A Situação dos Refugiados Ambientais na América Latina, por Fernando Ferraz Malta

Jim Linwood - Flickr

Às relações internacionais, às ciências políticas, aos cálculos de políticas públicas – não importa. A questão dos refugiados, independentemente de suas causas, tem drásticas conseqüências à organização político-espacial humana.

Seja por questionar valores basilares da mesma, como a inviolabilidade da soberania, ou por suscitar debates teórico-práticos infindáveis, como a disputa entre cidadania nacional e a inclusão dos “abjetos”, desde o século XIX, quando o fenômeno começou a ser reconhecidamente um problema aos novos Estados-nação, o termo “refugiado” continua a ser um ponto nevrálgico da política internacional.

Um refugiado é, de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Status dos Refugiados (1951), “uma pessoa que, tendo um medo bem fundado de ser perseguido por razões de raça, religião, nacionalidade, participação de um grupo social particular ou opinião política, está fora do país de sua nacionalidade e incapaz a ou, ante esse medo, sem vontade de retomar a proteção desse país”. Desde então, esse termo foi expandido por diversas novas convenções mundiais ou regionais sobre o tema, mas seu sentido permanece: refugiado é aquele que, por algum perigo em sua terra natal, se vê compelido a fugir para outro território de seu país (sendo nomeado, então, como ‘deslocado interno’) ou mesmo para outro país.

O grande ponto que mobiliza o campo acadêmico da área é levantado com exatidão pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR): o artigo 1 da Convenção Relativa ao Status de Pessoas Apátridas (1954) define as mesmas como aquelas que não são consideradas nacionais em qualquer Estado soberano do mundo. Pois do atual cenário vivido por muitas ilhas do Pacífico e do Índico, em que a iminência do aumento do nível das águas resulta no desaparecimento do Estado em si, conclui-se que “se um Estado deixa de existir, a cidadania daquele Estado cessa, pois não há mais Estado para aquela pessoa ser um nacional” (UNHCR, 2009, p.1).

Ainda que seja o cenário mais drástico da relação entre as mudanças climáticas e suas conseqüências a população, o número potencial de cidadãos apátridas dessas ilhas já é indicativo do problema em si. Todavia, “apátridas” são uma categoria diferente de “refugiados” ou “deslocados internos” ao direito internacional e não serão aqui abordados. O ponto é que se um evento é drástico o bastante para fazer desaparecer Estados inteiros, suas conseqüências àqueles que continuarão existindo, mas sofrerão graves conseqüências é latente.

Em 2007, cientistas independentes do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) afirmaram que, em 100 anos, os oceanos poderiam subir até 60 cm, o que impactaria na vida de, pelo menos, 600 milhões de pessoas (cerca de 10% da população mundial) ao redor do mundo que vivem em áreas costeiras. Numa atualização dessas pesquisas, o aumento esperado para 2010 já é de, no mínimo, 1 metro. (IPCC, 2009)

Isso somente citando o aumento do nível dos mares. Diversas outras intempéries ocasionadas ou exacerbadas pelas mudanças climáticas impactam no destino de milhões de pessoas. Trabalho apresentado pelo Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) afirma que somente no ano de 2008 pelo menos 20 milhões de pessoas foram deslocadas (interna ou externamente) por desastres naturais repentinos – excluindo do total, por exemplo, deslocados por secas, pela erosão da terra ou mesmo pelo aumento do nível dos mares. (OCHA, 2009)

Ainda que apenas 3% do total mundial dos deslocados ambientais se concentre na América Latina (Figura 1), o impressionante número que chega a quase 1 milhão de pessoas deslocadas somente no ano de 2008 contrasta com o cenário de um subcontinente com grande estabilidade geológica e climatológica, seja pela presença da grande área amazônica, seja pela ausência de grandes encontros tectônicos.

Uma das principais preocupações dos relatórios das Nações Unidas sobre dados estatísticos relacionados às mudanças climáticas e suas conseqüências é a carências de fontes para tal. Não há, ainda, uma agência de esforço internacional para computar e analisar os diversos dados de origem nacional (e, por tal, coletados mediante diferentes padrões de mensuração), seja referente ao número de refugiados, prejuízos econômicos, perdas ambientais etc. Qualquer tipo de informação no campo é ainda imprecisa, o que, entretanto, não nega sua validade quanto a ser palpável ou não à análise.

Sobre refugiados ambientais, o relatório do OCHA vai mais além:

A falta de dados confiáveis sobre deslocados forçados relacionados a desastres impede uma evolução adequada na escala do fenômeno e no padrão de deslocamento. Também dificulta extrapolar um potencial humano de mobilidade baseado em modelos ou cenários de mudanças climáticas existentes, ou a desenvolver avaliações realísticas a serem levadas em conta na formação de políticas de adaptação às mudanças climáticas (OCHA, 2009, p.4)

Dessa forma, ainda que não seja, metodologicamente, tão preciso quanto a outros tipos de medições, o trabalho realizado pela OCHA no supracitado relatório ganha um status de marco referencial no campo por seu pioneirismo. Seu modus operandi se baseou num processo de três etapas, em que se coletaram dados do Banco de Dados de Eventos Emergenciais do Centro de Pesquisa sobre a Epidemiologia de Desastres, analisaram-nos de forma detalhada dos mais de 300 casos coletados no ano de 2008 para verificar se encaixavam em sua categoria de desastres repentinos e, dos mais de 200 que sobraram, cruzaram com outras bases de dados da Cruz e Crescente Vermelho Internacional, Organizações Não-Governamentais de Assistência Humanitária, agências governamentais dos locais em que os desastres ocorriam e jornais e agências de notícias ao redor do mundo.

Dados do OCHA sobre os 52 desastres ocorridos nos na região pesquisada1:

Evento País Tipo Data Início Afetados Desabrigados Deslocados Evacuados Total
1 Brasil Inundação 30-mar 190.000 0 190.000 70.000 260.000
2 Haiti Tempestade 6-set 125.000 0 111.391 1.500 112.891
3 Brasil Inundação 22-nov 1.500.000 0 78.707 0 78.707
4 Honduras Inundação 19-out 313.350 0 70.000 0 70.000
5 Chile Inundação 29-ago 81.755 23.000 54.610 0 54.610
6 Peru Inundação 4-fev 450.000 45.000 45.000 0 45.000
7 Cuba Tempestade 29-ago 450.000 0 0 27.000 27.000
8 Brasil Tempestade 6-mai 0 1.600 1.600 25.000 26.600
9 Colômbia Inundação 13-dez 50.000 0 20.000 0 20.000
10 Cuba Tempestade 8-nov 49.445 0 0 20.000 20.000
11 Cuba Inundação 17-nov 20.000 0 20.000 0 20.000
12 Nicarágua Inundação 18-out 10.663 0 0 20.000 20.000
13 Brasil Inundação 12-jan 49.506 0 14.293 0 14.293
14 Equador Inundação 30-jan 275.000 14.122 13.871 0 13.871
15 México Tempestade 20-jul 500.000 0 0 13.100 13.100
16 Cuba Tempestade 20-ago 0 0 0 13.000 13.000
17 Chile Inundação 19-mai 40.000 0 12.000 0 12.000
18 Guatemala Inundação 22-out 180.000 0 10.764 0 10.764
19 Colômbia Inundação 15-set 1.200.000 0 10.100 0 10.100
20 Costa Rica Inundação 26-nov 11.000 0 6.890 0 6.890
21 Haiti Tempestade 18-ago 190 30 6.790 0 6.790
22 Guatemala Tempestade 21-jul 0 0 5.000 0 5.000
23 Venezuela Tempestade 20-nov 1.500 0 200 4.695 4.895
24 Rep. Dominicana Tempestade 18-ago 0 0 4.565 0 4.565
25 Rep. Dominicana Tempestade 26-ago 6.255 0 0 4.360 4.360
26 Nicarágua Inundação 24-set 3.525 0 3.000 0 3.000
27 Costa Rica Inundação 13-out 92.000 0 0 2.529 2.529
28 Guatemala Calor 12-ago 0 0 2.241 0 2.241
29 Costa Rica Inundação 2-set 9.498 0 0 2.140 2.140
30 Jamaica Tempestade 28-ago 4.000 0 0 1.520 1.520
31 Nicarágua Inundação 26-nov 0 0 1.500 0 1.500
32 Brasil Inundação 2-fev 49.506 1.435 1.435 0 1.435
33 Nicarágua Tempestade 29-mai 1.390 0 0 1.390 1.390
34 Ilhas Caimã Tempestade 26-ago 0 0 0 715 715
35 Argentina Inundação 28-jan 85.000 0 0 635 635
36 Costa Rica Inundação 22-nov 53.000 0 600 0 600
37 Bahamas Tempestade 7-set 3.000 0 500 0 500
38 Belize Inundação 19-out 38.000 0 400 0 400
39 Honduras Inundação 12-dez 0 0 0 250 250
40 El Salvador Inundação 16-out 3.000 0 95 0 95
41 Paraguai Tempestade 7-ago 47.655 0 60 0 60
42 Antigua e Barbuda Tempestade 15-out 25.800 0 45 0 45
43 Haiti Tempestade 2-set 48.000 0 20 20
44 Guiana Inundação 8-dez 100.000 0 0 0 0
45 Costa Rica Tempestade 28-mai 55.000 0 0 0 0
46 Panamá Inundação 22-nov 23.287 0 0 0 0
47 México Inundação 6-jul 20.000 0 0 0 0
48 Rep. Dominicana Tempestade 3-set 10.745 0 0 0 0
49 Belize Tempestade 31-mai 10.000 0 0 0 0
50 Bolívia Tempestade 8-nov 6.655 0 0 0 0
51 Ilhas Caimã Tempestade 8-nov 0 0 0 0 0
52 Guatemala Inundação 2-jul 0 0 0 0 0
Total Ano: 2008 6.192.725 85.187 685.677 207.834 893.511

Tabela 1

Algumas inferências rápidas sobre a tabela mostram grande concentração de número de refugiados em eventos climáticos mais drásticos – nos cinco eventos com mais deslocados na América Latina em 2008 (os únicos com mais de 50 mil deslocados), há uma concentração de 65% de todos os casos. (Figura 2) Não à toa, o Brasil, país de maior população da região, tem duas dessas cinco maiores catástrofes, representando, só em ambas, 38% do total de deslocados registrado.

Além disso, nota-se que as intempéries latino-americanas têm alguma ligação com a água, ou sendo causada por tempestades (categoria que também abarca furacões, tornados, tufões etc.), ou por inundações, quando não por ambos. Uma explicação plausível ao fato é que, ao restringir o estudo às intempéries drásticas (objetivo do trabalho do OCHA) e, dessas, aquelas que têm alguma conexão com a atividade humana (objetivo desse trabalho), os fenômenos hidrológicos se destacam per se, em qualquer parte do mundo – como observado na Figura 3, das 5 categorias possíveis, quase 97% das intempéries drásticas mundiais são alagamentos ou tempestades.

E justamente por esses motivos é possível relacionar os desastres às condições meteorológicas e pluviométricas das regiões. Estivesse a região pesquisada em um clima mais temperado, poder-se-ia estabelecer correlações entre o índice de acidentes e as estações do ano; todavia, todos os países citados têm parte ou todo seu território presentes entre os trópicos, diminuindo as discrepâncias entre as estações existentes em outras regiões.

De qualquer maneira, nota-se uma tendência crescente de casos nos meses de agosto, setembro, outubro e novembro em comparação aos meses restantes (Figura 4). O fenômeno do El Niño poderia ser uma explicação plausível para esse fenômeno, mas há consenso entre especialistas que a ocorrência no ano de 2008 foi fraca e quase pouco sentida.

Ainda assim, 2008 foi um ano excepcional. Analisando o número de refugiados ou o de afetados pelos desastres, nota-se que, apenas em um ano, cerca de 1% dos quase 600 milhões de habitantes da região foram afetados, e 0,19% transformaram-se em refugiados (Tabela 2). O número aparentemente pequeno pode enganar, mas dois pontos devem ser ressaltos: (1) dois países de população maior que 100 milhões de habitantes (Brasil e México) estão presentes e, principalmente, (2) que casos pontuais, como em Antigua e Barbuda, Belize e Guiana – onde mais de 10% da população foi afetada pelos fenômenos –, ou do Haiti e das Ilhas Caimã – onde quase 2% da população tornou-se refugiada ambiental.

Esses não só têm efeitos dramáticos para a economia de cada um desses países, como, principalmente, podem levar ao transbordamento do problema, seja pelo fluxo de refugiados em si, que, ao se estabelecerem em outros países, provocam inchaços populacionais, desemprego, fome etc. em localidade que, muitas vezes, podem sofrer problemas similares ao país de onde provém tal população. Em um exemplo que ilustra o caso, um refugiado haitiano que foge de uma grande tempestade, muito provavelmente se dirigirá ao outro país de sua ilha, a República Dominicana; todavia, a tempestade, para ter tal efeito de criar refugiados, muito provavelmente também fustigou o destino do refugiado, logo, além de trazer os problemas de seu país natal, o refugiado tentará se assentar em uma pátria que sofre de problemas bem similares (ainda que sua realidade de mitigá-los seja diferente), exacerbando-os.

País Afetados Refugiados População2 %Afetados %Refugiados
Antigua e Barbuda 25.800 45 85.632 30,13% 0,05%
Argentina 85.000 635 40.913.584 0,21% 0,00%
Bahamas 3.000 500 309.156 0,97% 0,16%
Belize 48.000 400 307.899 15,59% 0,13%
Bolívia 6.655 0 9.775.246 0,07% 0,00%
Brasil 1.789.012 381.035 191.739.269 0,93% 0,20%
Chile 121.755 66.610 16.601.707 0,73% 0,40%
Colômbia 1.250.000 30.100 45.644.023 2,74% 0,07%
Costa Rica 220.498 12.159 4.253.877 5,18% 0,29%
Cuba 519.445 80.000 11.451.652 4,54% 0,70%
El Salvador 3.000 95 7.185.218 0,04% 0,00%
Equador 275.000 13.871 14.573.101 1,89% 0,10%
Guatemala 180.000 18.005 13.276.517 1,36% 0,14%
Guiana 100.000 0 772.298 12,95% 0,00%
Haiti 173.190 119.701 9.035.536 1,92% 1,32%
Honduras 313.350 70.250 7.792.854 4,02% 0,90%
Ilhas Caimã 0 715 49.035 0,00% 1,46%
Jamaica 4.000 1.520 2.825.928 0,14% 0,05%
México 520.000 13.100 111.211.789 0,47% 0,01%
Nicarágua 15.578 25.890 5.891.199 0,26% 0,44%
Panamá 23.287 0 3.360.474 0,69% 0,00%
Paraguai 47.655 60 6.995.655 0,68% 0,00%
Peru 450.000 45.000 29.546.963 1,52% 0,15%
Rep. Dominicana 17.000 8.925 9.650.054 0,18% 0,09%
Venezuela 1.500 4.895 26.814.843 0,01% 0,02%
Total 6.192.725 893.511 570.063.509 1,09% 0,16%

Tabela 2

Ainda que seja um fenômeno novo e pouco pesquisado, a questão dos refugiados ambientais é latente e já afeta uma grande parcela da população mundial. Além dos alarmantes dados atuais, o que mais assusta são as previsões oficiais de agências governamentais e internacionais e de teóricos da área.

Myeres (2005) afirma que, em 1995, ano do primeiro levantamento sobre refugiados ambientais, cerca de 25 milhões de pessoas ao redor do mundo se inseriam em algum grau de refúgio causado por fatores ambientais. O autor afirma que, mantido o nível de emissões de 2005, esse número dobraria até 2010 e aumentaria em oito vezes até 2050. No atual trabalho, os dados foram restritos a tão somente uma categoria de refugiado ambiental, causado por fenômenos específicos e em um subcontinente, num espaço de tempo restrito – ainda assim, com resultados preocupantes. Há de se dizer ainda que, por mais que 2008 tenha sido um ano excepcional quanto a eventos climáticos drásticos, as mudanças climáticas a ocorrer ao longo do século podem fazer do excepcional um padrão – independentemente se ocasionadas pela ação humana ou por ser um fenômeno natural.

Por fim, e a respeito dos temores apresentados, fica o desejo de uma ampliação da pequena base de dados atual sobre o fenômeno e, principalmente, mais trabalhos relacionando esses números às condições climáticas das regiões trabalhadas, aumentando, ainda mais, o subsídio aos tomadores de decisão ao redor do mundo.

Bibliografia

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  • BATES, Diane. Security Refugees? Classifying Human Migrations Caused by Environmental Change. Population and Environment, vol. 23, n. 5, 2002.
  • FLINTAN, Fiona. Environmental Refugees – a Misnomer or Reality? Contribuição ao Relatório da Conferência Wilton Park sobre Segurança Ambiental e Prevenção de Conflito, 2001.
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  • LAMBERT, Jean. Refugees and Environment. Discurso ao World University Service, 2001.
  • MYERS, Norman. Environmental Refugees in a Globally Warmed World. BioScience, vol. 43, n. 11, 1993.
  • MYERS, Norman. Environmental Refugees. Population and Environment, vol. 19, n. 2, 1997.
  • MYERS, Norman. Environmental Refugees: a Growing Phenomenon of the 21st Century. The Royal Society, 2001.
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  • OCHA. Monitoring Disaster Displacement in the Context of Climate Change. 2009.
  • SALEHYAN, Idean. Refugees, Climate Change and Instability. Trabalho apresentado no Workshop “Human Security and Climate Change” em Oslo, 2005.
  • UNHCR. Climate Change and Statelessness. Trabalho apresentado na 6° sessão da AWG-LCA 6 em Bonn, 2009.
  • UNHCR. In Search of Shelter: Mapping the Effects of Climate Change on Human Mitigation and Displacement. 2009.

Fernando Ferraz Malta é Pós-Graduando em Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio (fencas@gmail.com).

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3 Comentários em A Situação dos Refugiados Ambientais na América Latina, por Fernando Ferraz Malta

  1. O enfoque do artigo se relaciona aos efeitos do aquecimento global – e dados sobre isso são extremamente importantes -, mas também ao conceito de refugiado ambiental. Portanto, talvez seja oportuno lembrar que esse conceito não se restringe aos deslocados ou evacuados por catástrofes naturais (incluindo as causadas indiretamente pela ação humana). Também inclui deslocados por impactos ambientais locais causados diretamente pela atividade econômica. Exemplos são os deslocados por construções de barragens e membros de comunidades tradicionais – culturas extrativistas, quilombolas etc. – deslocados por perda do seu meio de vida por causa do avanço de monoculturas sobre seu território tradicional, por construção de barragens e por outras atividades humanas com impacto ambiental local. A importância desse lembrete é (1) o conceito de refugiado ambiental é muito recente, como o próprio artigo comenta, e, portanto, deve ser delimitado com cuidado; e (2) esse tipo de comunidade em geral é esquecida, tem poucos instrumentos para ser ouvida e é frequentemente considerada (por gente que tem muitos instrumentos para ser ouvida) como obstáculo ao desenvolvimento macroeconômico dos países.

  2. É… negligenciar determinados assuntos em prol do desenvolvimento (e das crises) econômicas dá nisso.
    De qualquer modo, é interessante e acima de tudo produtivo ver que, mesmo com a dificuldade na obtenção e tratamento dos dados, o debate está tomando forma e ocupando cada vez mais espaço no cenário internacional.
    Parabéns pela iniciativa!

  3. Roberto, entendo sua crítica e realmente faltou uma pequena nota estipulando o universo com o qual trabalhava e uma citação na introdução do artigo. Por mais que o tema concerna aos refugiados ambientais, estipulei que só trataria daqueles com origem em intempéries drásticas (chuvas, furacões, inundações etc), excetuando outras origens como aqueles que citou, com origem exclusivamente da ação humana (barragens, inundações para hidrelétricas, transposições de rios etc). Vale, portanto, aqui a menção.

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