Sessenta anos do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais, por José Carlos Brandi Aleixo

A comemoração dos sessenta anos do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI é oportunidade propícia para recordar alguns sucessos de sua auspiciosa história.

 RIO DE JANEIRO

Em 27 de janeiro de 1954, na então capital federal, no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, foi fundado o Instituto Brasileiro de Relações Internacionais. Rezava seu Estatuto “uma associação cultural independente, sem fins lucrativos, mantida por contribuições de seus associados, doações de entidades privadas e subvenções dos poderes públicos. É seu objetivo promover e estimular o estudo imparcial dos problemas internacionais, especialmente dos que interessam à política exterior do Brasil”.

Na sua fundação e nos primeiros trinta e oito anos decorridos na cidade do Rio de Janeiro ocupa lugar de relevo o paraibano Cleantho de Paiva Leite (1921-1992). Nascido em João Pessoa, formou-se em Direito no Recife em 1945. Na “London School of Economics and Political Science” pesquisou o tema da “Administração Colonial”. De 1945 a 1951 integrou o Conselho de Tutela da ONU. De 1951 a 1954 participou da Assessoria Econômica do Presidente Getúlio Vargas.

Capítulo de singular transcendência na trajetória do IBRI foi o do lançamento, em março de 1958, da Revista Brasileira de Política Internacional (RBPI), sob a direção do paraibano Oswaldo Trigueiro. Ele havia sido Governador do seu Estado, Deputado Federal e Embaixador do Brasil na Indonésia.

No primeiro número do citado periódico constam: seis artigos, sendo o primeiro deles “Os direitos humanos como fundamento da ordem jurídica e política”, de Vicente Rao; Resenha de treze eventos de importância internacional; cinco documentos significativos; e nomes de sete publicações e de seus autores.

Entre os componentes do Conselho Curador (14), do Conselho Consultivo (21) e da Diretoria Executiva (1), havia ilustres acadêmicos, professores universitários, periodistas, juristas, historiadores, literatos, etc.

BRASÍLIA

Muitos fatores contribuíram para a transferência do IBRI do Rio de Janeiro para Brasília, cidade com clara vocação internacional.

Antes de sua inauguração em 21 de abril de 1960, ela foi visitada por Governantes de países como Cuba, Estados Unidos, Honduras, Indonésia, Itália, Japão, México, Paraguai, Portugal. A partir de 21 de abril de 1970 o governo brasileiro passou a receber embaixadores e outras autoridades estrangeiras só na nova capital. Em 1974 a Universidade de Brasília foi a primeira do país a realizar vestibular para o Curso de Relações Internacionais. Em 1976 ela criou o Departamento de Ciência Política e Relações Internacionais (REL). Coincidentemente, no mesmo ano, o Instituto Rio Branco, sob a operosa direção do Ministro Sérgio Bath, deslocou-se do Rio de Janeiro para Brasília. Os seus docentes não diplomatas permaneceram naquela urbe. Vários professores da UnB — entre os quais o autor destas linhas — assumiram disciplinas do Curso de Preparação para a Carreira Diplomática (CPCD). Concomitantemente diversos diplomatas brasileiros, com vocação também acadêmica, ingressaram no Professorado da UnB. Entre eles estavam Carlos Henrique Cardim, Celso Amorim, Paulo Roberto de Almeida e Samuel Guimarães.

Com o falecimento do benemérito Cleantho de Paiva Leite, em 7 de outubro de 1992, sua viúva Maria Cecília e remanescentes do IBRI aprovaram a ideia de sua instalação em Brasília. Em 27 de janeiro de 1993 os membros do IBRI, reunidos no Rio de Janeiro, aprovaram, por unanimidade, a outorga de “todos os poderes necessários ao Embaixador Sérgio Guarishi Bath [novamente Diretor do Instituto Rio Branco] para reconstituir a composição desses dois órgãos [Conselhos Curador e Consultivo], designar o novo Diretor do IBRI e o novo Diretor de sua Revista e adotar todas as providências necessárias ou convenientes para a continuidade institucional do IBRI e a manutenção financeira e editorial de sua revista”.

Em 6 de julho de 1993, reunido no Instituto Rio Branco, o “Grupo de amigos de Cleantho” fundou o IBRI de Brasília e elegeu: Professor José Carlos Brandi Aleixo, Diretor Geral; Professor Alcides Costa Vaz, Secretário Executivo; Professora Luciara Silveira de Aragão e Frota, Primeira Tesoureira; Ministro Adolf Libert Westphalen, Segundo Tesoureiro; Embaixador Sérgio Bath, Conselheiro Paulo Roberto de Almeida e Professor José Flávio Sombra Saraiva, membros do Conselho Fiscal; Professor Amado Luiz Cervo, Editor da Revista Brasileira de Política Internacional.

Para o êxito do IBRI, em geral, e de sua Revista Brasileira de Política Internacional, muito contribuiu a atitude favorável da Universidade de Brasília e, particularmente, do Departamento de Ciência Política e Relações Internacionais e do Departamento de História. Entre os que prestaram grande serviço ao IBRI, cabe mencionar, a título de exemplos, os nomes do funcionário Vanderlei Valverde e da então aluna Jennifer Cristino. CNPq e CAPES proporcionaram valioso apoio.

O previdente fundador Cleantho deixou na Tesouraria saldo importante para as naturais despesas do encerramento do IBRI no Rio de Janeiro e do seu começo em Brasília.

Pode-se afirmar que o IBRI tem sido fiel ao seu objetivo inicial de “estimular o estudo imparcial dos problemas internacionais, especialmente dos que interessam à política exterior do Brasil”. Sua RBPI, decana dos periódicos nacionais congêneres, altamente conceituada, permanece sendo editada por professores da Universidade de Brasília.

José Carlos Brandi Aleixo é Professor Emérito da Universidade de Brasília e Presidente de Honra do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI (brandialeixo@gmail.com).

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