A Ferrovia Transoceânica: os BRICS frente à estratégia estadunidense para a Bacia do Pacífico, por Samuel de Jesus    

No último dia 19/05, em visita ao Brasil, o Primeiro Ministro Chinês Li Keqiang fechou acordo sobre a construção da mega-ferrovia transcontinental que ligará o Atlântico ao Pacífico. O projeto compreende a ligação entre a ferrovia norte-sul ao Pacífico via Peru. O comércio entre China e América Latina entre 2000 e 2014 superou 267 bilhões. A previsão e de que até 2025, China destine 250 bilhões de dólares para a infra-estrutura na América Latina. (MEDEIROS, 2015).

Captura de Tela 2015-05-28 às 15.46.25

O Brasil tem na China, hoje, o seu principal mercado exportador, ao contrário do que ocorria nos anos 90 em que o principal mercado para os produtos brasileiros eram os Estados Unidos. Segundo o jornal A Gazeta Mercantil em reprodução do site BrasilComex (2015):

Entre os doze meses até julho, a corrente de comércio entre Brasil e China atingiu US$ 31,9 bilhões na soma entre exportações e importações, o que torna o país asiático o segundo maior parceiro comercial do país, atrás apenas dos Estados Unidos. Apesar de que o Brasil amargar um déficit de US$ 2,6 bilhões nas trocas com a China nos últimos 12 meses. (China se torna segundo maior parceiro comercial do Brasil, In: BrasilComex, 21.05.2015. Disponível em: http://www.brasilcomex.net/integra.asp?cd=2168 Extraído em: 21.05.2015)

Ainda segundo a presidenta Dilma Rousseff, a China é o maior mercado do Brasil:

Hoje, a China é nosso maior parceiro comercial. A China, também, é um grande investidor aqui no Brasil. E o Brasil quer também ter uma presença na China, e hoje temos algumas empresas brasileiras presentes na China. (ROUSSEFF, Dilma, disponível em: http://blog.planalto.gov.br/hoje-a-china-e-nosso-maior-parceiro-comercial-afirma-presidenta/  Extraído em: 21.05.2015)

Segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil-China, divulgado em junho de 2012, são menos de 60 as companhias brasileiras atuando na China. Os investimentos diretos de brasileiras, entre 2000 e 2010, somaram 572,5 milhões de dólares – ou seja, apenas 0,04% do total de investimentos estrangeiros naquele país. O setor de serviços é o que predomina entre as empresas brasileiras na China, 51% do grupo. As empresas de manufatura estão em segundo lugar, com 28% do total.  Entre as dificuldades encontradas pelos brasileiros para operar na China, estão as diferenças culturais, a distância física, a falta de informações sobre o mercado chinês e a inserção nele, a regulamentação de diversos setores, dentre outros. (Empresas Brasileiras na China: presença e experiências, Conselho Empresarial Brasil e China, junho de 2012. Disponível em http://www.cebc.org.br/sites/default/files/pesquisa_presenca_das_empresas_brasileiras_na_china_-_presenca_e_experiencias.pdf Extraído em 26.05.2015.).

As empresas que atuam, hoje, na China, em destaque algumas marcas das mais conhecidas são: Aços Villares, Atlas, Banco do Brasil, Banco Itaú BBA, BEC Limited, Caloi, Embraer, Grupo Estado de S. Paulo, Marfrig, Marcopolo, Odebrecht, TAM, Tramontina, TV Bandeirantes, Votorantim, Vale, Riachuelo, Schulz, Petrobrás, Ab Inbev, entre outras. (Empresas Brasileiras na China: presença e experiências, Conselho Empresarial Brasil e China, junho de 2012. Disponível em http://www.cebc.org.br/sites/default/files/pesquisa_presenca_das_empresas_brasileiras_na_china_-_presenca_e_experiencias.pdf Extraído em 26.05.2015.). Segundo relatório do Conselho Empresarial Brasil-China de 2011 pelo menos dez empresas chinesas tem investido no mercado brasileiro, entre elas as marcas mais conhecidas estão; Chery,  JAC Motors, Kasinski, Sinopec e Le Novo. (Investimentos Chineses no Brasil, Conselho Empresarial Brasil e China, maio de 2011. Disponível em http://www.cebc.org.br/sites/default/files/pesquisa_investimentos_chineses_no_brasil.pdf Extraído em 26.05.2015.).

Os satélites Sino-Brasileiros

A cooperação técnico-científica na área de satélites entre Brasil e China começou exatamente em 06 de Julho de 1988, partindo de um acordo de parceria envolvendo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), MCTI (Brasil) e a CAST (China Academy of Space Technology) – CASC (China), com o objetivo de desenvolver um programa de construção de dois satélites avançados de sensoriamento remoto, chamado Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite). Esta parceria envolveu inicialmente investimentos superiores a US$ 300 milhões, com responsabilidades divididas (30% brasileiro e 70% chinês) que resultou no programa CBERS. A previsão era construir satélites CBERS-3 e 4, CBERS-2B (2007) que operou até o começo de 2010, o CBERS-3 não obteve sucesso em seu lançamento e o CBERS-4 segue em construção”. O CBERS-5 está sendo discutido conjuntamente com a elaboração do CBERS-6 (Disponível em http://www.cbers.inpe.br/ Extraído em: 21.05.2015).

A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) reuniu-se no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), nos dias 9 e 10 de junho, para discutir a viabilidade da missão do CBERS-4A e a continuidade do programa sino-brasileiro de satélites com o desenvolvimento dos CBERS-5 e CBERS-6. (Disponível em http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=3629 Extraído em: 21.05.2015).

No último dia 19.05.2014 o Primeiro Ministro da China Li Keqiang, assinou acordo complementar ao acordo-quadro do projeto CBERS. O novo documento já prevê a construção do sexto satélite desta parceria. O novo satélite está destinado ao monitoramento da agricultura e meio ambiente e terá vida útil de 05 anos.

Para o presidente da AEB, o projeto sino-brasileiro já se tornou referência internacional: “CBERS é uma marca internacional, como Coca-Cola ou Gilete. Ninguém pergunta o que significa a letra C, a letra B, a letra E, a letra R, a letra S, porque todo o mundo conhece”. CBERS é a sigla em inglês de Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres. José Raimundo Braga Coelho comentou também a boa perspectiva da base de lançamentos espaciais de Alcântara, no norte do Brasil. “É o melhor local do mundo”, frisou. (O  Brasil tem a melhor base de lançamentos espaciais no mundo.Disponível em: http://br.sputniknews.com/entrevistas/20150522/1087847.html#ixzz3avsZJsNc Extraído em:  23.05.2015)

As cargas úteis do CBERS-3/4 compõem-se de todos os instrumentos diretamente relacionados com a aquisição dos dados científicos ou relacionados à missão do satélite (CBERS 3&4, 2005; 2010). São:

a) Câmera Pancromática e Multiespectral (PAN),
b) Câmera Multiespectral Regular (MUX),
c) Imageador Multiespectral e Termal (IRS),
d) Câmera de Campo Largo (WFI),
e) Dois Transmissores de Dados de Imagem (MWT para a MUX e a WFI, e PIT para a
PAN e o IRS),
f) Gravador de Dados Digital (DDR),
g) Sistema de Coleta de Dados (DCS)
h) Monitor do Ambiente Espacial (SEM)

Segue a imagem do satélite CBERS-3.

Captura de Tela 2015-05-28 às 15.46.48

Satélite CBERS-3, disponível em: http://www.cbers.inpe.br/galeria_fotos/lancamento_cbers3.php Extraído em 23.05.2015

Brasil e China nos BRICS

A criação do bloco dos BRICS vem sedimentar essa relação, sobretudo, depois de passos largos dados na construção do Branco dos BRICS, o que torna Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, independentes de instituições como o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Banco Interamericano de desenvolvimento. Segundo a presidenta do Brasil Dilma Rousseff:

Eu acho que o momento mais importante do evento do Brics vai ser a concretização tanto do novo banco de desenvolvimento quanto do acordo contingente de reservas. Agora, é importante para o Brics também afirmar e se posicionar de uma forma clara com essas duas iniciativas porque elas empoderam o Brics e mostram que, de fato, continua sendo um mundo puxado pelo crescimento dos países em desenvolvimento. (ROUSSEFF, Dilma, disponível em: http://blog.planalto.gov.br/hoje-a-china-e-nosso-maior-parceiro-comercial-afirma-presidenta/  Extraído em: 21.05.2015)

As possíveis preocupações do governo brasileiro geradas pela criação da Aliança do Pacífico, sobretudo o Acordo de Associação Trans-Pacífico proposto pelos Estados Unidos ganham menor dimensão com a intensificação das relações bilaterais Brasil e China. Nesta relação o Peru tem um papel chave, pois é o caminho político e geográfico mais importante para que o Brasil chegue ao Pacífico. O Peru tem demonstrado amizade e cooperação com o Brasil. É preciso lembrar da estrada transoceânica que passa por estes dois países e possibilita o acesso terrestre do Brasil ao Oceano Pacífico.

O Acordo de Associação Trans-Pacífico: (Trans-pacific Partnership-TPP) é a proposta de criação de uma área de livre comércio que deverá abranger vários países da região do Oceano Pacífico, envolvendo tanto a Ásia como as Américas. Poderá ser o maior acordo multilateral do planeta. Fazem parte do TPP os Estados Unidos e a Austrália, além de Malásia, Peru e Vietnã, Brunei, Chile, Cingapura e Nova Zelândia, Canadá, Japão, Chile e México. Esse bloco totaliza cerca de 40% do Produto Interno Bruto Mundial. De forma mais indireta, podemos também considerar que essa é uma tentativa, principalmente por parte dos EUA, de conter o avanço comercial chinês no continente asiático, uma resposta ao desenvolvimento chinês em uma estratégia de contenção. (TESSARO, 2014).

Mapa do Bloco Trans-Pacífico

Captura de Tela 2015-05-28 às 15.48.46

Mapa disponível em: http://dmaps.com/carte.php?lib=world_pacific_ocean_centered_map&num_car=3231&lang=en. (Extraído em 21.05.2015)

Brasil e Rússia: 

O Ministro da Defesa do Brasil Jacques Wagner em recente visita a Moscou para as comemorações do Dia da vitória que marca 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) afirmou em entrevista ao Diário Sputnik Que o Brasil é aliado Político da Rússia, pois esses dois países compõem com Índia, China e África do Sul o BRICS. O Ministro Wagner também afirmou que o Governo Brasileiro pretende comprar da Rússia, o complexo de defesa anti-aérea PANTSIR-S1, mas apenas depois da Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Captura de Tela 2015-05-28 às 15.48.57

Fonte: Sputniknews, disponível em: http://br.sputniknews.com/mundo/20150511/988352.html Extraído em 22.05.2015

As relações diplomáticas entre Brasil e Rússia somente ganharam impulso a partir de 1997 com a criação da Comissão Russo-Brasileira de Alto Nível de Cooperação marcadas devido à assinatura do Acordo básico de parceria em junho de 2000. Em novembro de 2004 o Presidente da Federação da Rússia Vladimir Putin visitou o Brasil – foi a primeira visita do Presidente russo neste país na história das relações bilaterais. Em 2005 o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva retribuiu a visita e assinou o Acordo sobre a criação de “aliança estratégica russo-brasileira”. (Embaixada da Federação Russa, Disponível em http://brazil.mid.ru/pt/web/brasil_pt/historia-das-relacoes-bilaterais extraído em 22.05.2015).

Em 2008, nossos países comemoraram o 180º aniversário das relações diplomáticas, o que gerou acordo para acabar com o regime de vistos para viagens curtas do Brasil para a Rússia e da Rússia para o Brasil. Nos últimos anos as relações russo-brasileiras vêm ficando cada vez mais intensas devido à cooperação nas áreas econômicas e financeiras, energéticas, defesa, ciência e tecnologia, agricultura, cultura, educação e esporte. A cooperação entre os dois países tem se estreitado ainda mais no âmbito da ONU, BRICS, G20 e OMC. (Embaixada da Federação Russa, Disponível em http://brazil.mid.ru/pt/web/brasil_pt/historia-das-relacoes-bilaterais extraído em 22.05.2015)

Em relação ao acesso ao Oceano Pacífico, a Rússia conta apenas com a região onde estão situadas as Ilhas Curilas. Estas ilhas são vitais para a Rússia, pois sem a sua soberanoa sobre este arquipélago o país teria limitado ainda mais o seu acesso ao Oceano Pacífico, considerando que ao norte está o Oceano Ártico e mais ao leste o mar de Bering, ambos congelados grande parte do ano. Dessa maneira as Curilas, que ficam mais ao sul cujas águas menos frias tornam-se vitais para a Rússia.

Captura de Tela 2015-05-28 às 15.49.06

Localização do Mar de Okhotsk e das Ilhas Curilas em disputa por Rússia e Japão.

Segundo Reportagem da Gazeta Russa de 05.05.2014 o governo russo vai intensificar a sua presença nas Ilhas Curilas, destaca que até 2016, a Rússia construirá novas cidades militares completamente autônomas com uma desenvolvida infraestrutura nas ilhas Iturup e Kunichir. A informação foi dada pelo coronel general no comando da região militar oriental, Serguêi Surovikin (…) serão modernizadas as existentes e serão construídas as novas cidades na ilha de Salhakin. O Japão reivindica quatro ilhas Curilas do Sul (Iturup, Kunashir, Shikotan e uma série de ilhas menores, chamadas Habomai em japonês). Até 1945 o Japão teve seu controle sobre as ilhas Curilas do Sul até o final da Segunda Guerra Mundial. . (Rússia vai reforçar presença militar nas Ilhas Curilas: In: Gazeta Russa, 05.05.2014 Disponível em: http://br.rbth.com/politica/2014/05/05/russia_vai_reforcar_presenca_militar_nas_ilhas_curilas_25425.html Disponível em: 22.05.2015).

Considerações Finais

Existem fortes indícios de que a Bacia do Pacífico será uma região estrategicamente chave para a Nova Ordem Mundial no século XXI. Isto se deve ao seu potencial econômico. Diante de tal fato, a aliança com a China é vital para o Brasil, pois possibilitará mais uma via de acesso ao Pacífico, agora ferroviária e não somente terrestre, como é o caso da Rodovia Trans-Oceânica. Poderá fortalecer a projeção continental do Brasil na América do Sul, sobretudo, possibilitar contornar os possíveis impactos negativos à sua economia, ocasionados pela Aliança do Pacífico. O Brasil é um país muito importante para a China, pois é um gigante econômico e político e um importante aliado na América do Sul frente à estratégia dos Estados Unidos que aumenta sua presença no Pacífico com a Aliança do Pacífico e o Tratado Trans-Pacífico. A Rússia que já possui amizade com a Venezuela, vê no Brasil um comprador dos equipamentos de sua indústria bélica e pergunta se o Brasil é um aliado? Estes dois pólos China e Rússia poderão fomentar a independência da Política Externa Brasileira em relação aos Estados Unidos. Internamente, é um aporte de recursos que possibilita investimentos internos em infra-estrutura, considerando que o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – que vem passando por um período de contingenciamento de gastos.

Referências:

  • Entrevista com Jacque Wagner: O Brasil é aliado político da Rússia. In: Sputniknews: 11.05.2015. Disponível em: http://br.sputniknews.com/mundo/20150511/988352.html Extraído em: 22.05.2015.
  • MEDEIROS, Akira Pinto. Os mega-projetos chineses e a reorganização da hegemonia do comércio na América Latina.  In: Carta Maior 19.05.2015, disponível em: http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FEconomia%2FOs-mega-projetos-chineses-e-a-reorganizacao-da-hegemonia-do-comercio-na-America-Latina%2F7%2F33524 Extraído 22.05.2015
  • Embaixada da Federação Russa. Relações Diplomáticas entre Federação Russa e a República Federativa do Brasil, Embaixada da Federação Russa, Disponível em http://brazil.mid.ru/pt/web/brasil_pt/historia-das-relacoes-bilaterais extraído em 22.05.2015.
  • Empresas Brasileiras na China: presença e experiências, Conselho Empresarial Brasil e China, junho de 2012. Disponível em http://www.cebc.org.br/sites/default/files/pesquisa_presenca_das_empresas_brasileiras_na_china_-_presenca_e_experiencias.pdf Extraído em 26.05.2015.
  • Investimentos Chineses no Brasil, Conselho Empresarial Brasil e China, maio de 2011. Disponível em http://www.cebc.org.br/sites/default/files/pesquisa_investimentos_chineses_no_brasil.pdf Extraído em 26.05.2015.
  • O Brasil tem a melhor base de lançamentos espaciais no mundo. Disponível em: http://br.sputniknews.com/entrevistas/20150522/1087847.html#ixzz3avsZJsNc Extraído em: 23.05.2015
  • ROUSSEFF, Dilma, disponível em: http://blog.planalto.gov.br/hoje-a-china-e-nosso-maior-parceiro-comercial-afirma-presidenta/  Extraído em: 21.05.2015.
  • Rússia vai reforçar presença militar nas Ilhas Curilas: In: Gazeta Russa, 05.05.2014 Disponível em: http://br.rbth.com/politica/2014/05/05/russia_vai_reforcar_presenca_militar_nas_ilhas_curilas_25425.html Disponível em: 22.05.2015.
  • TESSARO. Jessika, Líderes do NAFTA discutem o estabelecimento da “Parceria Transpacífico” (TPP) In: CEIRI NEWSPAPER 26.02.2014 Disponível em: http://www.jornal.ceiri.com.br/lideres-do-nafta-discutem-o-estabelecimento-da-parceria-transpacifico-tpp/ Extraído em 21.05.2015

Samuel de Jesus é docente da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – campus de Coxim (Samueldj36@yahoo.com.br)

1 Comentário em A Ferrovia Transoceânica: os BRICS frente à estratégia estadunidense para a Bacia do Pacífico, por Samuel de Jesus    

  1. É interessante refletir sobre o fato do Oceano Pacífico estar recebendo todo este foco, podendo se transformar aos poucos em um campo de potencial econômico maior que o Oceano Atlântico, que durante séculos foi o protagonista das trocas comerciais, principalmente por conta da Europa. Tal mudança reflete a atual situação do Sistema Internacional, em que a União Europeia não se garante mais como ator principal, perdendo aos poucos espaço para países emergentes.