¡No Pasarán! – Homenagem à passagem de Leonel Itaussu Almeida Mello (1945-2013), por Fabrício H. Chagas Bastos

Às belas homenagens encaminhadas desde o último domingo, 05 de maio de 2013, quando nos deixou o Professor Leonel Itaussu Almeida Mello, somamos esta, na tentativa de exprimir a profundidade de nossa admiração.

Antes, é importante manifestar não o sentimento de perda, de vazio, causado pela passagem. Ao contrário, não seria justo com o exemplo de luta inquebrantável, de resistência e caráter reto demonstrados ao longo de toda sua vida.

É impossível não lembrar o temperamento forte, as posições firmes e honestas, que moldaram o caráter e o espírito crítico de todos aqueles que foram tocados por sua mente iluminada, como intelectual, amigo, militante e professor.

Aguerrido e guiado por um espírito público exemplar, combatia ativamente em favor daqueles com os quais trabalhava e orientava, sobretudo, pela elevação de um país e uma sociedade melhores, adiante daquilo que era possível.

Pelo menos duas gerações de pesquisadores de Relações Internacionais do país saíram de suas mãos. Em conta rápida, contabilizam-se quase 50 pesquisadores, mestres e doutores, muitos deles lideram a área hoje.

Marcante foi sua generosidade em apoiar permanentemente todos os seus alunos, mostrando que a diferença entre os graus acadêmicos não são barreira para discussões produtivas, provando que o conhecimento é construído nas relações entre pessoas e não na clausura de bibliotecas e arquivos apenas.

Trabalhou por seus alunos, dois deles em vias de defender seus trabalhos, até os últimos dias, até as últimas horas.

Não desejava corrigir os abusos, mas sim os próprios usos. Revolucionário, pelas lutas empreendidas desde sua militância no PCB e na ALN (Ação Libertadora Nacional), pela democracia, foi preso e torturado durante a ditadura, mas nunca abandonou seus ideais. Associou sua vida acadêmica à ação concreta, política, não tendo vivido apenas entre os muros da Universidade. O intelectual orgânico grasmiciano. Provou a todos que existem caminhos diferentes ao que se espera como produção acadêmica.

E como disse em palestra no ano de 2009, “qualquer ser humano, de qualquer idade, tem alguma coisa a ensinar a quem tem disposição de aprender”. Tomou corações e mentes ao ensinar, com seu exemplo de vida, que criar outro mundo é possível.

Trouxe ao debate acadêmico a Geopolítica, que durante muitos anos foi tida como objeto de investigação estritamente entre militares, culminando nos trabalhos “Argentina e Brasil: A Balança de Poder No Cone Sul”, “Quem tem medo da Geopolítica?”, “A Geopolítica do Brasil e a Bacia do Prata”. Não só, arguto intelectual, trabalhava nos campos da Teoria e da Filosofia Política. Rara erudição.

Ecoe às próximas gerações a lição que Leonel nos deixa, vocalizando Isidora Dolores Ibárruri, La Pasionaria, de que “más vale morir de pie que vivir de rodillas! ¡no pasarán!”. A grandeza do homem – que até o fim lutou de pé e por seu trabalho, ao formar muitas gerações de internacionalistas – não passará, jamais.

Fabrício H. Chagas Bastos foi aluno de Doutorado do Prof. Leonel Itaussu Almeida Mello (fabriciohbastos@gmail.com).

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