Chávez e as FARC: um novo dueto bolivariano com fins midiáticos, por José Ribeiro Machado Neto

Mais uma vez o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, demonstra o seu inegável desejo de liderar politicamente a América Latina, independentemente da existência de causas sócio-políticas justificáveis, dos riscos da manutenção do custo de oportunidade social e de um gradual isolamento político para a sua conturbada Venezuela. Além do mais, sem quaisquer créditos compensatórios advindos de seus vizinhos atônitos e desesperançosos por um equilíbrio político regional diante da recente intromissão nos negócios internos da vizinha Colômbia, haja vista, uma democracia sitiada, mas ainda engenhosa ao manter as liberdades individuais, necessárias ao atingimento do bem-estar social permanente.
Insistindo na implementação do projeto bolivariano para a viabilização do socialismo para o século XXI – cujo teor marxista nem chega a ser descrito nas cartilhas do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) – Chávez joga com todas as cartas de um baralho marcado para viabilizar um assumido descompasso político de importação desconhecida. Mas, em determinados momentos, justificado por manifestações de concordância do público castrista e por suas instituições de caracterização insular. Mesmo assim, não publicamente aceitas pela maioria dos governantes latinos, em função de centralismos personificados e direcionados como gládios para o status exitoso da democracia atual do continente meridional.
O avanço da democracia na América Latina na última década é motivado por conquistas institucionais, aleatoriamente a aumentos de preços de exportações de commodities generalizadas, que parece incomodar os espíritos belicosos, polêmicos e incompreensíveis de Caracas, La Paz e Quito. Além do mais, com uma relativa, voluntária e conhecida cumplicidade de Buenos Aires. Mesmo que sejam consideradas governabilidades emergentes, La Paz e Quito comportam-se, entretanto, a exemplo de Havana, como espectros norteadores de antigas reações com vistas à aventureira reconstrução geopolítica substitutiva da influenciadora presença norte-americana no continente.
A América Meridional, à exceção principal de Caracas, tem demonstrado que a democracia veio para ficar. Um retorno altamente justificado pelo alto número de eleições presidenciais e parlamentares plenamente pacíficas. Da mesma forma, observa-se que o retorno é justificado pela diminuição dos desníveis regionais, há tempos responsáveis das formas de intimidação à integração geoeconômica.
A extensão da governabilidade na Bolívia e no Equador não significa um êxito político ou ideológico, a exemplo do que aconteceu com Cuba nos idos de 1960, onde as gerações esclarecidas se deixaram levar pelos êxitos entusiásticos e renovadores de Sierra Maestra. Isto mostra com clarividência que a esquerda latino-americana não está dividida apenas em duas esferas, mas em múltiplas, distanciando-se assim, a cada dia, voluntariamente, da utopia socialista desarmada, vista em Castañeda.
Não obstante o clima democrático em Caracas, herdado de outros governos, observa-se atualmente na pátria bolivariana, algo politicamente extenuante, diferenciado e recheado de consultas populares sobre objetivos políticos que resultam em espasmos messiânicos, destinados apenas ao fortalecimento do poder presidencialista sem tolerâncias. Uma existência nada análoga a aquilo que foi denominado de neopresidencialismo por Karl Loewenstein e por uma boa soma de internacionalistas.
Atualmente, em Caracas, vive-se e respira-se o neocaudilismo mesclado com filantropia à custa de superávits petrolíferos, em contradição a uma crescente escassez interna de gêneros de primeiras necessidades. Estes, estão sendo adquiridos a preços sem comparações com os do mercado interno e, em alguns casos, sem reflexos positivos na estrutura de consumo e na balança comercial venezuelanas, causadores, portanto, de constantes déficits comerciais.
Chávez, diante da voluntária comoção colombiana, de uma recente derrota eleitoral e, até mesmo, de uma merecida bronca espanhola, não esconde o desejo de tornar-se condutor dos povos andinos e de substituir o capitalismo próximo da caracterização globalizante por um frágil e incerto capitalismo de Estado. Para tanto, Alia-se à La Paz, Quito e a Buenos Aires, que de maneira contumaz permanece alheia e silenciosa aos subjetivos bolivarianos direcionados ao concerto internacional. Porém, para si, devem ser transformados em ganhos compensatórios e necessários ao seu equilíbrio comercial.
Nesse contexto, Chávez ainda, imagina, vislumbra e empenha-se em objetivos redistributivos, desconhecendo voluntariamente o fato que a cada dia esses se tornam mais distantes de serem alcançados pelos venezuelanos. Seus protetorados, Bolívia e Equador, também desejam essa substituição, mas via triunfos constituintes, o que não quer dizer, que possam modelar ou influenciar o futuro político dos demais vizinhos meridionais.
Uma das fortes, clarividentes e inegáveis características dos caudilhos – independentemente de ser considerados esclarecidos, a exemplo do Chávez, é a utilização definida, louvadora e obrigatória da mídia sobre sua pessoa e sua infalibilidade político-administrativa. Às vezes, adiciona-se à infalibilidade a descaracterização de grupos sociais. Os impactos desta prática ultrapassam o espaço nacional e contribuem para a construção de uma imagem de governabilidade exemplar no cenário internacional.
À imagem midiática de Chávez soma-se um elenco de promessas de financiamento de projetos no exterior em termos de US$ 37,5 bilhões, partindo de Cuba aos umbrais da África e Ásia. Compromissos que se transformados em transferências monetárias haverão, certamente, descaracterizar a economia venezuelana por algumas décadas, ainda que mantida a âncora advinda dos movimentos ascendentes do preço do petróleo no mercado internacional. A limitada capacidade venezuelana de aumentar a produção de óleo e de seus derivados – responsável pela sustentabilidade de sua economia – poderá acelerar o deschavismo, com repercussões inesperadas na América Latina e em outros quadrantes internacionais.
O valor do comprometimento político destina-se a objetivos diversos, desde o fornecimento de petróleo por quase cem anos, ao pagamento de dívida externa; ao abastecimento interno, aos transportes domésticos, a contribuições sociais, etc. Na quase totalidade sem qualquer forma de contrapartida, comprometendo suas relações de intercâmbio, pois ultrapassam em US$ 10,4 bilhões (27,7%) o total a ser alocado no exterior. Além da excentricidade da oferta, os ecos da nova intermediação financeira venezuelana provocam tumultos às portas dos mercados financeiros internacionais, cujos procedimentos ortodoxos são ameaçados.
A inesperada inserção mediadora de Chávez no affair libertário de reféns de um quase desconhecido botin humano das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) – constituídos na sua maioria de personalidades venezuelanas advindas de vários segmentos sociais – muito cedo tornar-se-ia responsável por arestas diplomáticas entre Bogotá e Caracas. À primeira vista, o depósito humano parece constituir-se de trágicas réplicas aos posicionamentos de Lima e Bogotá, sítios opositores ao bolivarianismo intromissor de suas políticas internas, a despeito de plenas concordâncias de Lima e Quito e do silêncio de outras governabilidades latinas.
Os recentes insucessos da política externa chavista podem ser considerados como a principal motivação mediadora de Chávez para a libertação de reféns econômicos e políticos, num total de aproximadamente 800 pessoas em poder das FARC. Inicialmente, seriam em grande número, em troca de guerrilheiros presos, porém, sem qualquer contrapartida material por parte de Caracas. Mas, a libertação aceita pelas FARC fixar-se-ia – por motivos desconhecidos até então – em apenas em dois reféns políticos: a ex-senadora Consuelo González, e Clara Rojas, assessora de Ingrid Betancourt, figura emblemática da política colombiana, ambas raptadas em 2001, durante a sua campanha presidencial.
Inicialmente a oferta chavista de mediação com as FARC foi aceita com moderação, restrições e com alertas que poderia ser dispensada de imediato, caso os contatos com as FARC não merecessem a prévia análise e aprovação do presidente Uribe. Entretanto, antecipações, assunções de compromissos aleatórios à agenda de Bogotá, bem como sucessivas declarações a correspondentes estrangeiros e a familiares dos reféns levaram Uribe de pronto dispensar a mediação de Chávez, dando início a idas e vindas com posicionamentos presidenciais antagônicos de ambos os lados, além de frustrações às famílias dos seqüestrados e à imprensa internacional, cujas manchetes provocariam mudanças de local e data para a conclusão da negociação.
Para os partidários oficiais, declarados e retraídos de Chávez a operação seria revestida de humanitarismo, de atenuações do caráter narcoguerrilheiro das FARC e de um sério desafeto ao presidente colombiano Álvaro Uribe – aliado dos EUA no combate ao narcotráfico e à guerrilha – com exitosas repercussões internacionais, mas na realidade, não ultrapassa os limites midiáticos comuns necessários à manutenção da imagem chavista.
A recente declaração de Chávez sobre a caracterização das FARC e do Exército de Libertação Nacional (ELN) como entidades não terroristas, mas insurgentes e verdadeiros exércitos que ocupam espaços na Colômbia, detentores de um projeto político bolivariano e merecedores de respeito na Venezuela, eclodiu como uma séria e final restrição à finalização da sua mediação com as FARC. Além da indignação internacional, agrediu a democracia latino-americana, em particular à venezuelana, ainda que restringida, levantou suspeitas de aceitação pelo bolivarianismo de narcoguerrilhas, além de outros possíveis futuros malefícios ao curso do MERCOSUL e do Banco do Sul, recentemente constituído.
A declaração, independentemente do novo seqüestro de seis turistas colombianos pelas FARC, reveste-se, certamente, de uma completa falta de habilidade político-diplomática. Da mesma forma, de uma ação contrária e desfavorável a quaisquer manifestações de liderança, além da aceitação pelo bolivarianismo das práticas engendradas pelas FARC para obtenção de recursos destinados à sustentação de seus escopos, agora, felizmente, vistos claramente como contrários a objetivos políticos, anteriormente acreditados.
O posicionamento do Brasil diante do desfecho da ação libertária – minimizado pela quantidade de reféns devolvidos – não chegou a ser exultante. Libertaram-se pessoas há tempos e sem causas de um cativeiro ignominioso, conduzindo-as à liberdade merecida. Creditam-se os méritos ao presidente venezuelano; é reconhecido o apoio logístico de apparatchick dos governos argentino, brasileiro e cubano; e, diante do silêncio de Bogotá, internacionaliza-se a questão colombiana, como se uma nova doutrina prenhe de dogmas bolivarianos estivesse para substituir definitivamente a doutrina Monroe.
Qualifica-se a América Latina como um continente capaz de resolver pacificamente os seus problemas de segurança, independentemente de sítios onde possam ser gerados, além de Washington. Um novo paradigma para as relações internacionais é visto com superioridade dogmática sobre as experiências dos EUA vividas com os norte-coreanos (1953) e, posteriormente (1975), com os norte-vietnamitas.
Paralelamente ao êxito fugaz da libertação das reféns colombianas, algo trágico haveria de mesclar o horizonte. Além de um novo seqüestro pelas FARC de seis turistas colombianos, a resposta negativa do Chanceler Celso Amorim ao pedido formulado pelo Chávez pela caracterização das FARC e do ELN como forças políticas insurgentes exigiriam um gradual recuo venezuelano. O nosso posicionamento mostraria maturidade, calma e tradição da diplomacia brasileira. Também, retrataria de imediato, uma ação diplomática preventiva, compensatória e estratégica diante da possível extensão da questão colombiana e da responsabilidade do Brasil no concerto internacional, como um possível mediador em potencial, a exemplo da finalização exitosa do conflito territorial entre o Equador e o Peru, na última década do século XX.
José Ribeiro Machado Neto é Doutor em História das Relações Internacionais e professor de Formação Política e Econômica da América Latina e do Brasil; professor voluntário do curso de Relações Internacionais e pesquisador colaborador do Centro Integrado de Ordenamento Territorial – CIORD da Universidade de Brasília – UnB (machadoneto@br.inter.net).
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2 Comentários em Chávez e as FARC: um novo dueto bolivariano com fins midiáticos, por José Ribeiro Machado Neto

  1. Caro José Ribeiro Machado, dos vários textos já publicados por você em RelNet e agora Mundorama que tinham por intuito desmerecer as experiências democráticas pós-neoliberais na América Latina, esse é provavelmente o mais fraco e aquele no qual mais forças a barra. Não apresentas nenhum argumento convincente em sua ânsia de desmerecer a experiência política venezuelana, equatoriana ou boliviana. O pito espanhol foi merecido? Porquê mesmo? Por acusar o Aznar que reconheceu o golpe de 2002? O Aznar que hoje percorre a América Latina quando de eleições, imiscuindo-se na política interna de vários países como criticas Hugo Chávez de fazer? Falta democracia na Venezuela? O “ditador” Chávez perdeu um referendo recentemente por menos de 1% e acatou os resultados (atitude que a oposição “democrática” dizia que não tomaria, caso perdesse). Os resultados da última pesquisa Latinobarometro colocam os venezuelanos entre os mais satisfeitos com o nível de sua democracia no continente. E quer dizer então que é o governo de La Paz que tem espirito incompreensivelmente belicoso? Seria cômico, não fosse trágico! Afinal, quem tem convocado à desordem, ao racismo, ao golpe e ao assassinato (os que morreram nos protestos contra a Constituinte foram assassinados com armas que não são usadas nem por polícia nem por exército) é justamente a oposição encabeçada por Santa Cruz de la Sierra. E o governo tem justamente mostrado-se até moderado demais, receoso de utilizar a força legal que lhe garantem as instituições e conclamando seguidamente ao diálogo e solução pacífica das diferenças. Por favor, esforce-se mais. Você já escreveu textos igualmente direitistas, mas mais instigantes. Tenho certeza de que não precisas citar o Castañeda como teórico de esquerda. Tenho certeza de que sabes quem é Castañeda, ex-ministro de Fox e líder da extrema direita mexicana.

  2. Quiero opinar sobre un tema que está sacudiendo no sólo la opinión pública colombiana, sino también a nivel internacional. Hace algunos días el Presidente de la República Bolivariana Hugo Chávez Frías hizo unas declaraciones que escandalizaron en Colombia y en el mundo entero, a Gogiernos y sociedad en general. De todos es bien sabido lo que dijo de las FARC y el ELN, declarando a estos grupos guerrilletos colombianos como beligerantes y no terroristas. Yo entiendo este tema como muy espinoso y complicado para tratar, pero quisiera hacer un análisis de la situación, para mirar el problema con más profundidad.

    Si buscamos la definición de terrorismo, claramente vemos que tanto las FARC como el ELN pueden ser tratados como tales, pero la cuestión va más allá de esto, so es así de simple. Los que hacen estas afirmaciones no explican algo ¿será que no les interesa? veamos.

    Yo quisiera que cuando los Gobiernos de países como los EE.UU. y la Unión Europea, etc. hablen de terroristas hicieran una visión global de la aplicación del término, para ver así si se ven entonces con la autoridad de tachar a ciertos grupos, como los mencionados colombianos, como tales. Y digo esto porque si se hace esa visión global de los actos terroristas que se han cometido a lo largo de la historia, encontramos que también tendremos que llamar terroristas a Gobiernos como el de EE.UU. con sus constantes agresiones durante décadas a Gobiernos Latino- Americanos “No amigos” y más recientemente con las invasiones a Afganistán e Irak

    ¿O acaso no eran terroristas los gobiernos de Indonesia, con Suharto que mató a miles de civiles durante años de represión, o el de Nicolae Ceausescu que acabó con miles de personas en Rumanía? Esto sólo por decir algunos de los Gobiernos terroristas que los EE.UU apoyaron hasta que no pudo esconder más tanta ignominia. No puede faltar de esta lista de Gobiernos abiertamente terroristas; Israel, por su continua violación de los DD.HH al pueblo palestino. O El Gobierno turco que lleva también décadas atentandoy persiguiendo a un pueblo legítimo como el Kurdo. Ni que decir del Gobierno de Putin en Rusia que en pos de salvaguardar la soberanía de su país ha protagonizado acciones punibles contra el pueblo checheno, o el Gobierno Chino que tiene invadido Nepal, reprimiendo con dureza a esta comunidad en reiteradas ocasiones. Todos estos casos son igonorados de la forma más vil por la comunidad internacional, por esos que ahora se jactan de llamar terroristas a algunos según su conveniencia. La lista de terroristas sería más amplia y me extendería demasiado si nombrara a algunos Gobiernos asiaticos y principalmente africanos. En muchos de esos lugares el terrorismo de estado hace parte de la cotidianidad. Vemos que el terrorismo campa a sus anchas en el mundo, la diferencia de uno y otro es que uno está legitimizado, el otro no.

    Ante este panorama ahí está la Unión Europea que agacha la cabeza y mete el rabo entre sus piernas en muchas ocasiones, ante estas evidencias, porque el patrón del Norte EE.UU, que es quien tiene la hegemonía mundial, los tiene amarrados a sus decisiones, sobre política internacional, pues de la noche a la mañana puede terminar con ciertos interes económicos que perjudicarían seriamente al conjunto de países europeos.

    Con todo esto surge una pregunta ¿qué derecho tienen ellos a decir estos son terroristas, si ellos también lo son, o apoyan de alguna manera Gobiernos terroristas?

    Ni qué decir de da la Organización de la Naciones Unidas, organismo creado para velar por los Derechos de toda la humanidad, pero que ha demostrado ser un títere que se mueve según los dictados del país del norte.

    Mientras miremos el problema de terrorismo de forma parcial, no sólo seremos injustos sino que éste siempre seguirá existiendo. La actual coyuntura no nos permite ser muy optimistas, el terrorismo seguirá creciendo cuanto más terrorismo de Estado se practique.

    Con todo lo analizado aquí, entiendo las palabras de Hugo Chávez y las apoyo. Él conoce toda esta coyuntura global poco publicitada, y en mi opinión quiere hacérsela ver al mundo. Pero él también sabe que tanto las FARC como el ELN han violado en reiteradas ocasiones los DD.HH de la población y les ha pedido dejen de hacerlo. La situación colombiana es bien compleja. Desde mi punto de vista Hugo Chávez no es un legitimador de la violencia ni un enemigo de Colombia. Todo lo contrario, él busca que se den unos mecanismos que conduzcan a la Paz en Colombia, y considera que dándole el titulo de beligerantes a estos grupos se puede avanzar en ese difícil camino. Por supuesto que Hugo Chávez quiere salir fortalecido de todo esto ¿qué politico no busca beneficiarse políticamente de sus acciones? Pero su principal objetivo, según veo yo; es ir expandiendo la idea de una Latino- América unida (Bolibariana), para hacerle frente al monstruo del norte. Esto en el contexto actual, no es imposible, pero sí difícil. Pero no hay que dar el brazo a torcer y él no lo está haciendo afortunadamente para Latino América.

    Dejo para el final la joya de la corona: el Gobierno de Colombia. Si antes hablaba de Estados terroristas, el colombiano, con su presidente Álvaro Uribe al frente de la nave, no sólo hace parte de este grupo, sino que utilizando el argot ciclísltico, les lleva una rueda de ventaja.

    Uno escucha estupefacto oír hablar a Uribe y su equipo de Gobierno del terrorismo en Colombia y condenando a los grupos que dicen practicarlo, cuando ellos lo vienen utilizando desde el inicio del mandato superando las políticas represivas y terroristas de anteriores gobiernos. Colombia es un Estado Terrorista, esta no es una afirmación gratuita. Dicen haber acabado con el paramilitarismo y eso no es cierto, muchos de esos “supuestamente desmovilizados” se han constituido en grupos que vienen a praticar lo mismo que sus predecesores paramilitares, desplazando a cientos de familias, asesinando a líderes comunales, sindicalistas, etc. Claro está que el estado no ejecuta las acciones directamente, otros agentes del estado o mercenarios hacen el trabajo sucio.

    En este país sigue sin haber libertad de expresión, si alguien está opuesto radicalmente al poder establecido, huele a izquierda, le tachan de guerrillero y fácilmente le “sacan del camino”, como se dice literalmente. No me estoy inventando nada, ahí están las cifras de líderes comunales muertos, sindicalistas, familias desplazadas, etc. El Gobierno es cómplice de todo esto.

    ¿No será también este estado terrorista cuando condenan a más años de cárcel a un pobre delicuente común (fruto de un sistema injusto y desigual), que roba por pura hambre, que a un jefe paramilitar, con cientos de muertos a sus espaldas, que amparándose en las trampas de esta podrida justicia colombiana termina saliendo a la calle en 4 días? ¿Esa impunidad no es terrorismo también? Que se lo pregunten a los familiares de las víctimas que se cuentan por miles.

    Si en este país permitieran la investigación plena y concienzuda a este gobierno de una Delegación Internacional por los Derechos humanos, esa comisión no sólo destaparía a Uribe y sus secuaces, que vienen violando sistemáticamente los DD.HH de muchos y muchas colombianos y colombianas, sino que mostrarían sin reservas esa otra cara oculta de la luna a la opinión pública nacional e internacional, en muchos casos igonrante de todo esto. Entonces el ciudadano, la ciudadana común, se harían la pregunta ¿Pueden unos terroristas llamar tranquilamente terroristas a otros, sin caérseles la cara de verguenza?

    Mi deseo es que que en Colombia los grupos guerrilleros abandonen toda práctica que atenta contra el pueblo, el secuestro y por supuesto su auto financiación por medio del narcotráfico, para poder empezar a construir paz en Colombia. Pero a su vez el Gobierno colombiano tiene que dar un giro de 180° a sus políticas de seguridad democráticas, sociales, económicas, de salud, educación, llevar a cabo una Reforma Agraria plena y por supuesto dejar de violar en su totalidad los DD.HH del pueblo colombiano.

    Yo estaría de acuerdo en denominar Grupos Beligerantes a las FARC y al ELN, si eso puede conducir a acercamientos de solución.

    Pero reitero en que; mientras el problema sea observado desde un solo punto de vista “interesado”, como lo es ahora; no habrá nada que hacer y este conflicto colombiano se extenderá por otros 60 años más. O todos ponen de su parte, o todo esfuerzo será en vano.

    Por último termino con algo en lo que siempre insisto. No creamos al pie de la letra todo lo que nos dicen los medios masivos de comunicación, utilicemos también otras vías alternativas de información, hagamos el ejercicio de analizar y seguro que nuestro punto de vista, independientemente de ideologías, estará más cerca de lo real.

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