna de Belarus</strong></h2><p>&nbsp;Liberdades pol&#237;ticas na Belarus s&#227;o severamente restritas, em compara&#231;&#227;o com outros pa&#237;ses europeus. As autoridades locais, contudo, est&#227;o longe de controlar todas as esferas da sociedade, como acontece em outros Estados autorit&#225;rios. Elei&#231;&#245;es aqui n&#227;o t&#234;m sido consideradas livres e justas. N&#227;o h&#225; separa&#231;&#227;o de poderes entre o Executivo, o Judici&#225;rio e o Legislativo. O sistema de decis&#245;es pol&#237;ticas &#233; determinado pelo ou em nome do poder presidencial. As autoridades bielorrussas buscam silenciar fontes alternativas de informa&#231;&#227;o que n&#227;o estejam sob seu controle. Embora a Internet seja amplamente acess&#237;vel no pa&#237;s, &#233; limitada a liberdade de express&#227;o nos jornais e na m&#237;dia eletr&#244;nica. Ademais, os websites dos partidos de oposi&#231;&#227;o s&#227;o alvos frequentes de ataques de hackers, que se acredita sejam promovidos pelo Estado. Partidos de oposi&#231;&#227;o existem, mas, na pr&#225;tica, n&#227;o s&#227;o permitidos a exercerem participa&#231;&#227;o pol&#237;tica em processos de tomada de decis&#245;es, sem poderem ser eleitos para o Parlamento ou outras institui&#231;&#245;es representativas. Enquanto isso, cidad&#227;os bielorrussos t&#234;m autoriza&#231;&#227;o para viajar ao exterior. H&#225; toler&#226;ncia, na maioria das vezes, a cr&#237;ticas &#224;s autoridades em discuss&#245;es privadas. Ativistas de oposi&#231;&#227;o mais ativos e jornalistas, com frequ&#234;ncia, s&#227;o multados ou sentenciados &#224; pris&#227;o. A participa&#231;&#227;o em demonstra&#231;&#245;es n&#227;o autorizadas (a maioria das que se op&#245;em ao governo n&#227;o o s&#227;o) podem resultar entre 5 e 15 dias de deten&#231;&#227;o e uma multa. Ap&#243;s as elei&#231;&#245;es de 19 de dezembro de 2010, liberdades pol&#237;ticas passaram a sofrer novas restri&#231;&#245;es. Algumas dezenas de l&#237;deres oposicionistas, inclusive candidatos a Presidente, foram processados por protestarem contra a falsifica&#231;&#227;o dos resultados eleitorais. Alguns foram condenados a v&#225;rios anos de pris&#227;o.</p><h2><strong>O fen&#244;meno Minsk</strong></h2><p>Recentemente, passou-se a identificar a exist&#234;ncia de um modelo pr&#243;prio de sustenta&#231;&#227;o ou mecanismo ideol&#243;gico de inspira&#231;&#227;o para que a Belarus possa sobreviver, com identidade nacional independente, diante das press&#245;es vindas de ambas suas fronteiras. Observadores locais, nessa perspectiva, passaram a acreditar ser poss&#237;vel identificar algo chamado de o &#8220;Fen&#244;meno Minsk&#8221;, que seria, para os dirigentes bielorrussos, cen&#225;rio alternativo mais desej&#225;vel do que os da aproxima&#231;&#227;o das formas de governan&#231;a almejadas pela Uni&#227;o Europeia ou da simples incorpora&#231;&#227;o &#224; R&#250;ssia. Para os que adotam tal ponto de vista, o fen&#244;meno abrangeria conceitos como o de que esta capital apresenta aspectos de modernidade, em pa&#237;s que cultiva tradi&#231;&#245;es sovi&#233;ticas, sabidamente associadas com atraso socioecon&#244;mico. Sem d&#250;vida, Minsk exibe amplas avenidas, parques arborizados e floridos, tudo imaculadamente limpo, sem mendigos e com seguran&#231;a, edif&#237;cios altos que combinam estilo neocl&#225;ssico com gigantismo. Nesse sentido, com a destrui&#231;&#227;o causada apela &#8220;Grande Guerra Patri&#243;tica&#8221;, pr&#233;dios antigos n&#227;o foram reconstru&#237;dos, assim como deixou de existir &#8220;o bairro judeu&#8221;, com a eleva&#231;&#227;o no local deste de um Pal&#225;cio dos Esportes. Monumentos dedicados &#224; vit&#243;ria foram constru&#237;dos por toda parte, inclusive o consagrado aos her&#243;is da Grande Guerra Patri&#243;tica, onde flutua talvez a &#250;nica bandeira sovi&#233;tica, no mundo atual, vermelha com a foice e o martelo. Est&#225;tua de Lenin foi erguida em frente ao imponente pr&#233;dio do Parlamento, enquanto a impressionante sede da KGB (sim, mantida com o mesmo nome antigo) permanece, ironicamente, na Avenida Independ&#234;ncia. A majestosa Biblioteca Nacional lembra uma c&#225;psula espacial, mas ainda mant&#233;m certo ran&#231;o sovi&#233;tico. Da&#237;, sempre de acordo com o mesmo setor de opini&#227;o, os atuais dirigentes bielorrussos buscariam, para se manter no poder, &#8220;construir uma na&#231;&#227;o&#8221; a partir do &#8220;espa&#231;o sovi&#233;tico da capital do pa&#237;s&#8221;. Isto &#233;, a Belarus emergiu, na d&#233;cada de 1990, como uma &#8220;rep&#250;blica p&#243;s-sovi&#233;tica com um modelo de sustenta&#231;&#227;o sovi&#233;tico&#8221;, sem conceder espa&#231;o para o desenvolvimento de uma na&#231;&#227;o com caracter&#237;sticas pr&#243;prias. Assim, conforme mencionado nos par&#225;grafos acima, a apar&#234;ncia f&#237;sica de Minsk e sua cultura mant&#234;m tradi&#231;&#245;es sovi&#233;ticas, enquanto &#8220;manifestam e simbolizam sua identidade p&#243;s-sovi&#233;tica&#8221;, a cidade fortalece tamb&#233;m sua influ&#234;ncia sobre o resto do pa&#237;s. Esse desenvolvimento tem sido incrementado por Alexander Lukashenko, que, para justificar suas sucessivas reelei&#231;&#245;es, se associa a tradi&#231;&#245;es que glorificam conquistas sovi&#233;ticas. Cabe mencionar, a prop&#243;sito, que a proemin&#234;ncia de Minsk na Belarus &#233; distinta, entre as capitais das antigas Rep&#250;blicas Sovi&#233;ticas, em seu entorno geogr&#225;fico. Na R&#250;ssia, como se sabe, haveria disputa entre Moscou e S&#227;o Petersburgo, e, na Ucr&#226;nia, entre Kiev e Donetsk.</p><p>&nbsp;A domin&#226;ncia de Minsk &#233; refor&#231;ada, ainda, pelo fato de que, enquanto a popula&#231;&#227;o bielorrussa vem declinando, a desta cidade tem crescido. Espera-se que, em breve, a capital venha a concentrar um quarto da popula&#231;&#227;o do pa&#237;s, no momento, com cerca de 9,3 milh&#245;es de habitantes. O Fen&#244;meno Minsk, portanto, seria uma esp&#233;cie de &#8220;wishful thinking&#8221; &#8211; uma f&#243;rmula, talvez, para manter no poder os atuais dirigentes, atrav&#233;s da mobiliza&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o urbana, que continuaria a se beneficiar da moderniza&#231;&#227;o da capital.</p><p>Ao contr&#225;rio da motiva&#231;&#227;o da &#8220;Euromaidan-style uprising&#8221;, ocorrido em Kiev, h&#225; seis anos, no entanto, a contradi&#231;&#227;o principal bielorrussa &#233; explicada por fatores internos, e n&#227;o apenas por &nbsp;interfer&#234;ncia externa. N&#227;o existe, portanto, aporte significativo de car&#225;ter militar de pa&#237;ses vizinhos ocidentais &#224; Belarus, que, ademais, n&#227;o acenou de forma convicta quanto a poss&#237;vel associa&#231;&#227;o &#224; Uni&#227;o Europeia ou &#224; OTAN. Essa realidade contrasta com a situa&#231;&#227;o ucraniana, em 2014. Segundo entendido, o Governo de Kiev havia efetuado esfor&#231;os &#8211; e posteriormente recuado &#8211; no sentido de integra&#231;&#227;o a institui&#231;&#245;es da Uni&#227;o Europeia. Bruxelas teria retribu&#237;do o interesse. Assim, apesar de alguns observadores situados fora de Minsk identificarem partidos pol&#237;ticos bielorrussos com vi&#233;s pr&#243;-ocidental, as demonstra&#231;&#245;es populares s&#227;o fortemente condicionadas por din&#226;mica local, devido ao ac&#250;mulo de queixas contra 26 anos de autoritarismo. H&#225; quem veja maiores semelhan&#231;as, entre o momento atual da pol&#237;tica interna da Belarus, com as demonstra&#231;&#245;es ocorridas na R&#250;ssia, em 2011, em protesto contra os resultados de elei&#231;&#245;es parlamentares. Os dois integrantes da Uni&#227;o de Estados, contudo, permanecem alinhados estrategicamente e pretendem estreitar sua coopera&#231;&#227;o na &#225;rea de seguran&#231;a.</p><p>&nbsp;<strong>CEN&#193;RIOS FUTUROS</strong></p><p>Os protestos em curso devem levar a mudan&#231;as no cen&#225;rio interno. N&#227;o est&#225; claro, ainda, se a Belarus se tornar&#225; ainda mais repressiva e dependente da R&#250;ssia ou se seu regime pol&#237;tico tornar-se-&#225; &#8220;mais liberal.&#8221; A respeito, vale notar que os manifestantes atuais incluem grupos adicionais aos costumeiros intelectuais, que compareceram em ocasi&#245;es anteriores, na medida em que, agora, predominam &nbsp;jovens que, conforme j&#225; mencionado, nunca conheceram outro Presidente, al&#233;m de Lukashenko, nos &#250;ltimos 26 anos. Ademais, as recentes greves de oper&#225;rios de grandes empresas estatais &#233; algo sem precedentes, desde 1991. Sem precedentes, tamb&#233;m, tem sido a greve nos meios de comunica&#231;&#227;o estatais, obrigando o Governo a contratar funcion&#225;rios russos para operar televis&#227;o e r&#225;dio.</p><p>A respeito de semelhan&#231;as e diferen&#231;as entre o acontecido na Ucr&#226;nia e o momento atual na Belarus, cabe registrar, tamb&#233;m,&nbsp; o fato de que, em ambos os casos, houve revolta contra a reelei&#231;&#227;o de presidentes &#8220;pr&#243; R&#250;ssia&#8221;. Os protestos bielorrussos, em 2020, contudo, n&#227;o representam organiza&#231;&#227;o ou lideran&#231;a alguma organizada como &#8220;oposi&#231;&#227;o&#8221;. S&#227;o espont&#226;neos e, simplesmente anti-Lukashenko. Segundo noticiado, contam com a simpatia de poderosos grupos industriais e financeiros russos, descontentes com poucas oportunidades oferecidas por Lukashenko.&nbsp; A principal concorrente, durante as elei&#231;&#245;es, foi a Sra. Sviatlana Tsikhanouskaya, pessoa sem carisma, nenhuma experi&#234;ncia gerencial e completamente desconhecida.</p><p>Desde o in&#237;cio das manifesta&#231;&#245;es, o n&#237;vel de brutalidade policial tem sido maior do que o acontecido na Ucr&#226;nia. Pelo menos dois jovens foram mortos e milhares foram presos e torturados, sobrecarregando as pris&#245;es atrav&#233;s do pa&#237;s, segundo noticiado. H&#225; limita&#231;&#245;es ao uso da internet, levando &#224; popula&#231;&#227;o a recorrer a meios de comunica&#231;&#227;o do exterior. N&#227;o houve, ainda, registro de emprego de armas de fogo contra os protestos, na forma utilizada na Crimeia e Donbas.</p><p>Em 18 de agosto, Lukashenko reuniu seu Conselho de Seguran&#231;a Nacional, com vistas a discutir &#8220;interfer&#234;ncia externa&#8221;, nos protestos em quest&#227;o. Citou amea&#231;as nas &#8220;fronteiras ocidentais&#8221;, apesar de, havia algumas semanas, ter apontado a R&#250;ssia, como principal amea&#231;a. Tal mudan&#231;a de discurso acredita-se, &#233; devida a condi&#231;&#245;es impostas por Putin &#8211; durante di&#225;logos telef&#244;nicos &#8211; no sentido de &#8220;intervir militarmente a favor do Presidente bielorrusso, diante de amea&#231;as externas&#8221;. Neste caso, acredita-se, n&#227;o seria necess&#225;rio haver deslocamento de tropas da R&#250;ssia, pois parte destas j&#225; se encontram na Belarus, em virtude de acordos previstos.</p><p>Especula-se quanto &#224; possibilidade de que for&#231;as especiais russas seriam trazidas por helic&#243;pteros, ao contr&#225;rio do emprego de soldados de infantaria transportados por caminh&#245;es. Em contrapartida, &#233; argumentado que a Belarus conta com n&#250;mero suficiente destas &#8220;special forces&#8221; e que o problema maior poder&#225; ser o de policiar as ruas, nas principais cidades, caso as manifesta&#231;&#245;es perdurem.</p><p>De qualquer forma, a discuss&#227;o evidencia que h&#225; s&#233;rias d&#250;vidas quanto &#224; fidelidade do pr&#243;prio aparato de seguran&#231;a bielorrusso &#8211; considerado o maior do mundo per capita da popula&#231;&#227;o &#8211; ao Presidente. Seria, portanto, conveniente poder contar com o apoio militar do pa&#237;s vizinho.</p><p>Assim, as demonstra&#231;&#245;es populares na Belarus seguem din&#226;mica local, contra 26 anos de autoritarismo. Especula-se sobre poss&#237;vel envolvimento de Moscou nos protestos. N&#227;o seria impens&#225;vel alguma interfer&#234;ncia russa para arrefecer esfor&#231;os de Lukashenko no sentido de diminuir a depend&#234;ncia de recursos energ&#233;ticos do vizinho gigantesco. Mas, desestabilizar totalmente o regime local contrariaria interesses maiores do Kremlin, em pa&#237;s fronteiri&#231;o da OTAN.&nbsp; Caso a Uni&#227;o Europeia, como protesto contra a pris&#227;o e morte de manifestantes, introduza novas san&#231;&#245;es contra Minsk, esta poder&#225; aproximar-se mais ainda de Moscou.</p><p>De acordo com Andrei Yeliseyeu, Diretor de Pesquiza do &#8220;EAST Center&#8221;, em seu artigo &#8220;Belarus at a Crossroads: Political, Regime Transformation and Future Scenarios&#8221;, em setembro de 2020, &#8220;Alguns setores de opini&#227;o come&#231;am a prever que a perda de legitimidade internacional do regime de Lukashenko poder&#225; levar a integra&#231;&#227;o mais profunda com a R&#250;ssia. Como se sabe, Moscou n&#227;o se constrange com a &#8220;anexa&#231;&#227;o de estados n&#227;o reconhecidos&#8221;, como &#233; o caso de &nbsp;Donbas, Ossetia do Sul, Abkhazia e Transnistria.&#8221; Segundo este ponto de vista, a Belarus estaria indo neste caminho, apesar de, com a desintegra&#231;&#227;o da antiga Uni&#227;o Sovi&#233;tica, ter sido reconhecida, pela Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas, como Estado independente.</p><p>&#8220;A Belarus n&#227;o se situa na Europa, mas na fronteira com a Europa, entre a Europa e a R&#250;ssia,&#8221; de acordo com este ponto de vista. N&#227;o haveria compara&#231;&#227;o com a Ucr&#226;nia ou a Georgia. A Belarus &#8220;est&#225; certamente estreitamente vinculada &#224; R&#250;ssia e a maioria de sua popula&#231;&#227;o favoreceria v&#237;nculos mais estreitos com a R&#250;ssia&#8221; opina&nbsp; Andrei Yeliseyeu.</p><p>O mesmo autor acredita que este tipo de compromisso poderia ser aceito pela Uni&#227;o Europeia, na medida em que &#8220;se livraria de pa&#237;s com respeito ao qual teria o m&#237;nimo interesse, enquanto ocupa a UE com problemas de direitos humanos e aus&#234;ncia de liberdade pol&#237;tica&#8221;. Sua incorpora&#231;&#227;o &#224; R&#250;ssia unificaria os problemas j&#225; existentes com Moscou, que passaria a ser o &#250;nico interlocutor. De qualquer forma, a previs&#227;o de pr&#243;ximo encontro entre Lukashenko e Putin, poder&#225; indicar os rumos que a quest&#227;o bielorrussa poder&#225; seguir.</p><p>&nbsp;O pior cen&#225;rio seria uma eventual transi&#231;&#227;o desordenada, caso Lukashenko largue o poder. Novo per&#237;odo de instabilidade seria desastroso para o sofrido povo bielorrusso, que, nos &#250;ltimos anos, soube construir um pa&#237;s organizado e seguro, apesar das limita&#231;&#245;es ao exerc&#237;cio de liberdades democr&#225;ticas, impostas pelo aparato de seguran&#231;a do atual regime.</p><h2>Sobre o autor</h2><p>Paulo Antonio Pereira Pinto &#233; embaixador aposentado.</p><h2>Como citar este artigo</h2><p>[cite]</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A country on the fence: United Kingdom’s perceptions of the status and international agenda of Brazil, uma entrevista com Daniel Buarque, por Yasmin Paes]]></title><description><![CDATA[O artigo publicado no vol.]]></description><link>https://www.mundorama.net/p/a-country-on-the-fence-united-kingdoms-perceptions-of-the-status-and-international-agenda-of-brazil-uma-entrevista-com-daniel-buarque-por-yasmin-paes</link><guid isPermaLink="false">https://www.mundorama.net/p/a-country-on-the-fence-united-kingdoms-perceptions-of-the-status-and-international-agenda-of-brazil-uma-entrevista-com-daniel-buarque-por-yasmin-paes</guid><dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Lessa]]></dc:creator><pubDate>Thu, 10 Sep 2020 15:08:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JY7j!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61b0a6e7-461f-4248-8727-f741b4c49eca_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O artigo publicado no&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0034-732920200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso">vol. 63, n. 1</a>&nbsp;da Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional intitulado &#8220;<em><a href="https://doi.org/10.1590/0034-7329202000112">A country&nbsp;on&nbsp;the&nbsp;fence: United&nbsp;Kingdom&#8217;s&nbsp;perceptions&nbsp;of&nbsp;the&nbsp;status&nbsp;and&nbsp;international&nbsp;agenda&nbsp;of&nbsp;Brazil</a></em>&#8221; aborda as percep&#231;&#245;es do Reino Unido sobre a posi&#231;&#227;o do Brasil na pol&#237;tica internacional. O artigo busca contribuir para o estudo do status nas Rela&#231;&#245;es Internacionais, utilizando-se de um paradigma qualitativo, focado em percep&#231;&#245;es e intersubjetividade. Um dos elementos principais para a determina&#231;&#227;o de status &#233; ter o reconhecimento de outros pa&#237;ses, especialmente de pa&#237;ses com grande status na hierarquia internacional. Para tanto, o autor entrevistou diplomatas brit&#226;nicos de alto escal&#227;o que serviram no Brasil com a finalidade de apresentar uma amostra da percep&#231;&#227;o da comunidade de pol&#237;tica externa do Reino Unido sobre o posicionamento brasileiro em assuntos cr&#237;ticos da agenda internacional. A percep&#231;&#227;o desses diplomatas &#233; que o Brasil teria uma ideia equivocada do status que realmente possui, acreditando ser um ator mais importante do que realmente &#233;. A principal congru&#234;ncia observada nas respostas dos entrevistados &#233; de que o Brasil frequentemente adota uma conduta neutra e evita comprometimento, denotando uma postura incoerente para um pa&#237;s que deseja ter maior relev&#226;ncia no contexto mundial.&nbsp;&nbsp;</p><p>Daniel Buarque&nbsp;concedeu&nbsp;entrevista sobre sua pesquisa a Yasmin Paes, mestranda em An&#225;lise e Gest&#227;o de Pol&#237;ticas Internacionais na Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica do Rio de Janeiro.&#8239;&nbsp;</p><p><strong>Em seu artigo, voc&#234;&nbsp;aborda como estudos&nbsp;anteriores&nbsp;sobre status nas Rela&#231;&#245;es Internacionais&nbsp;giravam em torno do desenvolvimento de m&#233;todos quantitativos para medir status. Assim, sua pesquisa &#233; uma tentativa de utilizar an&#225;lise qualitativa para preencher lacunas que n&#227;o s&#227;o&nbsp;respondidas&nbsp;atrav&#233;s de pesquisas&nbsp;quantitativas. Quais s&#227;o as principais contribui&#231;&#245;es e limita&#231;&#245;es encontradas no uso de uma abordagem qualitativa para o estudo do status nas RI?</strong>&nbsp;</p><p>A contribui&#231;&#227;o mais interessante de um estudo qualitativo feito dessa forma &#233; a de considerar a import&#226;ncia do olhar do outro, da percep&#231;&#227;o externa,&nbsp;e do reconhecimento&nbsp;para&nbsp;a consolida&#231;&#227;o do status de um pa&#237;s. Na literatura em ingl&#234;s, fala-se do &#8220;eye of the beholder&#8221;, que &#233; fundamental na quest&#227;o do car&#225;ter intersubjetivo do status, mas que muitas vezes &#233; deixado de lado por pesquisas dessa &#225;rea, abrindo uma lacuna importante nos estudos de status.&nbsp;&nbsp;</p><p>A abordagem qualitativa que uso em minha pesquisa considera essas percep&#231;&#245;es subjetivas de membros da comunidade de pol&#237;tica externa de um pa&#237;s como parte da constru&#231;&#227;o intersubjetiva do status internacional do Brasil. O estudo sobre status tem origem em pesquisas de Sociologia, Economia e Psicologia que falam muito dessa import&#226;ncia do reconhecimento externo da posi&#231;&#227;o hier&#225;rquica de um pa&#237;s. O uso dessas teorias em rela&#231;&#245;es internacionais passa pela ideia da constante luta pelo reconhecimento (que &#233; muito discutida desde a obra de Hegel e se reflete em trabalhos importantes de RI). O status de um pa&#237;s n&#227;o &#233; o que ele busca ou quer que seja, mas aquele que os outros pa&#237;ses reconhecem como real. E este reconhecimento pode se revelar atrav&#233;s da percep&#231;&#227;o subjetiva de atores relevantes da pol&#237;tica externa, como diplomatas e outros membros da comunidade de pol&#237;tica externa global. Isso cria um ponto de an&#225;lise muito importante para a discuss&#227;o sobre o lugar do Brasil no mundo e o papel que o pa&#237;s pode ter. N&#227;o necessariamente para o pa&#237;s se encaixar no que se espera dele, mas para o pa&#237;s poder planejar melhor suas estrat&#233;gias de amplia&#231;&#227;o de status e reconhecimento.&nbsp;</p><p>Este tipo de abordagem n&#227;o &#233; muito comum nas pesquisas sobre status internacional, que muitas vezes focam estudos quantitativos&nbsp;com base em informa&#231;&#245;es sobre representa&#231;&#245;es diplom&#225;ticas, por exemplo,&nbsp;ou em an&#225;lises&nbsp;de pol&#237;tica externa que avaliam estrat&#233;gias usadas para tentar promover o status do pa&#237;s.&nbsp;Isso se d&#225; pelo fato de que &#233; praticamente imposs&#237;vel&nbsp;realmente&nbsp;medir e avaliar todas as percep&#231;&#245;es externas e entender todas as nuances sobre este olhar do outro, o que cria uma limita&#231;&#227;o&nbsp;pr&#225;tica&nbsp;para estudos qualitativos.&nbsp;Al&#233;m disso, pode-se criticar o uso de entrevistas como sendo incapaz de revelar o que os atores de pol&#237;tica externa realmente pensam sobre um pa&#237;s.&nbsp;Essas&nbsp;impossibilidades&nbsp;s&#227;o&nbsp;limita&#231;&#245;es&nbsp;reais&nbsp;do m&#233;todo qualitativo, que n&#227;o gera dados capazes de representar toda a realidade estudada, mas avalia apenas uma amostra dessas percep&#231;&#245;es.&nbsp;</p><p>Acontece que o paradigma da pesquisa qualitativa empregada no meu estudo n&#227;o se prop&#245;e a&nbsp;revelar&nbsp;&#8220;a verdade absoluta&#8221; em&nbsp;dados de toda a realidade sobre status do Brasil em rela&#231;&#245;es internacionais. A abordagem qualitativa prop&#245;e uma avalia&#231;&#227;o reflexiva&nbsp;e metodologicamente embasada&nbsp;sobre uma poss&#237;vel interpreta&#231;&#227;o da verdade sobre o status do Brasil.&nbsp;Ela se baseia na an&#225;lise&nbsp;tem&#225;tica&nbsp;de entrevistas com fontes relevantes e apresenta uma interpreta&#231;&#227;o desse contato com a percep&#231;&#227;o externa sobre o status do pa&#237;s. E aceita que entrevistas com fontes diferentes e&nbsp;analisadas por um pesquisador diferente poderiam gerar dados e interpreta&#231;&#245;es diferentes da realidade.&nbsp;&nbsp;</p><p>Isso n&#227;o reduz em nada a relev&#226;ncia do que &#233; apresentado pela pesquisa, mas &#233; um paradigma realmente diferente do adotado por estudos quantitativos.&nbsp;A discuss&#227;o sobre a percep&#231;&#227;o subjetiva dos diplomatas entrevistados s&#227;o uma base importante para entender o status do Brasil a partir da quest&#227;o da intersubjetividade, e traz uma abordagem importante para o debate da pol&#237;tica externa do Brasil.&nbsp;A interpreta&#231;&#227;o desses dados mostra, por exemplo, que uma postura tradicional da pol&#237;tica externa brasileira, a da neutralidade, n&#227;o &#233; vista externamente como sendo favor&#225;vel ao projeto do pa&#237;s de ampliar seu status. &#201; uma conclus&#227;o a que dificilmente se poderia chegar sem uma abordagem qualitativa, e que possivelmente n&#227;o apareceria em um levantamento quantitativo sobre o status do Brasil. Portanto h&#225; uma contribui&#231;&#227;o importante trazida por esta abordagem, que pode revelar o olhar externo sobre o pa&#237;s e levar a&nbsp;discuss&#245;es mais profundas e embasadas sobre os objetivos e estrat&#233;gias de pol&#237;tica externa &#8211;&nbsp;bem como abre um caminho para novas pesquisas qualitativas e quantitativas para desenvolver ainda mais o conhecimento sobre este tipo e interpreta&#231;&#227;o sobre o pa&#237;s.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p><strong>Como abordado no artigo, as entrevistas realizadas com seis diplomatas brit&#226;nicos n&#227;o refletem a percep&#231;&#227;o de todos&nbsp;os representantes do&nbsp;Reino Unido sobre o status do Brasil, mas s&#227;o uma amostra do que a comunidade de pol&#237;tica externa brit&#226;ncia observa em rela&#231;&#227;o ao nosso pa&#237;s.&nbsp;Considerando a&nbsp;escolha da metodologia de an&#225;lise tem&#225;tica&nbsp;reflexiva, em que medida as percep&#231;&#245;es desses diplomatas poderiam se aproximar do discurso oficial da pol&#237;tica externa brit&#226;nica sobre o Brasil?</strong>&nbsp;</p><p>A aproxima&#231;&#227;o das opini&#245;es dos entrevistados com o discurso oficial &#233; um tanto natural por eles serem membros do FCO, uma institui&#231;&#227;o governamental, e terem trabalhado por anos em torno da pol&#237;tica externa oficial do Reino Unido em rela&#231;&#227;o ao Brasil. As entrevistas n&#227;o buscaram, entretanto, entender necessariamente o &#8220;discurso oficial&#8221; da pol&#237;tica externa brit&#226;nica, mas tentaram&nbsp;revelar um lado mais subliminar sobre o que a comunidade da pol&#237;tica externa do pa&#237;s pensa em rela&#231;&#227;o ao Brasil e o lugar e o papel que o pa&#237;s pode ter no mundo.&nbsp;A ideia de fazer as entrevistas de forma semi-estruturada,&nbsp;de perguntar sobre opini&#245;es pessoais,&nbsp;de oferecer anonimato&nbsp;&#224;s fontes, de falar de forma mais livre, era justamente tentar ir al&#233;m do discurso oficial. As&nbsp;entrevistas buscaram descobrir&nbsp;as ideias&nbsp;de pessoas dessa comunidade brit&#226;nica&nbsp;a respeito do Brasil.&nbsp;&nbsp;</p><p>Isso foi de certa forma bem-sucedido. Por mais que haja posturas oficiais do Reino Unido cobrando um posicionamento do Brasil em algumas quest&#245;es internacionais (como no caso da disputa com a R&#250;ssia por conta de envenenamentos no Reino Unido), a avalia&#231;&#227;o de que o Brasil com frequ&#234;ncia fica &#8220;em cima do muro&#8221; vai bem al&#233;m desse discurso oficial. Da mesma forma, a percep&#231;&#227;o de que o Brasil se acha mais importante do que realmente &#233; tamb&#233;m n&#227;o faz parte do discurso oficial &#8211;&nbsp;e ficou evidente nas entrevistas.&nbsp;</p><p>Se a pergunta for em torno do quanto essas seis entrevistas s&#227;o de fato representativas da opini&#227;o geral de toda a comunidade de pol&#237;tica externa do Reino Unido, a resposta est&#225; mais ligada ao que tratamos na primeira pergunta. Os entrevistados s&#227;o diplomatas de alto n&#237;vel e conhecem com profundidade os detalhes da posi&#231;&#227;o brit&#226;nica em rela&#231;&#227;o ao Brasil, mas &#233; claro que outros entrevistados (e outro entrevistador) poderiam gerar dados e interpreta&#231;&#245;es diferentes. Ainda assim, a an&#225;lise apresentada tem relev&#226;ncia e mostra&nbsp;a percep&#231;&#227;o de um grupo relevante da comunidade de pol&#237;tica externa do Reino Unido.&nbsp;</p><p>Um ponto interessante dessa quest&#227;o sobre as opini&#245;es dos entrevistados e o &#8220;discurso oficial&#8221; &#233; que esses diplomatas muitas vezes demonstram que gostariam que o Brasil tivesse mais relev&#226;ncia para o Reino Unido, e fosse mais conhecido no pa&#237;s (pela popula&#231;&#227;o e pelos pol&#237;ticos). Eles relatam o trabalho que tiveram para levar o pa&#237;s ao centro de alguns debates da pol&#237;tica externa brit&#226;nica, e a tentativa de mostrar para pol&#237;ticos ingleses que n&#227;o prestam tanta aten&#231;&#227;o ao Brasil as oportunidades de uma aproxima&#231;&#227;o entre os dois pa&#237;ses. Uma anedota contada por mais de um dos diplomatas fala sobre a surpresa de premi&#234;s brit&#226;nicos que viajam ao Brasil e &#8220;descobrem&#8221; que S&#227;o Paulo &#233; uma grande metr&#243;pole, por exemplo.&nbsp;&nbsp;</p><p>Portanto v&#234;-se que as entrevistas revelam um lado mais subliminar dessa percep&#231;&#227;o externa sobre o pa&#237;s e seu papel no mundo. Este era um dos objetivos da pesquisa.&nbsp;</p><p><strong>O Reino Unido &#233; um dos cinco membros&nbsp;permanentes&nbsp;do Conselho de Seguran&#231;a das Na&#231;&#245;es Unidas&nbsp;(CSNU)&nbsp;e possui alto status dentro da comunidade internacional.&nbsp;Sabe-se que a reforma do CSNU e a inclus&#227;o de mais assentos permanentes&nbsp;depende da&nbsp;vontade dos atuais membros em abrirem m&#227;o do status quo.&nbsp;Como abordado no artigo,&nbsp;o&nbsp;Reino Unido&nbsp;apoia&nbsp;formalmente&nbsp;a campanha brasileira por uma&nbsp;cadeira&nbsp;permanente no Conselho e&nbsp;deseja ver o Brasil desenvolver&nbsp;seu&nbsp;protagonismo internacional.&nbsp;Se por um lado,&nbsp;as entrevistas com os diplomatas brit&#226;nicos indicam que&nbsp;o comportamento&nbsp;brasileiro&nbsp;em n&#227;o tomar&nbsp;partido&nbsp;e ficar &#8220;em cima do muro&#8221; n&#227;o contribui para a consecu&#231;&#227;o desses anseios, por outro lado, a reforma do CSNU pode n&#227;o ocorrer pelo motivo j&#225; citado e o Brasil nunca conseguir&#225; de fato ascender da forma que deseja.&nbsp;Em que medida&nbsp;a percep&#231;&#227;o&nbsp;brit&#226;nica&nbsp;sobre&nbsp;neutralidade brasileira poderia refletir uma percep&#231;&#227;o similar de outros membros permanentes e influenciar a busca&nbsp;do Brasil&nbsp;por protagonismo na comunidade internacional?</strong>&nbsp;</p><p>Esta &#233; uma quest&#227;o muito importante, e faz parte do trabalho que estou desenvolvendo em minha pesquisa de doutorado pelo&nbsp;King&#8217;s&nbsp;College&nbsp;London e pelo IRI/USP. O artigo publicado pela RBPI &#233; uma amostra desse estudo mais amplo que estou fazendo na tese de conclus&#227;o do doutorado. Minha pesquisa avalia o status do Brasil e sua agenda internacional a partir da percep&#231;&#227;o da comunidade de pol&#237;tica externa dos cinco pa&#237;ses que s&#227;o membros permanentes do CSNU (EUA, Reino Unido, Fran&#231;a, R&#250;ssia e China). Enquanto o artigo avalia 6 entrevistas com diplomatas brit&#226;nicos, este estudo do doutorado &#233; baseado em uma metodologia semelhante, de an&#225;lise tem&#225;tica reflexiva, mas tem como base de dados 94 entrevistas que conduzi com representantes desses cinco pa&#237;ses. &#201; uma an&#225;lise muito mais ampla sobre o status do Brasil a partir da &#243;tica de observadores em pa&#237;ses que t&#234;m alto status global.&nbsp;&nbsp;</p><p>O corpo de dados &#233; muito rico, inclui cerca de 60 horas de grava&#231;&#245;es&nbsp;de entrevistas&nbsp;e resultou em cerca de 500 p&#225;ginas de transcri&#231;&#245;es. A an&#225;lise desses dados revelou muitos temas relevantes e vai gerar&nbsp;um trabalho muito mais aprofundado sobre o status do Brasil a partir da perspectiva intersubjetiva. &#201; uma an&#225;lise que busca saber exatamente essa percep&#231;&#227;o externa sobre a busca do Brasil por protagonismo internacional.&nbsp;</p><p>Uma avalia&#231;&#227;o inicial dos dados mostra que esta avalia&#231;&#227;o cr&#237;tica sobre a neutralidade&nbsp;representar&nbsp;o Brasil&nbsp;&#8220;em cima do muro&#8221; aparece em outras entrevistas, mas&nbsp;estava muito mais&nbsp;claramente&nbsp;na amostra de dados representando o Reino Unido. Quando consideradas as percep&#231;&#245;es dos cinco pa&#237;ses,&nbsp;o posicionamento aparenta ser mais amplo, indicando que o Brasil tem ambi&#231;&#227;o&nbsp;de ser um ator pol&#237;tico global e importante, mas n&#227;o parece ter uma pol&#237;tica externa consistente. Os dados dos cinco pa&#237;ses tamb&#233;m refletem a percep&#231;&#227;o de que o Brasil se acha mais importante do que realmente &#233;, mas que n&#227;o parece&nbsp;disposto a assumir&nbsp;as responsabilidades atreladas a um status maior, como o de membro permanente do CSNU.&nbsp;&nbsp;</p><p>Entender as avalia&#231;&#245;es dos cinco membros permanentes do CSNU a respeito do Brasil &#233; um trabalho muito mais aprofundado e complexo, mas que tamb&#233;m deve trazer uma contribui&#231;&#227;o importante para estudos de RI ao usar uma abordagem qualitativa e enfocar a ideia da intersubjetividade do status do pa&#237;s no mundo.&nbsp;</p><h2>Leia o artigo&nbsp;</h2><p>Buarque, Daniel. (2020). A country&nbsp;on&nbsp;the&nbsp;fence: United&nbsp;Kingdom&#8217;s&nbsp;perceptions&nbsp;of&nbsp;the&nbsp;status&nbsp;and&nbsp;international&nbsp;agenda&nbsp;of&nbsp;Brazil. Revista Brasileira de Pol&#237;tica Internacional, 63(1), e012.&nbsp;Epub&nbsp;September&nbsp;07, 2020.<a href="https://doi.org/10.1590/0034-7329202000112&amp;nbsp">https://doi.org/10.1590/0034-7329202000112&amp;nbsp</a>;</p><h2>Sobre os autores&nbsp;</h2><p>Daniel Buarque,&nbsp;King&#8217;s&nbsp;College&nbsp;London,&nbsp;Brazil&nbsp;Institute, London, United&nbsp;Kingdom&nbsp;.</p><p>Yasmin Paes, mestranda em An&#225;lise e Gest&#227;o de Pol&#237;ticas Internacionais na Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica do Rio de Janeiro.&nbsp;</p><h2>Como citar esta entrevista&nbsp;</h2><p>[cite]&nbsp;</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>