Varnhagen – Uma fundação do Brasil, por José Flávio Sombra Saraiva

image_pdfimage_print

Várias construções formaram a nacionalidade brasileira. O bicentenário do nascimento do Barão de Porto Seguro, Francisco Adolfo de Varnhagen, celebrado nesses dias, faz pensar o estuário de um pensamento brasileiro precoce. Varnhagen representa a nascença da diplomacia brasileira. Foi e segue conhecido como um dos grandes diplomatas nacionais e um dos fundadores da historiografia brasileira. Escreveu, em Portugal, as páginas de Notícia do Brasil, seu primeiro trabalho histórico acerca deste lado do Atlântico português.

No mundo sem memória, onde a ignorância é estimulada, onde o presentismo surrupia a pátria, insisto na lembrança daquele luso-brasileiro que nasceu em 17 de fevereiro de 1816, em Sorocaba, São Paulo. Eram os tempos da fundição do ferro para o desenvolvimento do Brasil, mesmo quando ainda não existia uma soberania nacional.  Filho de portuguesa e de engenheiro militar alemão, Varnhagen concebeu Brasília e aqui esteve em 1877, antes da Missão Cruls, muito antes de Juscelino, povoados por índios e tropeiros perdidos. Eram tempos tão diferentes da Brasília que temos. Andou aqui perto do Plano Piloto da Brasília de hoje, nas então modestas vilas e povoados de Luziânia e Formosa.

Minha colega e amiga, a professora Lucia Maria Paschoal Guimarães, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a acompanhar os passos de Francisco de Varnhagen. Chegou às fontes. Demonstrou que o pioneirismo do plano da transferência da capital para o Planalto Central foi de Varnhagen. Foi ele quem primeiro vislumbrou o lugar que hoje se ergue a sede da República, a nossa querida Universidade de Brasília, o nosso conjunto modernista da capital do Brasil.

Na condição de diplomata brasileiro, ao receber a nacionalidade brasileira, em 1844, serviu à diplomacia nacional no Paraguai (1844), na Venezuela, em Nova Granada (atual Colômbia), no Equador, no Chile, no Peru e nos Países Baixos. No Chile, casou-se com a chilena Carmen Ovalle. Ao falecer, servindo o Brasil em Viena, em 1878, sua esposa o sepultou em Santiago do Chile. Um século depois vieram seus despojos para a Sorocaba, onde segue viva a memória de um Brasil glorioso. Isso demonstra a força histórica de outras desconhecidas  lideranças históricas que permitiram a construção do Brasil.

O significado do grande diplomata do Brasil independente do século XIX é reconhecido nacional e internacionalmente. Opúsculos, artigos, memórias, discrições, estudos históricos e ensaios em inglês, alemão e chinês falam dessa arquitetura que não é a de Niemeyer, mas aquela arquitetura manuelina surgido do fim d o século XV no reinado de dom Manuel primeiro, também estudado por Francisco Adolfo de Varnhagen. O Barão deve ser revisto como uma das mais sólidas construções do Brasil. O ano diplomático é dedicado a ele.

José Flávio Sombra Saraiva, PhD pela Universidade de Birmingham, Inglaterra, e Professor Titular da UnB  (jfsombrasaraiva@gmail.com)

​​

Como citar este artigo:

Editoria Mundorama. "Varnhagen – Uma fundação do Brasil, por José Flávio Sombra Saraiva". Mundorama - Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais, [acessado em 20/02/2016]. Disponível em: <http://www.mundorama.net/2016/02/20/varnhagen-uma-fundacao-do-brasil-por-jose-flavio-sombra-saraiva/>.

Seja o primeiro a comentar