Revista Malala recebe contribuições para edição sobre fundamentalismos

Para seu próximo número Malala focará no tema dos fundamentalismos. Embora existam muitas definições, entendemos aqui por fundamentalismo uma reação religiosa que pretende retomar a mensagem “original” de uma religião, voltar à teologia, aos valores e aos modos de religiosidade da (suposta) comunidade pristina de seus primeiros crentes. Muitas vezes fundamentalistas se baseiam em leituras literalistas, anti-historicizantes e anti-modernas dos escritos sagrados de sua fé, advogando um estilo de vida puritano pautado pelas demandas da religião, e exigindo que sejam removidas da “verdade autentica” acréscimos culturais ou locais rejeitados como heterodoxos ou supersticiosos. Fundamentalistas demarcam uma fronteira estrita entre si e o mundo pecaminoso e condenado, inclusive em relação aos seus próprios correligionários menos rígidos. Fundamentalismo, portanto, se refere tanto a ideias quanto a seguidores e movimentos, e estes não raramente estão numa relação antagônica com a sociedade circundante, se não com o mundo moderno como um todo.

Fundamentalismos têm se desenvolvido em todas as religiões que se chocaram com processos modernizadores de origem ocidental: cristianismo (o termo fundamentalismo é de cunho protestante norte-americano), judaísmo, hinduísmo, islã e outras ainda. Certas – mas não todas – tendências fundamentalistas são violentas. No Oriente Médio e no mundo muçulmano, o fundamentalismo muçulmano é obviamente o mais saliente, e.o. pela atualidade e presença midiática de seus ramos jihadistas violentos. O fundamentalismo muçulmano é geralmente chamado de islamismo (Islamism), a não confundir com o nome da religião: Islam ou islã. Termos como o islã político ou o islã radical e outros são também usados: vários autores usam terminologias diferenciadas.

Esperamos que contribuições analisando facetas ou aspectos de islamismos em várias situações geográficas, históricas e sociais jogarão luz sobre as crises do islã contemporâneo em seu confronto com a modernidade, e sobre os modos como muçulmanos lidam com elas. No entanto a revista abre suas colunas a discussões sobre o leque mais amplo de fundamentalismos, incluindo todos que estiverem relacionados ao Oriente Médio e ao Mundo Muçulmano lato sensu (por exemplo Hinduttva anti-muçulmano na Índia ou fundamentalismo judaico em Israel) além de reações ao islã em outras religiões e regiões (por exemplo entre cristãos no ocidente).

Solicitamos contribuições em forma de artigos, ensaios, relatos de campo, resenhas e textos opinativos. Outros formatos são permitidos em diretrizes e propostas de contribuição (vide http://www.revistas.usp.br/malala/about/editorialPolicies#focusAndScope).

As propostas de publicação (em português, inglês ou espanhol) devem ser enviadas em formado Word para o e-mail malala@usp.br ou submetidas online pelo site da Revista (em: http://www.revistas.usp.br/malala/login). As normas de publicação deverão ser estritamente observadas pelos autores e colaboradores (podendo ser acessadas em: http://www.revistas.usp.br/malala/about/submissions#authorGuidelines)

Deadline para submissão é  31 de Outubro de 2017. Mais informações sobre esta chamada podem ser conferidas em http://revistas.usp.br/malala/announcement/view/460

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