Evento – livro "Hobbes e Locke nas Relações Internacionais" – Livraria Cultura

Será lançado no dia 30 de outubro, em Brasília, o livro “Hobbes e Locke nas Relações Internacionais”. O lançamento será na Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi Brasília, às 19h30.
O livro trata do uso que se fez, e que ainda se faz, do conceito de “estado de natureza” no campo das relações internacionais. Vários autores da Teoria das Relações Internacionais se servem do estado de natureza para tentar compreender e explicar o que ocorre no cenário internacional. Na Teoria das Relações Internacionais o estado de natureza hobbesiano costuma ser usado para interpretar o cenário internacional a partir de uma analogia entre a situação dos Estados e aquela dos indivíduos em estado natural. 
O problema dessa comparação é que ela tem sido entendida como um paralelismo estrito, como se as relações entre os Estados fossem equivalentes às caóticas relações entre os indivíduos em estado de natureza. Porém, a pertinência da crítica a Hobbes fica comprometida quando o seu próprio pensamento é resgatado. Há no Leviatã algo mais do que aquilo que foi incorporado pela “tradição hobbesiana”. Na verdade, além da guerra, há fortes indícios de que na teoria hobbesiana há espaço também para a cooperação entre os Estados. No entanto, a crítica elaborada contra a utilização do conceito hobbesiano de estado de natureza introduziu uma inovação. Hedley Bull apontou para a possibilidade da utilização da descrição de Locke e não a de Hobbes. A noção de estado de natureza lockiano promoveria um outro tipo de mentalidade no que diz respeito às relações internacionais: nem pessimista – como aquela proposta pelo realismo clássico –, nem ingenuamente idealista – como aquela defendida pela escola utópica. Na verdade, trata-se de uma concepção que poderia ser também chamada de “realista”, no exato sentido de que ela descreve de modo mais fiel àquilo que efetivamente ocorre no cenário internacional: cooperação e conflito.
Sobre os autores:
  • Raphael Spode é doutorando e mestre em Relações Internacionais pelo IREL/UnB. Lecionou e foi coordenador do curso de Relações Internacionais da Univali. Também foi professor na UFSC. É pesquisador do Grupo de Pesquisa “Pensadores clássicos e os debates contemporâneos” – IREL/UnB. É co-organizador do livro “Abordagem Clássica das Relações Internacionais”.
  • Conrado Frezza é graduado em Direito e em Relações Internacionais pela Univali. É consultor da UNESCO, advogado, e trabalha como pesquisador na UnB. Publicou o artigo “A solução proposta por Thomas Hobbes, na obra Leviatã, para o conflito entre Direito Natural e Direito Positivo” e é um dos autores de “Abordagem Clássica das Relações Internacionais”.
  • Marcelo Alves é doutorando em Filosofia Política pela UFSC e professor nos cursos de Relações Internacionais e Direito da Univali, onde leciona Teoria Política e Filosofia do Direito. É autor de “Leviatã: o demiurgo das paixões”, “Camus: entre o sim e o não a Nietzsche”, “Antígona e o Direito”, e é organizador de “Direito e política na Revolução Francesa”.
Mais informações com Raphael Spode, pelo e-mail raphael.spode@gmail.com