Relações Contemporâneas entre Brasil e Estados Unidos, por Virgílio Caixeta Arraes

As relações entre o Brasil e os Estados Unidos não passaram por grandes dificuldades durante os dois mandatos de Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010) na Presidência da República. Com o retorno dos democratas à Casa Branca, com Barack Obama, após oito anos de ausência, havia a expectativa positiva de que maior atenção seria destinada ao continente sul-americano. Não houve nos primeiros meses de Obama nenhuma medida destoante dos anos imediatamente anteriores da relação, de sorte que a espera ansiosa por alteração se dissolveria de modo gradativo.

Destarte, a frustração de Brasília com a postura de Washington, mesmo contida nas manifestações diplomáticas, mais uma vez ocorreria. Durante a razoável convergência temporal entre o mandato de George Bush e o de Lula da Silva (janeiro de 2003 a janeiro de 2009) uma das formas de o Brasil valorizar-se diante dos Estados Unidos foi a de postar-se como um prestativo moderador diplomático, em especial em assuntos vinculados com Argentina, Cuba, Venezuela e até Bolívia. A posição de intermediação do Planalto foi aceita de bom grado pela Casa Branca.

Como possível retribuição àqueles bons préstimos regionais, o Brasil esperou maior concessão dos Estados Unidos à exportação do seu biocombustível. Além do mais, o país aguardou em vão a recuperação da denominada Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio, com a finalidade de pleitear maior acesso para sua produção agrícola. Por fim, a recompensa política mais desejada não viria também: o reconhecimento ao Brasil de pleitear um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas com o apoio explícito dos Estados Unidos.

Essa é a discussão apresentada no artigo Estados Unidos e Brasil: as primeiras tratativas entre Obama e Lula, publicado no número 152 de Meridiano 47, Journal of Global Studies.

Leia o artigo:

CAIXETA ARRAES, Virgílio. Estados Unidos e Brasil: as primeiras tratativas entre Obama e Lula. Meridiano 47, [S.l.], v. 16, n. 152, p. 3-12, dec. 2015.

Virgílio Caixeta Arraes é professor do Departamento de História da Universidade de Brasília – UnB (arraes@unb.br).

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