Geopolítica do lítio na América do Sul e as divergentes políticas públicas nacionais, por Bernardo Rodrigues & Raphael Padula

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro realizaram um estudo acerca das políticas públicas nacionais dos três países constituintes do triângulo do lítio sul-americano, segundo o artigo Geopolítica do lítio na América do Sul e as divergentes políticas públicas nacionais publicado no volume 17 de Meridiano 47.

No trabalho, extensivamente baseado em dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os autores ratificaram a hipótese de que as divergentes políticas nacionais evidenciam distintas formas de lidar com um recurso natural estratégico imprescindível para os processos de inovação tecnológica em diversos setores, destacando-se o automotivo. Evidenciaram também que a carência de um projeto de integração regional relega os países ao plano da anarquia no sistema internacional, tornando-se reféns das grandes potências internacionais, que possuem o controle tecnológico e, concomitantemente, necessitam do lítio que se encontra na região sul-americana.

Por conta da presença abundante de recursos naturais comuns e raros , a América do Sul é considerada altamente estratégica para a nova etapa de acumulação capitalista e para a reprodução de seu modo de produção, inserindo-se numa nova pressão competitiva mundial que tende a se acentuar ainda mais com o aumento da demanda mundial pelo recurso. Em termos geopolíticos, tudo indica que a região foi incorporada na pressão competitiva mundial em que algumas regiões “devem se transformar em ‘zonas de fratura’ internacional, e aí podem surgir conflitos e rebeliões que envolvam as grandes potências e as empresas que competem pelo controle da região.” (FIORI, 2014, p.161)

Como observa o geógrafo Phillipe Le Billon (2005), nos países subdesenvolvidos abundantes em recursos naturais, de forma geral, a exploração de recursos não vem produzindo sociedades mais estáveis, autônomas, igualitárias ou avançadas. Mas, num contexto de crescente dependência da exploração de recursos e de mercados externos, vem gerando coalizões e disputas políticas internas em torno da apropriação da renda gerada por tais recursos, que estão conectadas e abrem espaço para a projeção de poder e a disputa de atores externos estatais e não-estatais.

Desta forma, o artigo busca abordar a geopolítica do lítio na América do Sul a partir da análise das regulações e políticas públicas argentinas, bolivianas e chilenas. Logo, o estudo das distintas políticas públicas referentes ao lítio permite analisar a construção de distintas estratégias nacionais, com suas instituições e regulações dos três países com reservas na América do Sul, assim como suas disputas internas e no âmbito internacional e as conexões entre atores internos e externos. analisando as especificidades que geram divergentes estratégias quanto a utilização do recurso por esses países em seus projetos nacionais.

Leia o artigo

Rodrigues, B., & Padula, R. (2016). Geopolítica do lítio na América do Sul e as divergentes políticas públicas nacionais. Meridiano 47 – Journal of Global Studies, 17. doi:http://dx.doi.org/10.20889/M47e17018

Sobre os autores

Bernardo Salgado Rodrigues, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Economia, Rio de Janeiro – RJ, Brazil (bernardo.rodrigues@pepi.ie.ufrj.br).

Raphael Padula, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Economia, Rio de Janeiro – RJ, Brazil  (padula.raphael@gmail.com).

Como citar este artigo

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Mundorama. "Geopolítica do lítio na América do Sul e as divergentes políticas públicas nacionais, por Bernardo Rodrigues & Raphael Padula". Mundorama - Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais,. [Acessado em 18/06/2019]. Disponível em: <http://www.mundorama.net/?p=20251>.

 

 

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