A Aliança do Pacífico e a importância das relações bilaterais entre Brasil e Peru., por Samuel de Jesus

A Aliança do Pacífico é formada por México, Peru, Chile e Colômbia. Essa aliança possui cerca de 40% do PIB da América Latina. É o segundo maior bloco econômico da América Latina em exportações, ficando atrás apenas do MERCOSUL. A Aliança do Pacífico foi fundada oficialmente em 06 de junho de 2012, em Antofagasta no Chile durante a 4ª Cúpula da Aliança do Pacífico. Nesta data, os presidentes dos países-membros assinaram o Quadro-Acordo do bloco. São observadores da Aliança do Pacífico os seguintes países: Austrália, Canadá, Equador, Espanha, França, Guatemala, Honduras, Japão, Nova Zelândia, Panamá, Portugal, Paraguai, República Dominicana, El Salvador e Uruguai.

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Disponível em: http://alianzapacifico.net/paises/paises-observadores/ Extraído em: 04/09/2013

Atualmente, a Aliança do Pacífico já é o nono maior bloco econômico, possui 209 milhões de habitantes, 35% do PIB da América Latina, estimado em US$ 2,0 bilhões e com um PIB per capita de aproximadamente US$ 10.000. Concentra 50% do comércio latino americano com o mundo.[1]

Tudo isto devido às potencialidades da região que compreende grande parte do oceano Pacífico chamada Bacia do Pacífico. Essa Bacia forma um triângulo aproximado entre a costa oeste dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia e o leste asiático. Na região do oceano Pacífico encontram-se também outras potências econômicas como a China e Japão. A china na última década aumentou sua influência política e militar no planeta. Também se encontram Austrália e da Nova Zelândia e os chamados Tigres Asiáticos como a Coreia do Sul e Taiwan. Possui importantes portos como o de São Francisco (EUA), Vancouver (Canadá), Yokohama (Japão), Pusan (Coreia do Sul), Xangai e Cantão (China), Cingapura (Cingapura) e Sidnei (Austrália). [2]

A aliança do pacifico poderá representar uma dificuldade à projeção continental Brasileira, afinal está gerando novos protagonistas da América do Sul como Colômbia, Peru e Chile. O Brasil deve entender esse novo momento. Diante dessa conjuntura, o país deverá ampliar seus tratados e parcerias com os países sul-americanos banhados pelo Oceano Pacífico como o Peru. A construção da aliança estratégica Brasil – Peru completa neste ano, de 2013, seus 10 anos. Essa aliança é responsável pela articulação do Brasil à Bacia do Pacífico, afinal o Peru é membro do Fórum Ásia-Pacífico (APEC). A construção conjunta da Estrada Transoceânica que permite o aceso do Brasil ao Pacífico é o marco dessa aliança.

A Estrada do Pacífico, chamada também de Rodovia Interoceânica  liga o noroeste do Brasil ao litoral sul do Peru, pelo Acre, BR-317, passa por Rio Branco, Assis Brasil e do lado peruano Iñapari e depois possui duas rotas, uma a oeste na rodovia PE-030, desde Nazca, depois Cuzco chegando ao porto de San Juan de Marcona. A rota sul se subdivide em duas uma rumo ao lado Titicaca chegando pela PE-034 até Matarani e a outra pela PE-036 até o porto de Ilo. A transoceânica é muito importante. [3]

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Disponível em: http://economia.ig.com.br/na-nova-estrada-brasilpacifico-o-progresso-e-via-de-mao-dupla/n1597074945819.html Extraído em 04/09/2013.

Em 2003 Brasil e Peru assinaram um memorando [4] de entendimento sobre a cooperação em matéria de vigilância e proteção da Amazônia. Nesse memorando o governo do Brasil ofereceu assessoramento e cooperação técnicas necessárias que permitiram o acesso progressivo do Peru às informações geradas pelo sistema de vigilância da Amazônia – SIVAM, assim como a integração peruana ao sistema de proteção da Amazônia – SIPAM. Foi estabelecida a cidade de Pucallpa, no Peru, como a base das operações que permitiriam trocar, em tempo real, informações do radar na franja de fronteira comum entre os dois países.  (Memorandum de Cooperação na área de Vigilância entre Brasil e Peru, Brasília, 2003).

Em viagem ao Peru em 2009 o então presidente Lula manifestou apoio a proposta peruana que pretendia adotar um Protocolo de Paz e Segurança entre os países-membros da UNASUL. Segundo essa Proposta de Paz, Segurança e Cooperação, os países da UNASUL reduziriam em 3% suas despesas militares, cortariam em 15% os investimentos em compra de armas ao longo de cinco anos e cooperariam para a criação de um corpo de segurança regional parecido com os capacetes-azuis da Organização das Nações Unidas – ONU. (O Estado de S. Paulo de 10 de novembro de 2009).

Em junho deste ano de 2013 o ex-presidente Lula visitou o Peru e defendeu o aumento do comércio entre Brasil e Peru, considerou que “o fluxo do comércio entre Brasil e Peru é muito pequeno para o tamanho” das duas economias. As exportações peruanas ao Brasil cresceram de US$ 217 milhões em 2002 até US$ 1,2 bilhão anuais na atualidade. O presidente peruano Ollanta Humala declarou que existe entre Peru e Brasil uma “aliança natural”, que integra “um bloco bioceânico Atlântico-Pacífico, porque uma saída natural do Brasil ao Pacífico é pelo Peru, e a projeção natural do Peru ao Atlântico é pelo Brasil. Seria uma loucura não investir em sua integração”.[5]

Considerações finais

O estreitamento das relações com o Peru parece fundamental ao Brasil, assim o avanço dos intercâmbios entre os dois países deve ser uma das prioridades da Política Externa Brasileira, o contrário será um equívoco do Itamaraty, afinal o Peru nos dá demonstrações de sua amizade e principalmente neste momento de avanços da Aliança do Pacífico, é um amigo valioso e que merece grande atenção. Aumentar a balança comercial, fomentar parcerias nas áreas científicas e criar intercâmbios culturais entre os dois países é uma questão estratégica para o Brasil. Esta é a uma grande proposição para que a projeção continental brasileira avance frente à Aliança do Pacífico.

Bibliografia:

Alianza Del Pacífico. Disponível em:  http://alianzapacifico.net/paises/paises-observadores/ extraído em 04/09/2013.

Alianza Del Pacífico. Disponível em:  http://alianzapacifico.net/que_es_la_alianza/valor-estrategico extraído em 04/09/2013

BRAYAN, Samuel. Estrada do Pacífico integra economia e cultura com o Peru. 21/06/2013, Disponível em:http://www.agencia.ac.gov.br/index.php/noticias/especiais/25126-estrada-do-pacifico-integra-economia-e-cultura-com-o-peru.html extraído em 04/09/2013.

CARVALHO, Pedro. Na nova estrada Brasil-Pacífico, o progresso é via de mão dupla. 12/07/2011, Disponível em:

http://economia.ig.com.br/na-nova-estrada-brasilpacifico-o-progresso-e-via-de-mao-dupla/n1597074945819.html extraído em 04/09/2013.

Lula destaca vantagens de aliança estratégica com Peru assinada em 2003, 05/06/2013, Disponível em: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/29284/lula+destaca+vantagens+de+alianca+estrategica+com+peru+assinada+em+2003.shtml Extraído em 04/09/2013.

 

Samuel de Jesus é doutor em Sociologia Programa de Pós – Graduação em Ciências Sociais  da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista – FCL UNESP-Araraquara/SP. Membro do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia -NPPA (sdjesu@yahoo.com.br).


[1] Disponível em: http://alianzapacifico.net/que_es_la_alianza/valor-estrategico/ Extraído em: 04/09/2013.

[2] Disponível em: http://alianzapacifico.net/paises/paises-observadores/ Extraído em: 04/09/2013.

[4] Memorandum de Entendimiento entre los Gubiernos de la República del Perú y la República Federativa del Brasil sobre Cooperación en Materia de Vigilancia y Protección de la Amazonia.

[5] Disponível em:

3 Comentários em A Aliança do Pacífico e a importância das relações bilaterais entre Brasil e Peru., por Samuel de Jesus

  1. Caro amigo Samuel, o fortalecimento da Aliança do Pacífico é sem dúvida um fato político relevante para o Brasil, para a América Latina e para parte da Ásia, pois, como você ressaltou, desperta novos protagonismos, fluxos comerciais e desafios para a inserção internacional do nosso país. Todavia, comento aqui o seu texto no intuito de problematizar o tema, tendo em vista especificamente as variadas polêmicas existentes quanto à Rodovia Transoceânica. Na minha perspectiva, parece evidente que esta rodovia e vários outros eixos de integração promovidos pela IIRSA, são instrumentos para apropriação do espaço cujo objetivo é criar plataformas de exportação dos recursos de Nuestra América para o mercado internacional. Tarefa para a qual a rodovia transoceânica e a Aliança do Pacífico servirão como grandes facilitadores. Assim, meu diálogo com o seu texto e também com o Núcleo de Pesquisas sobre a Amazônia e o Pacífico, dirigido pelo Professor Amayo Zevallos, é baseado na seguinte provocação: como devemos analisar a integração regional latino-americana, especialmente no vetor inter-oceânico que vem ganhando força? A partir da “racionalidade” instrumental-econômica que ressalta seus benefícios ou a partir da perspectiva histórica e civilizatória que demonstra ser a América continuamente explorada e colonizada pelas dinâmicas internacionais?