A guerra Cibernética segundo o Livro Branco de Defesa do Brasil, por Samuel de Jesus

A revelação sobre a espionagem dos Estados Unidos deve ser entendida como parte da reestruturação da intervenção dos Estados Unidos no mundo que tem como diretriz a economicidade e otimização de suas ações.

A crise econômica de 2008 foi a maior crise econômica depois da Grande Depressão nos anos 30 e trouxe grandes limitações à estratégia estadunidense, os severos cortes em todas as áreas inclusive educação e, sobretudo redução dos gastos em defesa fizeram com que os Estados Unidos adotassem a multipolaridade internacional na condução de sua Política Externa. Porém vários desafios, essências à manutenção de sua hegemonia mundial estão fazendo com que o Governo Barack Obama utilize da criatividade para policiar o mundo.

Os DRONES utilizados na caça de Osama Bin Laden foram sintomáticos dessa nova conjuntura. A vigilância desse objeto voador não tripulado permitiu informações detalhadas que ajudaram as tropas especiais caçarem seu famigerado inimigo e com um julgamento prévio e à revelia do acusado, executassem a sentença de morte no primeiro momento em que o encontraram.

Recentemente a guerra cibernética promovida pela China deixou claro ao mundo que uma nova modalidade de guerra estava em curso, levada em frente não mais por soldados, mas por harckers que controlam os sistemas de informação e são capazes de destruir as informações contidas nos computadores de governos e agências de espionagem. Ações executadas de distintos pontos do globo.

Recentemente o Governo Brasileiro divulga que milhões de brasileiros foram espionados pelos órgãos de inteligência dos Estados Unidos, inclusive a presidente do Brasil Dilma Rousseff teve seu sigilo telefônico e virtual violados.  A informação foi proveniente do Sr. Edward Snowden um dos pilares do site wikileaks que divulga informações confidencias do governo dos Estados Unidos.

Os órgãos de inteligência brasileiros tem que ter a ciência desta nova conjuntura de guerra que não mais percorre os vieses tradicionais, ou seja, o conceito moderno de guerra com seus exércitos profissionais que combatem em ar, mar ou terra. A guerra assume outras facetas como a cibernética. O Livro Branco de Defesa tem um item para o setor cibernético. Segundo o LBDN:

A ameaça cibernética tornou-se uma preocupação por colocar em risco a integridade de infraestruturas sensíveis, essenciais à operação e ao controle de diversos sistemas e órgãos diretamente relacionados à segurança nacional. A proteção do espaço cibernético abrange um grande número de áreas, como a capacitação, inteligência, pesquisa científica, doutrina, preparo e emprego operacional e gestão de pessoal. Compreende, também, a proteção de seus próprios ativos e a capacidade de atuação em rede. O Setor possui elementos intra e interorganizacionais; é multidisciplinar e gera produtos e serviços tecnológicos diversos, além de métodos e processos gerenciais em todos os níveis. A implantação do Setor Cibernético tem como propósito conferir: confidencialidade, disponibilidade, integridade e autenticidade dos dados que trafegam em suas redes, os quais são processados e armazenados. Esse projeto representa um esforço de longo prazo, que influenciará positivamente as áreas de ciência e tecnologia e operacional.

O Livro Branco de Defesa também estabelece as diretrizes de preparação do Brasil para a guerra cibernética. Depois de revelada a ampla espionagem cometida pela NSA, é consenso No Brasil há necessidade do país se proteger contra ataques cibernéticos, sobretudo a velha espionagem.

Sob a coordenação do Exército, significativos avanços têm se concretizado na capacitação de pessoal especializado e no desenvolvimento de soluções de elevado nível tecnológico.

O Exército já possui um Centro de Defesa Cibernética:

O Centro de defesa Cibernética do Exército vem somar esforços com as organizações governamentais já existentes, e busca: a) melhoria da capacitação dos recursos humanos; b) atualização doutrinária; c) fortalecimento da segurança; d) respostas a incidentes de redes; c) incorporação de lições aprendidas; d) proteção contra ataques cibernéticos.

Parece a nós que mais uma vez a Política Externa do Brasil se ocupa dos assuntos que foram convertidos à concepção militar de defesa e segurança, no caso a espionagem e os ataques cibernéticos.

Referência bibliográfica

 BRASIL, Livro Branco de Defesa. Disponível em: www.defesa.gov.br/arquivos/2012/mes07/lbdn.pdf extraído em 06.03.2014

Samuel de Jesus é doutor em Ciências Sociais e membro do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia – NPPA da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara na Universidade Estadual Paulista – FCLAr UNESP. (samdeje@yahoo.com.br)

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