Fórum Econômico Mundial de Davos, momento significante para o exercício diplomático inicial da administração brasileira, por Murilo Vilarinho

A sociedade vive o advento da chamada Quarta Revolução Industrial, em que inovação tecnológica, inovação nos modelos de negócios, inovação para fins social e inovação governamental parecem coadjuvar não apenas o redimensionamento dos meios de produção e sistemas de produção e de tecnologias, mas também da própria governabilidade econômica mundial e, por conseguinte, das agendas políticas dos Estados soberanos em suas relações internacionais.

É, no contexto da Quarta Revolução Industrial, em que as nações buscam readequar seus sistemas produtivos e os aspectos da vida em sociedade que os circunscrevem, que o Fórum Econômico Mundial de Davos recepcionará na Suíça mais um encontro do escopo de governabilidade mundial, em que:

The heads and members of more than 100 governments, top executives of the 1,000 foremost global companies, leaders of international organizations and relevant non-governmental organizations, the most prominent cultural, societal and thought leaders, and the disruptive voices of the Forum’s Young Global Leaders, Global Shapers and Technology Pioneers come together (…) to define priorities and shape global, industry and regional agendas. (WEF, 2019).

O mercado é um dos principais assuntos discutidos no Fórum pela elite global, sendo aspecto premente que capta atenção dos investidores mundiais. Os discursos governamentais proferidos, portanto, são responsáveis, em alguma medida, pela atração do capital, perspectiva que tinge a globalização e seus fluxos econômicos e financeiros de modo negativo em relação ao viés social, o qual sofre uma série de contraposições, quando a pauta deliberativa de governo enfatiza a proeminência do lucro.

Nesse clima, em que se desdobrará o Fórum Econômico no primeiro semestre deste ano, verifica-se não apenas discussões sobre a atual tendência da chamada Quarta Revolução Industrial e da consequente acumulação de riquezas, mas também o debutar na cena internacional de administrações recém- inauguradas, por exemplo, a brasileira.

Em Davos, é momento inicial para uma mostra do comportamento diplomático nacional que se respalda em um novo linde ideológico de governo, para o qual o mercado é um dos principais sustentáculos do país, em termos de desenvolvimento, crescimento e projeção nas relações exteriores.

A atração de investidores para o país é uma ação previsível em Davos para os chefes de estados. Em se tratando do Brasil, o programa de privatizações intentado e acompanhado pelo pensamento de sua nova equipe econômica em consonância às orientações do Ministério de Relações Exteriores, na figura do chanceler Ernesto Araujo, terão, certamente, o tema econômico como a principal ênfase, já que, além da segurança e da educação, ele apresenta-se como elemento crucial no discurso presidencial. (EBC, 2019).

Em Davos, a economia não é o único objeto discutido pela elite global, meio ambiente, sociedade, cultura são elementos cada vez mais presentes no Fórum, talvez uma forma de contrapor as excessivas críticas de Fóruns avessos a ele, como é o caso do Fórum Social Mundial, o qual ocorrerá também no primeiro semestre deste ano e que critica a desigualdade social gerada pelo dinamismo que segrega e concentra oriundo da governança econômica global (movimento pelo poder econômico e pelo lucro das corporações transacionais, organizações internacionais). (SANTOS, 2006).

Em face disso, cabe a administração brasileira diplomacia no trato à sinalização da possível saída do Acordo de Paris, à demarcação de terras indígenas entre outros assuntos que possam embaraçar a participação do país no Fórum, o qual pode ser compreendido como uma vitrine internacional para o Brasil, para seu comércio exterior, para futuros investimentos na Era da Quarta Revolução Industrial; em que conexões com globo são ainda mais incentivadas, sendo importante para a nação, pois essa precisa ser posta no radar dessa nova contextura de produção, que visa ao aumento da competitividade industrial.

Esperemos os ventos oriundos de Davos para o Brasil e qual consequência será aviltada, em se considerando a inserção do país no quadro das relações internacionais hodiernas. Como a nova administração será vista pelo mundo, é questionamento que o Fórum Econômico poderá ajudar a coadjuvar em seu delineamento, já que o tempo ainda é de incerteza em vários quadrantes, em que a tradição da condução econômica, diplomática, administrativa cede lugar a outras ideologias e abordagens que não as tradicionalmente consagradas pelas conduções políticas antecessoras.

Referências

EBC. Bolsonaro to attend Economic Forum in Davos. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/en/geral/noticia/2019-01/bolsonaro-attend-economic-forum-davos. Acesso em 06 jan.2019.

SANTOS, Júlio César Borges dos. A Evolução da ideia de governança global e sua consolidação no século XX. Brasília. 2006. 115 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2006.

MDIC. Agenda brasileira para a indústria 4.0.disponível em: http://www.industria40.gov.br/. Acesso em 05 jan, 2019.

WEF. World Economic Forum Annual Meeting. Disponível em: https://es.weforum.org/agenda. Acesso em 04 jan.2019.

Sobre o autor

Murilo Vilarinho é doutor em Sociologia e docente na Universidade Federal de Goiás – UFG (murilochaves@ufg.br).

Como citar este artigo

Mundorama. "Fórum Econômico Mundial de Davos, momento significante para o exercício diplomático inicial da administração brasileira, por Murilo Vilarinho". Mundorama - Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais,. [Acessado em 21/09/2019]. Disponível em: <http://www.mundorama.net/?p=25036>.

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