As implicações da presença chinesa no comércio brasileiro, por Arnaldo José da Luz

As relações comerciais entre chineses e brasileiros continuaram intensas, no ano de 2011 e no primeiro mês de 2012. Nos últimos anos, as trocas comerciais entre China e Brasil mantiveram-se estáveis, e até mesmo em ascensão, conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Com a alta das exportações dos produtos agropecuários, minerais e energéticos, a China segue sendo o principal destino das vendas brasileiras. É importante ressaltar, ainda, a participação de Hong Kong, que importou expressivas somas dos produtos primários brasileiros, superando até mesmo a própria China.

Apesar de sofrerem ligeira queda, com relação a janeiro de 2011, as exportações brasileiras de produtos agropecuários iniciam o primeiro mês de 2012 muito intensas, mantendo um superávit importante para o Brasil.

Quando contabilizadas as exportações de produtos brasileiros à China, de janeiro a dezembro de 2011, somaram-se US$44.314.595.336 bilhões. No que se referem às importações oriundas do país oriental calculou-se um montante de US$32.788.236.714 bilhões, fechando um superávit favorável ao Brasil de US$11.526.358.622 bilhões, conforme tabela abaixo.

Balança comercial Brasil-China (US$ FOB) – 2011

Exportação 44.314.595.336
Importação 32.788.236.714
Superávit favorável ao Brasil 11.526.358.622
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) – Secretaria de Comércio Exterior (SECEX).

Apesar de importante o superávit brasileiro apresentado diante da China, é válido ressaltar que as vendas brasileiras se concentraram principalmente em três produtos: minérios de ferro, complexo de soja e óleos brutos de petróleo. Esses itens juntos somaram, cerca de, 80% de participação na pauta de exportação brasileira. Preocupante, pois o Brasil nos últimos anos não tem oferecido uma cesta de produtos diversificados nas negociações com os chineses, ficando atrelado às vendas dos produtos primários.

No que tange às importações de mercadorias chinesas, dois setores se destacaram: máquinas, aparelhos e materiais elétricos e reatores e máquinas nucleares que juntos somaram mais de 50% de participação nas compras brasileiras da China e obtiveram crescimentos na importação, com relação aos anos anteriores. Desta forma, fica clara a troca entre os dois países: para a China, o Brasil continua como mero exportador de matérias primas e energéticas e para o Brasil, a China aumenta cada vez mais as vendas de produtos com médio e alto valor agregado.

Em abril de 2011, a presidente Dilma Rousseff foi à China, onde ficou uma semana. Na ocasião, as conversas abordaram política internacional e investimentos, principalmente, chineses no Brasil. Esses investimentos se dariam em infraestrutura brasileira. Debateram-se também nesta visita parcerias em áreas para o desenvolvimento tecnológico, setor que o Brasil apresenta grave deficiência.

Não obstante a dificuldade de aumentar a diversidade de produtos na balança comercial, o Brasil ainda enfrenta problemas com a concorrência chinesa. Os produtos chineses inundam os mercados americanos e mexicanos, tornando mais difícil a concorrência dos produtos brasileiros que vem perdendo espaço nesses mercados. Na Argentina a vantagem é grande para o Brasil que aumentou ainda mais sua participação nas relações comerciais com os argentinos, porém a China continua ganhando espaço nas importações da Argentina.

O comércio entre a China e a região da América Latina e Caribe aumentou mais de US$ 188 bilhões em 2011, de apenas US$ 12 bilhões em 2000, de acordo com o Inter-American Development Bank, um órgão de 48 membros que fornece financiamento para 26 países na região, incluindo Argentina, Brasil, Chile e Venezuela. Em 2008, a China se tornou um membro do banco. As informações são da Dow Jones.

A China tem expandido seus negócios na América Latina, principalmente, nos principais fornecedores de produtos agropecuários, minerais e energéticos. O governo chinês se esforça para manter firme sua presença na região, utilizando-se cada vez mais de empréstimos, sendo que as transações, pelo menos em parte, poderão ser na própria moeda chinesa (yuan).

Desde o início do ano passado, o Export-Import Bank of China tem estado em discussões com o Inter-American Development Bank sobre o estabelecimento de um fundo para fornecer até US$ 1 bilhão em financiamento em yuan para projetos de infraestrutura na América Latina e no Caribe, um importante fornecedor de riqueza mineral e culturas para a China. O fundo poderá ser lançado no ano de 2012.

Sendo assim, o governo brasileiro, apesar de estar obtendo superávits comerciais diante dos chineses nos últimos anos, deve ficar atento a algumas questões sensíveis nas relações comerciais com a China, tais como: i) agregar mais tecnologia em sua pauta de exportações, para assim oferecer aos chineses uma gama de produtos com maior diversidade; e ii) ao acrescentar tecnologia em sua pauta de exportações, poderá concorrer de maneira mais competitiva com os chineses no mercado americano. Somente com os esforços do governo e dos empresários brasileiros é que o Brasil conseguirá sair da incômoda situação de país agroexportador nas relações com os chineses, para encontrar o caminho para o desenvolvimento.

 Referências

“Bancos da China tentam expandir empréstimos em Yuan na América Latina”. Disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,bancos-da-china-tentam-expandir-emprestimos-em-yuan-na-america-latina-,102235,0.htm

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/internacional/noticias/2012/02/exportacoes-para-china-batem-novo-recorde

Observatório Brasil-China. Informativo da Confederação Nacional da Indústria. Ano 4 Número 1 março de 2011. Disponível em: www.cni.org.br

 

Arnaldo José da Luz é Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná – UFPR. (arnaldo506@gmail.com)

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3 Comentários em As implicações da presença chinesa no comércio brasileiro, por Arnaldo José da Luz

  1. Realmente Klaus ! Tem toda razao ! Diferente dos ooturs paises, onde o governo trabalha para o povo, aqui infelizmente nosso pais sempre emperra o desenvolvimento do seu povo. Obrigado pelo seu comentario !

  2. Excelente artigo! É interessante notar que apesar de ser agora a 6º economia mundial o Brasil ainda é tímido no comércio mundial, participando com apenas 1%. Somos a 20º nação exportadora, ficamos atrás de Suiça, Holanda e alguns outros países que não possuem a diversificação de recursos naturais e nem o tamanho do Brasil. As vantagens comparativas nos produtos básicos atrelou o país a condição de nação de fornecedora de bens básicos, enquanto algumas nações dão saltos qualitativos na agregação de tecnologia em seus produtos.

    Enquanto o Brasil não dar especial atenção a este problema, teremos, infelizmente que pagar as altas alíquotas de importção que são praticadas atualmente em produtos de maior valor agregado.

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