Cooperação internacional Brasil-Suriname nas áreas comercial e interinstitucional: uma agenda político-estratégica benéfica para ambos os Estados sul-americanos, por Murilo Vilarinho

O Suriname é um país tão diverso quanto o Brasil em todos os sentidos de sua constituição, a começar pelos processos de colonização e de desenvolvimento que se desdobraram ao longo dos séculos, em alguma medida, aspecto que talvez possa constar como um elemento de conexão entre vizinhos.

A preocupação política externa nacional evidentemente se pauta pela aproximação com as sociedades do Cone Sul, contudo outras nações sul-americanas constam como Estados que não devem ser negligenciados pela chancelaria nacional, em se tratando tanto da posição geopolítica-estratégica, quanto da possibilidade de parcerias em diversos setores.

Segundo dados oriundos do Itamaraty (2018), o Suriname considera o Brasil um parceiro prioritário, principalmente desde o ano de 1975, após a sua independência da Holanda, em relação a qual, em termos de história da política externa brasileira, o Itamaraty apoiou não só a descolonização, mas também o pronto reconhecimento da do país soberano pelo governo Geisel (VIZENTINI, 1998).

Foi Azeredo da Silveira que destacou, em 1976, ano da primeira visita oficil do chanceler surinamês Henck Arron a um país estrangeiro, o Estado nacional brasileiro, a significância dos princípios da integridade territorial das nações e o da inviolabilidade de suas fronteiras, perspectiva que mitigaria, em tese, futuras frustrações por parte do Suriname, em se considerando possíveis avanços à fronteira com seu vizinho.

Entre os feitos engendrados pelo Ministério de Relações Exteriores do Brasil em relação ao Suriname, podem ser citados a implementação de vários projetos que contemplam saúde, agricultura, defesa, repressão ao crime organizado.

No ano de 2004, foi assinado Acordo de Alcance Parcial entre o Brasil e o Suriname, que concede a preferência tarifária para o comércio de arroz. Além disso, Brasil salvaguardou a presidência pró-tempore do Suriname à UNASUL em 2013, associação desse ao MERCOSUL, entre outros desdobramentos diplomáticos.

As relações entre ambas as nações são amistosas e baseiam-se em parcerias as quais tem sido reforçadas, recentemente, pelo empenho da ministra do exterior do Suriname, Yldiz Pollack-Beighle e do chanceler brasileiro.

A cooperação entre o Suriname e o Brasil é ação diplomática de alguma tradição; todavia, neste ano, houve um incremento importante estabelecido pelos governos Temer e Bouterse, no que diz respeito às relações de comércio.

Houve assinatura de memorando de entendimento em cooperação institucional entre Polícia Federal e o Corpo de Polícia do Suriname, o que é uma grande empreitada, já que a zona de fronteira com o Brasil, além de ser conformada por águas, também conta com uma área seca coberta por floresta amazônica, foco de intensa movimentação transfronteiriça de criminosos ligados ao tráfico de entorpecentes e ao contrabando (PROCÓPIO, 2007).

De acordo com discurso do Chefe do Executivo (PLANALTO, 2018), a cooperação técnica entre ambos os países sul-americanos é benéfica, porque aprofundará o diálogo entre esses e proporcionará maior integração entre os empresários em áreas estratégicas, por exemplo, defesa, segurança, agricultura e habitação.

A troca de experiências técnicas e científicas entre Brasil e Suriname, por exemplo, por meio dos acordos de execução do projeto de introdução da produção sustentável do açaí no país e de execução do programa de alimentação escolar em Koewarasan, apresenta-se como um dos exemplos de cooperação empreendida a qual recebe salvaguarda da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e do Ministério de Relações Exteriores (MRE), órgãos que também fornecem ajuda para a estruturação de outras parcerias e intentos político-estratégicos entre os países em destaque.

A chave desenvolvimento é aspecto diligente entre os presidentes das duas nações. A cooperação e as relações internacionais empreendidas buscam comungar um diálogo saudável, confiável e substancial, o que para o Brasil é, sem dúvida alguma, uma ação positiva para sua expansão, em termos de influência e de proeminência, no cenário americano. Por outro lado, para o Suriname, parceria com a República Federativa do Brasil pode redundar em ganhos para sua sociedade que precisa de investimentos e de visibilidade no cenário das relações americanas, quiçá internacional- trâmites de cunho diplomático capazes de alavancar, em alguma medida, a implementação de iniciativas não apenas de natureza técnica, estratégica ou comercial, mas também diplomática e política.

 

Referências

ITAMARATY. República do Suriname. Disponível em: http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/ficha-pais/6479-republica-do-suriname. Acesso em 03 mai.2018.

PLANALTO. Cooperação científica e comercial impulsionará relações entre Brasil e Suriname. Disponível em: http://www2.planalto.gov.br/acompanhe-planalto/noticias/2018/05/cooperacao-cientifica-e-comercial-impulsionara-relacoes-entre-brasil-e-suriname. Acesso em 05 mai. 2018.

PROCÓPIO, Argemiro. (2007) “A Amazônia caribenha”, Revista Brasileira de Política Internacional 50 (2), p. 97-117.

RESENHA DE POLÍTICA EXTERIOR DO BRASIL. (1976) “Brasil recebe o primeiro ministro e chanceler do Suriname”, RPEB, ano III, nº. IX, p. 39-44.

VIZENTINI, Paulo G. Fagundes. Política externa do regime militar brasileiro: multilateralização, desenvolvimento e construção de uma potência média (1964-1985). Porto Alegre: Ed. UFRGS, 1998.

 Sobre o autor

Murilo Vilarinho é doutor em Sociologia e docente na Universidade Federal de Goiás – UFG (murilochaves@ufg.br).

Como citar este artigo

Mundorama. "Cooperação internacional Brasil-Suriname nas áreas comercial e interinstitucional: uma agenda político-estratégica benéfica para ambos os Estados sul-americanos, por Murilo Vilarinho". Mundorama - Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais,. [Acessado em 18/07/2018]. Disponível em: <http://www.mundorama.net/?p=24552>.
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