Sustentabilidade e Relações Internacionais, por Carlos Eduardo de Mira Costa e Antonio Gil da Costa Júnior

RESUMO

A busca por sustentabilidade nos mais diversos departamentos têm se tornado cada vez mais evidente. Ter padrões de sustentabilidade tanto no setor público quanto no privado é muito importante para a imagem da corporação, bem como para o futuro do planeta que estamos deixando para as futuras gerações. O artigo trará informações das relações internacionais que estão ocorrendo para que a sustentabilidade seja algo presente em todos os locais do mundo por intermédio de acordos e normas realizadas em reuniões e comitês internacionais.

 Palavras-chave: sustentabilidade, relações internacionais, políticas internacionais.

Os primeiros conceitos sobre sustentabilidade tiveram sua gênese em reuniões das Nações Unidas, onde foram debatidos assuntos como degradação ambiental, poluição e consumo desenfreado de recursos naturais. A popularidade do conceito de sustentabilidade se espalhou rapidamente, mas as ações realizadas são muito humildes. Diversos tratados internacionais foram construídos para que tal conceito, definitivamente seja efetivado, e que, as empresas, adequem-se corretamente a padrões de qualidade na exploração e utilização dos recursos naturais.

A adoção formal por parte da ONU do conceito de desenvolvimento sustentável parte da criação em 1972 da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED), que em 1987 publicou um relatório intitulado “Nosso futuro comum”, também conhecido como o relatório Brundtland. Esse relatório indicou a pobreza nos países do sul e o consumismo extremo dos países do norte, como as causas fundamentais da insustentabilidade do desenvolvimento e das crises ambientais. A comissão recomendou a convocação de uma conferência sobre esses temas.

O desenvolvimento da Agenda 21 começou em 23 de dezembro de 1989, com a aprovação em Assembleia Extraordinária das Nações Unidas, uma Conferência sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento como fora recomendado pelo relatório Brundtland, e com a elaboração de esboços do programa, que, como todos os acordos dos estados-membros da ONU, sofreram um complexo processo de revisão, consulta e negociação, culminando com a Segunda Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como Rio-92 ou Eco-92, entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro, onde representantes de 179 governos aceitaram adotar o programa. Na ocasião do evento, a Agenda 21 teve um estreito acompanhamento a partir do qual foram feitos ajustes e revisões.

Primeiramente, na Conferência Rio+5, entre os dias 23 e 27 de junho de 1997 na sede da ONU, em Nova Iorque, em seguida, com a adoção de uma agenda complementária denominada Metas do Desenvolvimento do Milênio (Millenium Development Goals), com ênfase particular nas políticas de globalização e na erradicação da pobreza e da fome, adotadas por 199 países na 55ª Assembleia da ONU, que ocorreu em Nova Iorque entre os dias 6 e 8 de setembro de 2000. A mais recente, a Cúpula de Johannesburgo, na cidade sul-africana, foi sediada entre 26 de agosto a 4 de setembro de 2002. Na cidade de Brasília, DF, foi originada mais uma AGENDA 21, este termo, contou com a assinatura de 179 países.

A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, propõe formas de cooperação internacional para orientar as políticas de ações necessárias para uma maior compreensão dos problemas existentes bem como a execução de ações práticas a serem desenvolvidas por governos, empresas e indivíduos.

Foi criada uma nova declaração universal sobre a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável. Neste documento, foi proposto integrar conservação do meio ambiente com progresso econômico, porém, para alcançar estes objetivos, tora-se necessário a adoção de algumas medidas por parte dos governos, tais como:

– Limitar o crescimento populacional;

– Garantir alimentação em longo prazo;

– Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;

– Diminuir o consumo de energia e promover o desenvolvimento de tecnologias que admitem o uso de fontes energéticas renováveis;

– Aumentar a produção industrial nos países não industrializados à base de tecnologias ecologicamente adaptadas;

– Controlar a urbanização selvagem. Integração entre campo e cidades menores;

– As organizações devem adotar uma estratégia de desenvolvimento sustentável;

– A comunidade internacional deve proteger os ecossistemas supranacionais como a Antártida, os oceanos e o espaço;

– As guerras devem ser banidas. A ONU deve implantar um programa de desenvolvimento sustentável.

O posicionamento do governo Brasileiro tem sido forte em relação à sustentabilidade, ações já foram tomadas para levar as empresas a se adaptarem a novas normas que diminuam o consumo de energia e degradação do meio ambiente.

O Ministério do Planejamento regulamentou alguns critérios para o atendimento de licitações do governo federal. Os fornecedores e as construtoras devem se adaptar á regras de consumo de energia, reutilização da água, utilização de materiais reciclados e o uso de energia solar. A normativa do governo contendo os critérios de sustentabilidade foi publicada em 19/01/2010 no Diário Oficial da União.

No projeto básico ou executivo para contratação de obras e serviços de engenharia, devem ser observadas as normas do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO e as normas ISO nº 14.000 da Organização Internacional para a Padronização.

Temos diversas empresas que estão realizando adaptações neste sentido, e estão sendo reconhecidas por serem pioneiras no aspecto de sustentabilidade. Em 2007, ocorreu à premiação de 20 empresas pela revista EXAME, em 27/11. Abaixo, algumas destas empresas e suas ações adotadas:

Accor: No primeiro dia de trabalho, os funcionários apreendem que ações relacionadas à sustentabilidade precisam ser incorporadas ao dia-a-dia de suas atividades.

Amanco: Reduzir o consumo de água e de outros insumos é uma obrigação que afeta diretamente o bolso de seus executivos.

Arcelor: Investe 270 milhões de reais em programas de gestão ambiental, bem como reduz o uso de insumos não renováveis na produção de aço.

Elektro: Com o projeto Energia Comunitária, a empresa colabora para a reurbanização de áreas pobres e melhora a qualidade de vida de milhares de pessoas nas cidades onde atua.

Itaú: Lançou o primeiro fundo de investimento que permite ao correntista contribuir para neutralizar os gases que destroem a camada de ozônio.

Natura: Pioneira em sustentabilidade no Brasil, a empresa possui um dos programas de neutralização de carbono mais eficazes.

Philips: Para ganhar mercado, a subsidiária brasileira aposta em equipamentos que consomem menos energia.

Podemos visualizar muitos avanços na implantação de políticas e melhor utilização de recursos por parte das empresas e governo, pois está evidente a importância destas ações para o futuro. No Brasil, as ações estão sendo realizadas, mas percebe-se a lacuna existente quanto à conscientização e a visualização do indivíduo neste processo.

Há muitas ações de grandes empresas que visam aperfeiçoar o marketing, através do investimento de recursos, porém, não popularizam ações de sustentabilidade no dia a dia das pessoas. Poderia ocorrer à criação de uma disciplina para nossas crianças que tratasse apenas de redução de desperdício e formas de reutilização de recursos, e também uma mudança em produtos que são desenvolvidos, já pensando na influência dele no meio onde será usado, sendo incluída no desenvolvimento de qualquer projeto, uma análise da real influência que isto trará para o meio ambiente.

Referências Bibliográficas

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. Conferência das Nações Unidas sobre Meio

Ambiente e Desenvolvimento: Agenda 21. Brasília, 02 Ago. 1994.

Tradução do Ministério das Relações Exteriores.

 NOSSO FUTURO COMUM (Relatório Brundtland). Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getulio Vargas, 1988.

 LOPES, Mikhail. As 20 empresas mais sustentáveis. Revista Exame, p. 38-41, 27/11/2007.

 VEIGA, José Eli da. Sustentabilidade Equivocada-Gerações futuras e o discurso de hoje. Folha de São Paulo, São Paulo, 05 set. de 2010. Caderno econômico, p. 13.

 WCED. Our common Future. Oxford: Oxford University Press, 1987.

Carlos Eduardo de Mira Costa é professor de Ciências Ambientais e mestrando em Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI. (cadumira@gmail.com)

Antonio Gil da Costa Júnior  é professor de Administração e doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. (antonio.gil@gmail.com)

1 Comentário em Sustentabilidade e Relações Internacionais, por Carlos Eduardo de Mira Costa e Antonio Gil da Costa Júnior